Bienal de Arte de Veneza começa com protestos anti-Rússia e apelo ao Papa
Mais de 10 mil pessoas visitaram o evento no dia de inauguração
Mais de 10 mil pessoas visitaram a Bienal de Arte de Veneza no dia de abertura do evento, em meio às controvérsias por conta das participações da Rússia e de Israel na 61ª edição da exposição, que motivaram até um apelo ao papa Leão XIV.
Após semanas de polêmicas, ameaças de cortes de verbas e até uma renúncia coletiva do júri responsável pelo Leão de Ouro, a mostra, tida como principal vitrine da arte no mundo, teve início neste sábado (9), com um público 10% maior do que na inauguração da edição anterior.
A imprensa internacional representou 70% dos 3.733 jornalistas presentes, na esteira do crescimento do interesse por conta das presenças russas e israelense.
Moscou foi autorizada a participar da Bienal de Arte pelos organizadores, decisão que motivou críticas do governo da premiê da Itália, Giorgia Meloni, e do poder Executivo da União Europeia, que ainda cogita suspender uma contribuição de 2 milhões de euros para o evento.
Na sequência, o júri chefiado pela brasileira Solange Farkas anunciou que países cujos líderes são alvos de mandados de prisão do Tribunal Penal Internacional (TPI), como Rússia e Israel, não poderiam concorrer ao Leão de Ouro.
Alvo de ameaças de ações judiciais por parte de um artista israelense, o corpo de jurados renunciou às vésperas da inauguração, e a organização decidiu substituir os tradicionais Leões de Ouro e de Prata por prêmios conferidos pelo voto popular, além de permitir que Rússia e Israel concorram às honrarias.
A cerimônia de premiação, tradicionalmente realizada no dia de abertura, foi transferida para o fim da exposição, enquanto o ministro da Cultura da Itália, Alessandro Giuli, não compareceu à inauguração, em sinal de desacordo com a participação de Moscou.
Durante a abertura, o pavilhão russo, que ficará fechado durante todo o período da mostra, foi alvo de um protesto libertário que contou com duas bandeiras da Ucrânia e uma da UE.
"Não ao pavilhão da Rússia, megafone de um regime liberticida. Vamos promover a verdadeira arte livre russa e dos povos oprimidos pelo imperialismo russo", disseram os organizadores. O grupo ainda levou para Veneza uma série de objetos que simbolizam a guerra na Ucrânia, incluindo a viga carbonizada de um mosteiro de Lviv, a pulseira de uma menina de três anos e a tocha que uma poeta de Mariupol usava para escrever em um abrigo antiaéreo.
Diante do pavilhão russo, ativistas do partido +Europa, de centro, tocaram em alto-falantes o som dos alertas antiaéreos ucranianos, de forma a sensibilizar os visitantes sobre a guerra. "O futuro da paz e da democracia na Europa passa pelo apoio à resistência ucraniana, e quisemos fazer com que todos ouvissem o som que os ucranianos escutam todos os dias", disse o secretário da legenda, Riccardo Magi.
Em meio às controvérsias, o presidente da Bienal de Veneza, Pietrangelo Buttafuoco, pediu um auxílio do papa Leão XIV, durante cerimônia de inauguração do pavilhão do Vaticano.
"Em nome da Fundação Bienal de Veneza, nos permitimos pedir ao papa Leão que volte o olhar para este nosso esforço, que venha e pronuncie uma palavra. Aquela que eu, que não sou laico, chamo de bênção. Que uma bênção possa acompanhar o trabalho, a fantasia e o espírito crítico. Na necessidade de dizer paz", declarou. .
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