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Na Groenlândia, não param de olhar para o céu como se fosse 1939: nos últimas dias, não param de chegar soldados

Ilha está passando pela etapa mais difícil: parar de pensar que a história acontece em outros lugares e aceitar que, de repente, o foco do mundo está nela

23 jan 2026 - 10h46
(atualizado às 13h31)
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Foto: Xataka

A Groenlândia viveu décadas imersa numa sensação de segurança, como se sua geografia e distância a protegessem de tudo, e essa certeza foi repentinamente quebrada: em questão de dias, a população passou de brincar que "nada acontece lá" para... falar seriamente sobre evacuação, sobre fuga preventiva para a Dinamarca, ou sobre o que acontecerá com seus filhos se um dia acordarem sendo "americanos".

Vivendo com medo

O jornal The Guardian publicou uma extensa reportagem afirmando que, atualmente, na ilha, a questão central é: como sobreviver psicologicamente quando uma ameaça militar deixa de ser ficção e se torna uma possibilidade concreta?

O impacto não é apenas político: insônia, ansiedade, nervosismo diário, perguntas que não são respondidas com discursos, mas com planos de emergência, e a sensação de que ninguém está preparado para algo inédito, porque a Groenlândia não tem memória histórica de invasões modernas e sua vida pública foi construída justamente sobre a ideia de que o mundo era distante.

Olhando para o céu como em 1939

A mídia britânica lembrou o paralelo. A imagem mais impactante deste momento é a vigilância civil transformada em rotina: moradores de Nuuk acompanhando voos por aplicativos, observando o porto e o céu como se esperassem uma tempestade que ainda não se dissipou, interpretando cada movimento como um presságio, assustando-se com um avião de transporte decolando de uma base próxima e temendo que seja o início do "inevitável".

Essa espera tem algo de 1939, ...

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