36ª Bienal amplia público e alcance educativo, e inicia programa de itinerâncias
Mesmo sendo a maior bienal do mundo em número de visitantes, buscamos reinventar seus tempos e ritmos
Nosso ponto de partida nesta 36ª Bienal de São Paulo foi simples e ambicioso: abrir as portas para a arte, a cultura e, por que não, o entretenimento. Convidar cada pessoa a trazer sua cabeça — e seu próprio mundo — para dentro da Bienal, onde a experiência não segue roteiros prontos: ela se constrói no encontro entre obras, corpos, afetos, memórias e perguntas. Uma visita que não se fecha em respostas, mas se abre em caminhos.
Assim, a 36ª Bienal - Nem todo viandante anda estradas - Da humanidade como prática afirma um legado estético e ético inquestionável. Mesmo sendo a maior bienal do mundo em número de visitantes, buscamos reinventar seus tempos e ritmos: estendemos a exposição por um mês, até 11 de janeiro, e recebemos 784.399 pessoas ao longo de quatro meses — um crescimento de cerca de 20% em relação à edição anterior. Mais do que números, são histórias, trajetórias e encontros que atravessaram o Pavilhão.
A arte tem essa capacidade rara: deslocar, expandir, fazer ver diferente. A produção contemporânea, em especial, habita as urgências do presente não com soluções prontas, mas com perguntas férteis, abertas ao porvir. Na Bienal, esse movimento foi potencializado pelo programa educativo, que ampliou seu alcance em cerca de 40% em relação a 2023, somando 113 mil atendimentos — mais de 90 mil deles voltados a crianças e adolescentes. Outros 25 mil professores participaram de ações formativas. Tudo gratuito. Tudo movido por um desejo profundo de encontro, escuta e partilha.
Difundir arte e cultura é também reinventar modos de acesso. Nesta edição, lançamos o aplicativo web Bienal Prática, que reuniu, pela primeira vez em uma grande exposição internacional, inteligência artificial, reconhecimento de imagem, realidade aumentada e recursos de acessibilidade em uma única plataforma de mediação digital. Ao apontar o celular para 30 obras selecionadas, surgia IARA, um avatar fluente em português, inglês e espanhol, que dialogava em linguagem coloquial, conduzia percursos e convidava à curiosidade. Uma experiência inédita de integração entre tecnologia, arte e presença.
O impacto da mostra também se revela em seus números — mas sobretudo no que eles anunciam. Das mais de 780 mil pessoas que passaram pela Bienal, cerca de 310 mil nunca haviam visitado uma edição anterior, demonstrando nosso sucesso em cativar novas audiências. Onze por cento retornaram mais de uma vez. Vinte e sete por cento dos visitantes de fora de São Paulo vieram à cidade tendo a Bienal como principal motivo. É nossa Bienal ativando a economia, gerando riquezas e empregos. Essas estatísticas espelham o alcance da mostra, que só é possível pelo compromisso profundo com a escolha curatorial, a liberdade artística e a execução da exposição. E, todos os dias, o Pavilhão Ciccillo Matarazzo era ocupado por crianças e adolescentes: sentados no chão, em roda, atentos às histórias, imagens e paisagens que se abriam diante deles.
Nada disso seria realizado sem o robusto sistema de fomento viabilizado pela Lei Rouanet e pelos mecanismos estadual e municipal — ProAC e Promac — que, juntos, respondem por mais de 70% do orçamento da mostra. Trata-se de uma estrutura essencial para que projetos de grande escala permaneçam gratuitos, acessíveis e de alcance nacional. Principalmente por meio dessas estruturas, temos ao nosso lado 53 empresas patrocinadoras, 31 apoios internacionais e 26 acordos de permuta — parceiros que acreditam, como nós, na potência da arte para transformar mundos e criar realidades.
Mas a presença da 36ª Bienal não se encerra em São Paulo. Em 2026, ela seguirá viagem por mais de dez cidades no Brasil e no exterior, em diálogo com instituições locais que abrem suas portas para trocas e crescimento mútuos. O programa de itinerâncias da Fundação Bienal, iniciado em 2011, amplia o alcance da mostra e potencializa os recursos investidos. Nesta edição, serão mais de 40 meses de exposição condensados em um único ano, alcançando centenas de milhares de pessoas em todas as regiões do país com as obras propostas por Bonaventure Soh Bejeng Ndikung e sua equipe.
Assim, a 36ª Bienal continua a caminhar — sem se encerrar no tempo da mostra, sem se fixar em um único território. Ecoa nas cidades, nas escolas, nas conversas, nos gestos. Cumpre, desse modo, sua missão mais profunda: fomentar, difundir e educar. Sempre com abertura, escuta e cuidado. Sempre com respeito, inclusão e amor.