Snap reforça aposta em óculos inteligentes com nova unidade independente
A Snap criará uma subsidiária independente para seus óculos inteligentes de realidade aumentada, buscando atrair investimentos externos e desafiar sua maior concorrente, a Meta, no mercado de dispositivos vestíveis, que está em rápido crescimento.
O lançamento da unidade Specs, anunciado nesta quarta-feira, ocorre em um momento em que o sucesso dos óculos inteligentes Ray-Ban Meta posiciona o setor de óculos como um dos pioneiros na corrida por dispositivos movidos a inteligência artificial.
Mas os dispositivos vestíveis representam um investimento caro, que exige uma injeção maciça de capital em hardware, software e recursos de pesquisa e desenvolvimento, onde até mesmo pequenas interrupções na cadeia de suprimentos podem afetar as metas de produção.
No início deste mês, uma crise de abastecimento forçou a Meta a interromper a expansão internacional de seus óculos Ray-Ban Display e se concentrar em atender aos pedidos dos EUA.
Enquanto a Meta desenvolve seus óculos inteligentes com a Ray-Ban da EssilorLuxottica, a gigante de tecnologia rival Google firmou parceria com a Warby Parker.
Conhecida por seu aplicativo de mensagens Snapchat e filtros animados, a Snap tem investido cada vez mais em realidade aumentada (RA), que pode sobrepor efeitos digitais em fotos, vídeos e na visão que os usuários têm do ambiente ao seu redor em tempo real.
Os óculos inteligentes Specs contarão com um "sistema de inteligência" para antecipar as necessidades do usuário e auxiliá-lo em tarefas. As ações da Snap subiram mais de 2%.
A empresa afirmou que a nova unidade abrirá suas portas para investimentos minoritários e está recrutando ativamente para quase 100 vagas em todo o mundo, à medida que se aproxima do lançamento do produto.
A Snap investiu mais de US$3 bilhões ao longo de 11 anos para desenvolver seus óculos de realidade aumentada, afirmou o cofundador e presidente-executivo Evan Spiegel na Augmented World Expo do ano passado.
"O sucesso dependerá menos de inovações revolucionárias em hardware e mais da integração do ecossistema e do valor do software", disse Francisco Jeronimo, vice-presidente de pesquisa de dispositivos da empresa de pesquisa de mercado International Data Corporation (IDC).
No ano passado, a Meta dominou o mercado de óculos inteligentes com uma participação de 70% em unidades, seguida pela Xiaomi com 8,5% e a Huawei Technologies com 2,7%, de acordo com a IDC.