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Férias de inverno livram atleta de SP que joga na Ucrânia

Vicente de Paula é lateral do VPK-Agro, veio ao Brasil durante férias do campeonato e acompanha com apreensão os conflitos no leste europeu

9 mar 2022 05h00
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Vicente de Paula é lateral do VPK-Agro
Vicente de Paula é lateral do VPK-Agro
Foto: Divulgação / VPK-Agro

Geograficamente distante dos recentes conflitos na Ucrânia, o jogador Vicente de Paula, de 26 anos, fez questão de tranquilizar amigos, familiares e seguidores logo no primeiro dia dos ataques russos ao país, por meio do seu perfil no Instagram. 

“Venho aqui informar que estou no Brasil e irei permanecer aqui, graças a Deus. Agradeço a todos que entraram em contato comigo e se preocuparam com o meu bem-estar”, escreveu.

Morador de Osasco, ele atua como lateral-direito no VPK-Agro, clube da segunda divisão do futebol ucraniano, e é um dos 44 jogadores brasileiros com contrato em times de lá. O jogador veio ao Brasil no final de 2021 por conta da pausa de inverno no campeonato e tem acompanhado com apreensão a situação da Ucrânia e dos colegas que ficaram no leste europeu.

“Tenho muitos amigos por lá, é claro que estou preocupado, estão todos desesperados pedindo ajuda. Alguns, graças a Deus, conseguiram fugir. É uma situação muito triste e difícil. Espero que todos fiquem em segurança", afirmou o jogador em entrevista à Agência Mural.

Alguns desses brasileiros estavam confinados num hotel em Kiev, capital da Ucrânia, junto com esposas e filhos desde o início do conflito. Júnior Moraes, atacante do Shakhtar Donetsk e naturalizado ucraniano, desembarcou no Brasil na última quinta-feira (3). Ele poderia ser convocado pelo Exército do país para se juntar aos combatentes.

Segundo Vicente, havia um clima de tensão já há algum tempo, mas ao mesmo tempo a sensação era de segurança. “Nosso dia a dia era normal, não tínhamos medo. Nos últimos meses, ficamos mais apreensivos, mas não eu imaginava que chegaria nesse ponto”, diz.

Ele conta que, conforme a possibilidade de um conflito foi se tornando mais real, os jogadores passaram a questionar como ficariam seus contratos. “Até agora não me passaram nada. É claro que gera dúvida, mas temos que ver como o país irá passar por essa situação”, afirma.

Os campeonatos de futebol estão suspensos e a Fifa, entidade máxima do futebol, ainda não tomou uma decisão a respeito dos jogadores estrangeiros que atuam na Ucrânia. O contato de Vicente com o VPK-Agro vai até o fim desta temporada, em junho.

Vicente é natural de São Paulo, mas cresceu na divisa com Osasco. Foi lá onde começou a jogar futebol profissionalmente nas categorias de base do Audax. O lateral chegou a ser emprestado para o futebol paraibano, mas voltou ao município paulista para a disputa da Copa Paulista e da Série D do Campeonato Brasileiro.

“Minha infância foi muito boa, joguei muita bola na rua. Desde pequeno jogava com gente mais velha, todo mundo falava que eu seria jogador. Minha mãe foi fundamental, se não fosse por ela eu não estaria onde estou. Sempre me deu suporte para conquistar meus objetivos”, conta o jogador.

A mãe do jogador faleceu enquanto ele estava no futebol da Albânia, em 2020. Na época, o clube não o deixou voltar ao Brasil para ficar perto dela, enquanto enfrentava um câncer no pâncreas. Vicente já havia passado pelo futebol ucraniano um ano antes. O VPK-Agro é o terceiro clube que ele defende no país.

Agência Mural
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