Festival de dança tem renovação como principal marca

Companhias nacionais e internacionais transitaram do passado ao presente em cinco noites de apresentações

11 mai 2015
21h12
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As cinco noites de apresentações (6 a 10 de maio) da terceira edição do Festival O Boticário na Dança foram marcadas pela renovação. Em São Paulo e no Rio de Janeiro, as seis companhias, cada uma à sua maneira, mostraram como a dança pode ser mágica, envolvente e em alguns momentos surpreendentes.

Não há presente sem passado: celebra a Cia. Antonio Nóbrega de Dança em Festival O Boticário na Dança
Não há presente sem passado: celebra a Cia. Antonio Nóbrega de Dança em Festival O Boticário na Dança
Foto: Mário Miranda Filho / Divulgação

Os curadores Dieter Jaenicke e Sheyla Costa, responsáveis pela escolha dos espetáculos, alinharam com inteligência e perspicácia os significados do "renovar". Aos artistas convidados, coube a tarefa de traduzi-los em dança.

“Regenerar-se” foi a informação compartilhada pela dupla Akram Khan e Israel Galván. Os coreógrafos viajaram às suas origens e buscaram no próprio DNA a razão pela qual dançaram, tornando-se eles mesmos ícones da renovação das tradições indiana e espanhola. Eles abriram o Festival com “Torobaka” sob muitos aplausos na quarta (6) e repetiram a dose no Rio dois dias depois.

“Rejuvenescer” foi um caminho possível mostrado pelo Cullberg Ballet, que voltou ao Brasil revigorado, potente e elegante às vésperas de completar 50 anos. E a companhia não veio sozinha.  Apresentou uma obra do visionário Édouard Lock com “11th Floor”, atração de São Paulo na quinta (7) e do Rio no sábado (9).

“Restaurar” foi o que nos ensinou mais uma vez o mestre da cultura popular brasileira Antonio Nóbrega, que, com sua companhia, demonstrou como dar nova forma ao passado. O Festival OBND marcou a estreia mundial de “PAI”, em São Paulo, na sexta (8).

“Restabelecer-se” por jeitos diferentes foi a mensagem de Michael Clark, que fez muito barulho para, no fim, exibir movimentos silenciosos com seus bailarinos. Clark trouxe as provocações de “animal / vegetable / mineral” para Rio (7) e São Paulo (9).  Na capital paulista, apresentou também “come, been and gone” para a plateia do Parque Ibirapuera no domingo (10). 

“Recomeçar” foi o exemplo que a Raça Cia. de Dança nos deu. Não importa a dificuldade, haverá pelo menos “dois olhares” para o mesmo tango, para a mesma tragédia, para a mesma felicidade. “Tango Sob Dois Olhares” também foi apresentado no domingo, no Ibirapuera. 

Substituir por coisa nova e da mesma espécie foi o resumo de toda a trajetória do Balé da Cidade de São Paulo que, seja em sua luta diária ou nas peças que apresenta, é a expressão de que é preciso dar abertura à dinâmica transformadora da vida, porém, sem perder a essência jamais. Foi isso que os cariocas puderam ver no domingo, com as peças “Cantata” e “Cacti”. 

Todas as companhias se orgulham de poder trabalhar com suas memórias, seu passado. Pois é mantendo este patrimônio restaurado que a renovação se apresenta em sua mais ampla ação: o movimento.

Um panorama tão amplo quanto este conseguiu atrair um público diverso. Habitués se misturaram aos novatos, que pela primeira vez viam um espetáculo de dança ao vivo. Pessoas de todas as idades, famílias inteiras. Uma comunhão que só a dança pôde proporcionar em cinco dias incríveis. 

Fonte: Cross Content Fonte: Terra
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