Festival de Cannes, na França, começa com homenagens e discursos políticos
Jane Fonda defendeu cinema como um 'ato de resistência'
Em uma cerimônia marcada por homenagens e discursos políticos, a 79ª edição do Festival de Cinema de Cannes, na França, começou nesta terça-feira (12).
Ao contrário das edições passadas do megaevento, a mostra de 2026 não contou com grandes produções dos estúdios dos Estados Unidos, e a presença de estrelas de Hollywood também foi reduzida. Um dos destaques da abertura foi Peter Jackson, diretor da trilogia "O Senhor dos Anéis", que recebeu uma Palma de Ouro honorária pelo conjunto da obra.
"Foi um prêmio inesperado e milagroso, eu diria, porque nunca imaginei que ganharia a Palma de Ouro. Não faço filmes que as pessoas associem à Palma de Ouro. Então, esta é uma surpresa absolutamente extraordinária e uma honra incrível", declarou o cineasta neozelandês.
A atriz francesa Eye Haidara foi a mestre de cerimônias do festival na Riviera Francesa e abriu sua participação com críticas aos conflitos espalhados pelo mundo.
"Caros convidados, espectadores e internautas do mundo todo, onde a internet não foi bloqueada e onde a inteligência artificial não substituiu a realidade. Finalmente, a todos vocês que estão tentando resistir aqui e em outros lugares, boa noite e sejam bem-vindos", afirmou a artista.
"Cannes é o único lugar onde um filme coreano pode comover tão profundamente um espectador brasileiro, o único lugar onde um sueco transforma uma avalanche francesa em sua maior escalada, o único lugar onde a história de um iraniano atravessa a barreira da indiferença, porque essas histórias que ressoam aqui, no fundo dos nossos corações, abrangem toda a humanidade", acrescentou.
Durante o monólogo, Haidara, acompanhada pela violinista Miri Ben-Ari, homenageou diferentes aspectos do cinema e citou obras como "La Dolce Vita", "Cinema Paradiso", "Taxi Driver" e "Notting Hill".
As atrizes Gong Li e Jane Fonda, de 88 anos, também estiveram entre as convidadas da cerimônia de abertura.
"Acredito no poder das vozes na tela, das vozes fora da tela, especialmente agora. Acredito que o cinema sempre foi um ato de resistência. Porque contamos histórias, e elas nos ajudam a construir uma sociedade. Histórias que criam empatia pelos marginalizados. Histórias que nos permitem sentir as mesmas emoções, apesar de nossas diferenças. Histórias que nos mostram que um futuro alternativo existe e é possível", afirmou Fonda.
O festival seguirá até o próximo dia 23 de maio, quando o diretor sul-coreano Park Chan-wook, presidente do júri, entregará a Palma de Ouro de 2026, principal prêmio do evento.
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