10 dicas para proteger suas informações na internet
Com o aumento de dados pessoais expostos na dark web, a proteção precisa ser prioridade
No Dia Internacional da Proteção de Dados, celebrado em 28 de janeiro, o Brasil enfrenta um cenário alarmante. Cerca de 300 milhões de registros pessoais de brasileiros já foram expostos na dark web, segundo levantamento da Proton por meio do Dark Web Observatory. O impacto financeiro acompanha essa escalada: de acordo com o relatório da IBM, o custo médio de uma violação de dados no país chegou a R$ 7,19 milhões.
O Brasil se consolidou como um dos mais avançados em digitalização financeira, mas também se tornou um dos territórios mais vulneráveis a ataques cibernéticos. O Pix registrou cerca de 313,3 milhões de transações em um único dia, em 5 de dezembro de 2025, com mais de 1,5 bilhão de chaves cadastradas. O Open Finance ultrapassou 143 milhões de consentimentos ativos e cerca de 70 milhões de contas conectadas.
"O Brasil passou a atrair mais atenção de grupos maliciosos à medida que avançou rapidamente na digitalização de serviços essenciais, como pagamentos, crédito e compartilhamento de dados. Esse movimento trouxe muitos ganhos, mas também criou desafios importantes em segurança da informação, que ainda evoluem em ritmos diferentes entre setores", afirma Fernando Corrêa, especialista em segurança cibernética, CEO e fundador da Security First.
Conforme o profissional, alguns fatores favorecem essa vulnerabilidade. "Fatores como grandes vazamentos de dados, a rápida expansão do Pix e do Open Finance, somados a níveis variados de maturidade em proteção de dados entre as empresas, ajudam a explicar algumas fragilidades do ecossistema digital brasileiro", avalia.
O cenário preocupante
Entre setembro de 2024 e fevereiro de 2025, cada instituição financeira brasileira sofreu, em média, 1.752 ciberataques por semana, segundo o Security Report 2025 da Check Point Software. O volume coloca o Brasil no topo do ranking global de ataques ao setor financeiro, acima da média mundial de 1.673 ataques semanais.
O setor financeiro registrou alta de 21,5% nas fraudes em 2025 na comparação com o ano anterior. A Serasa Experian estimou impedir que mais de R$ 70 bilhões chegassem às mãos de golpistas até o final de 2025.
No Brasil, os deepfakes cresceram 830% entre 2022 e 2023, segundo o Relatório de Fraude de Identidade da Sumsub, ocorrendo com frequência cinco vezes maior do que nos Estados Unidos. Fernando Corrêa afirma que esse avanço, embora claramente positivo para a eficiência do sistema financeiro, também contribuiu para ampliar a chamada 'superfície de ataque', um efeito esperado em ambientes cada vez mais digitais.
"Empresas de diferentes setores passaram a lidar diariamente com grandes volumes de dados sensíveis, que vão desde informações cadastrais até hábitos de consumo e preferências pessoais. Quando ocorrem incidentes de segurança, os impactos tendem a se propagar com mais rapidez, favorecendo fraudes mais complexas. No setor financeiro, que opera com transações em tempo real e movimenta recursos diretamente, esses desafios exigem atenção contínua, já que os ataques costumam ser mais frequentes e direcionados", explica.
Protegendo informações pessoais na internet
Com ataques cada vez mais frequentes e tecnologias usadas para aplicar golpes mais convincentes, cuidar das próprias informações virou uma necessidade urgente. A boa notícia é que atitudes simples já fazem diferença na proteção dos dados. Confira algumas delas!
1. Trate seus dados como ativos valiosos
É fundamental que empresas e consumidores compreendam o valor dos dados que produzem e compartilham. "Nome, endereço, histórico financeiro e hábitos de consumo precisam ser tratados como ativos críticos, em conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD)", destaca o especialista em tecnologias financeiras e diretor de Negócios da Lina Open X, Murilo Rabusky.
2. Conheça seus direitos sob a LGPD
Em um ambiente cada vez mais digitalizado, os consumidores têm um papel vital na proteção das informações que compartilham. "É essencial conhecer seus direitos — como acesso, correção e exclusão de dados — e adotar boas práticas, verificando a legitimidade das empresas, utilizando canais seguros e compreendendo como e por que seus dados estão sendo utilizados", afirma Murilo Rabusky.
3. Desconfie de mensagens e contatos não solicitados
O setor financeiro registrou alta nas fraudes, impulsionadas principalmente por golpes envolvendo mensagens falsas e contatos não solicitados. Sempre verifique a autenticidade antes de fornecer qualquer informação ou clicar em links.
4. Utilize apenas empresas reconhecidas e regulamentadas
Escolha instituições que contam com estrutura robusta de segurança e prevenção a riscos. Verifique se a empresa está devidamente registrada e regulamentada pelos órgãos competentes.
5. Não compartilhe credenciais ou dados sensíveis
Casos como a invasão à C&M Software, que resultou no comprometimento de contas de reserva de pelo menos seis instituições financeiras por meio do uso indevido de credenciais internas, mostram a importância de nunca compartilhar senhas, tokens ou códigos de autenticação.
6. Mantenha-se atualizado sobre novas ameaças
Acompanhe notícias sobre segurança digital e esteja atento a novos tipos de golpes. "As táticas de fraude estão em constante evolução, com criminosos utilizando tecnologias cada vez mais avançadas para enganar sistemas e pessoas", explica o Martech Leader da Keyrus e especialista em tecnologia nos negócios, Lucas Monteiro.
7. Cuidado com deepfakes e conteúdos sintéticos
É importante tomar cuidado com os conteúdos consumidos na internet. "Casos como a imagem falsa do Papa Francisco com um casaco da Balenciaga ou vídeos fabricados de explosões no Pentágono mostram como conteúdos sintéticos podem impactar mercados financeiros e a opinião pública em questão de minutos", exemplifica o palestrante de Inteligência Artificial, especialista em dados, professor de MBA da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e autor do livro "Organizações Cognitivas: Alavancando o Poder da IA Generativa e dos Agentes Inteligentes", Kenneth Corrêa.
8. Verifique padrões de comunicação oficiais
Conheça os canais oficiais de comunicação do seu banco ou plataforma digital. Criminosos frequentemente se passam por instituições financeiras usando números de telefone, e-mails e sites falsos.
9. Exija transparência no uso dos seus dados
Quando um consumidor compartilha dados em um e-commerce ou programa de fidelidade, ele precisa ter segurança. Ao mesmo tempo, as empresas precisam desses dados para personalizar experiências. "O desafio está em criar um ambiente de confiança, com anonimização, consentimento claro e políticas robustas de segurança", pontua Lucas Monteiro.
10. Adote uma mentalidade de segurança contínua
A segurança das informações na internet é fundamental. "A transformação digital é irreversível e trouxe ganhos inegáveis para a economia brasileira. Mas, sem segurança, governança e responsabilidade no uso dos dados, o país continuará ampliando sua exposição. Proteger informações precisa se tornar um compromisso inegociável de empresas, governos e da própria sociedade", finaliza Fernando Corrêa, da Security First.
Segurança deve ser prioridade
Para o especialista em tecnologias financeiras e diretor de Negócios da Lina Open X, Murilo Rabusky, a exposição do Brasil não se explica apenas por falhas tecnológicas, mas também pela baixa consciência do usuário sobre o valor dos próprios dados.
A mensagem é clara: no Dia Internacional da Proteção de Dados, a segurança digital precisa deixar de ser vista como responsabilidade apenas de empresas e governos, e passar a ser uma prioridade de cada cidadão conectado.
Por Letícia Carvalho