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Jacaré Basquete leva esperança para o Jacarezinho, no Rio

Moradores nutrem esperança de uma sociedade menos desigual por meio do esporte "é importante bater na tecla de que estamos vivos"

23 dez 2021 09h00
| atualizado em 28/12/2021 às 08h54
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Jacaré Basquete leva esperança pro Jacarezinho
Jacaré Basquete leva esperança pro Jacarezinho
Foto: Leandro Faustino / ANF

O basquete é uma modalidade esportiva tradicional nos Estados Unidos, e também tem muitos adeptos no Brasil. O Jacaré Basquete, no Jacarezinho, Rio de Janeiro, é um exemplo dessa força da modalidade no país. O projeto começou com os estudantes Thiago Nascimento e Luís Felipe, observando como a desigualdade territorial, social e racial afeta diretamente a juventude favelada.

Motivados, eles produziram algumas oficinas de esportes e inclusão social para alunos de escolas públicas. Mas foi em 2021, que formaram uma turma independente de qualquer parceria. Ao todo são 40 crianças e adolescentes com idades entre 6 e 14 anos, que recebem técnicas de basquete semanalmente na quadra Kathelen Romeu – nome da jovem grávida que morreu numa operação policial, no bairro Lins de Vasconcelos, Zona Norte carioca.

Jacaré Basquete leva esperança pro Jacarezinho
Jacaré Basquete leva esperança pro Jacarezinho
Foto: Jota Matheus

Reformada por meio de uma vaquinha virtual e apoiada por organizações, a quadra é um patrimônio do Jacarezinho, que teve em sua inauguração a presença de Isabela Ramona, madrinha do Jacaré Basquete e atleta da seleção brasileira de basquete. Para Yasmin IaLuny, uma das fundadoras do coletivo, batizar a quadra com o nome de Kathelen Romeu representa resistência. “Quando a gente nomeou a quadra, com a permissão dos familiares da Kathelen, pensamos em ter um posicionamento enquanto juventude negra. Porque é importante batermos na tecla de que estamos vivos. Queremos que as crianças saibam quem foi a ‘Kathe’ e pesquisem o que aconteceu com ela, que entendam, desde muito jovens, como funciona o Estado, e, principalmente, como não deveria funcionar, na verdade. Não é fácil ser uma criança preta e favelada no Brasil”, afirma. 

Quadra Kathelen Romeu - Sinônimo de resistência
Quadra Kathelen Romeu - Sinônimo de resistência
Foto: Leandro

O Jacaré Basquete, tem uma equipe composta por sete jovens, oriundos de periferias. Um dos integrantes do grupo é o universitário Allan Elizeu. Após conquistar uma bolsa de estudos por ser atleta num colégio particular, ele decidiu ajudar seus amigos a construir o coletivo. Hoje é monitor e auxiliar de professor aplicando as aulas. Elizeu acredita que o futuro igualitário está nas mãos das novas gerações. “Eu vejo as crianças correndo atrás dos sonhos e o esporte sendo capacitador para ter uma identidade tanto racial quanto política, entendendo o contexto que essas crianças estão inseridas e como é difícil lidar com tudo isso. Entendo que o esporte é uma nova chance” diz esperançoso.

Nosso sonho não vai terminar

Com o lema “devolver para a sociedade o que o esporte me ofereceu”, o Jacaré Basquete desenvolve as atividades com o apoio de empresários locais como a Casas de Massa, que doa 30 lanches nos dias de oficinas. O grupo ainda realizou, no dia 21 de dezembro, o Papai Noel do Basquete, evento de confraternização natalina, para o qual conseguiram pares de tênis para as crianças da comunidade e elas se emocionaram muito.

Papai Noel do Basquete
Papai Noel do Basquete
Foto: Jacaré Basquete / Divulgação

Agora, seguem firmes no propósito de também conseguir materiais para abrir novas turmas de basquete. A falta de recursos para ampliar e manter o projeto segue sendo um fator complicador, especialmente quando há chuvas intensas na quadra, que ainda não tem cobertura. Ciente dessa realidade, as crianças escreveram cartas para o ‘Papai Noel do Basquete’, e uma delas chamou atenção, foi a do Marcos Paulo, 6 anos, que falou justamente sobre essa realidade: “quero agradecer aos professores porque eu gostei muito de tudo que aconteceu esse ano, pena que choveu. Mas se Deus quiser vai melhorar”.  

Carta do menino Marcos Paulo, 6 anos, número 37 no jogo, para o Papai Noel do Basquete
Carta do menino Marcos Paulo, 6 anos, número 37 no jogo, para o Papai Noel do Basquete
Foto: Jacaré Basquete - Divulgação

Na Constituição Federal, o artigo 217 determina ao Estado a implementação de práticas desportivas, formais ou informais. O educador físico Eduardo Sampaio, acredita que o investimento público é o caminho para quebrar barreiras. “Mesmo com o compromisso do país em promover a inclusão por meio do esporte, ainda temos muita carência nos investimentos - principalmente nas áreas periféricas - o que é prejudicial. Por mais que uma criança periférica não se torne um ídolo, o apoio é fundamental, o mais importante é criar os valores dentro de si”, afirma. 

Os benefícios da prática esportiva ultrapassam os resultados positivos, física e mentalmente. Pois o esporte agrega disciplina, ética, cooperação e ensina, na prática, que a coletividade é fundamental para formação integral das pessoas e da nação.  

Papai Noel do Basquete
Papai Noel do Basquete
Foto: Jacaré Basquete / Divulgação / ANF

 

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