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Pesquisadores criam tinta que engole 99,9% da luz e abre caminho para veículos com aparência de ficção científica

criação de uma nova tinta preta superabsorvente por pesquisadores chineses tem sido descrita como algo que lembra cenários de ficção científica. Saiba mais!

19 jun 2026 - 17h32
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A criação de uma nova tinta preta superabsorvente por pesquisadores chineses tem sido descrita como algo que lembra cenários de ficção científica. Afinal, a ideia de um carro tão escuro que parece um recorte no espaço, sem reflexos, sem sombras e quase sem forma, costuma aparecer em filmes ou em ilustrações futuristas. Agora, esse tipo de efeito começa a ganhar contornos mais próximos da realidade industrial, especialmente no setor automotivo.

Durante anos, o material mais citado nesse contexto foi o Vantablack, composto por florestas de nanotubos de carbono capazes de absorver cerca de 99,965% da luz incidente. Apesar do desempenho impressionante, o Vantablack é caro, sensível ao toque e difícil de aplicar em superfícies comuns, como a carroceria de um automóvel. Por isso, o uso prático sempre ficou restrito a áreas muito específicas, como componentes ópticos e projetos artísticos controlados.

A criação de uma nova tinta preta superabsorvente por pesquisadores chineses tem sido descrita como algo que lembra cenários de ficção científica – depositphotos.com / AntonMatyukha
A criação de uma nova tinta preta superabsorvente por pesquisadores chineses tem sido descrita como algo que lembra cenários de ficção científica – depositphotos.com / AntonMatyukha
Foto: Giro 10

O que torna essa tinta preta superabsorvente diferente do Vantablack?

A nova tinta superpreta desenvolvida na China parte de um conceito semelhante de absorção extrema de luz, mas com uma formulação pensada para o uso cotidiano. Assim, em vez de nanotubos altamente organizados, os cientistas trabalharam com uma resina acrílica especial, semelhante às usadas em pinturas industriais, combinada com nanopartículas de carbono e óxidos metálicos. Ou seja, esses componentes formam uma estrutura irregular e porosa em escala microscópica, criando um ambiente ideal para prender a radiação luminosa.

Essa abordagem tem duas vantagens fundamentais: aproxima a tinta de processos já usados em linhas de pintura de carros e amplia a robustez mecânica, reduzindo a fragilidade vista em materiais como o Vantablack. Em vez de exigir câmaras especiais de deposição, a formulação foi desenvolvida para ser aplicada por técnicas comuns, como pistola de pintura ou revestimentos em spray controlado.

Como funciona a "armadilha de luz" nessa nova tinta preta superabsorvente?

O desempenho da tinta se baseia no conceito de armadilha de luz. A superfície não é lisa em escala microscópica; ao contrário, apresenta uma rede de microcavidades e canais irregulares. Quando um feixe de luz atinge essa camada, a radiação entra nessas cavidades e sofre múltiplas reflexões internas, perdendo energia a cada interação até ser praticamente toda convertida em calor.

Em termos simples, em vez de refletir a luz de volta ao observador, a tinta "segura" essa luz, impedindo que escape. Assim, a combinação da resina acrílica com nanopartículas de carbono, altamente absorventes, e óxidos metálicos ajusta a forma como a luz penetra e se espalha. Essa desordem controlada cria um caminho longo e tortuoso para os fótons, aumentando drasticamente a chance de absorção. O resultado visual é um preto profundo, que reduz reflexos a níveis mínimos.

Qual a diferença entre a tinta automotiva preta comum e essa tinta superpreta?

Em uma pintura automotiva preta tradicional, a absorção de luz costuma ficar na faixa de 90% a 95%. Isso já é suficiente para um visual escuro, mas ainda permite a formação de reflexos, brilhos, sombras e destaques que revelam o desenho da carroceria. Ondulações, vincos e curvas permanecem visíveis porque parte da luz retorna aos olhos de quem observa.

Na nova tinta superabsorvente, a absorção chega a cerca de 99,9%. À primeira vista, a diferença numérica pode parecer pequena, mas o impacto visual é marcante. Com tão pouca luz sendo refletida, a carroceria perde quase todos os indícios de volume. Faróis, rodas e vidros parecem flutuar ao redor de um corpo invisível, gerando um efeito descrito por alguns especialistas como um "buraco negro sobre rodas". Em ambientes iluminados, o carro aparenta ser um recorte escuro, sem detalhes, como se fosse uma silhueta sólida.

  • Tinta preta comum: 90%-95% de absorção, com reflexos e contornos ainda visíveis.
  • Tinta superpreta: até 99,9% de absorção, com quase nenhum reflexo aparente.

Essa diferença modifica completamente a percepção do design. Linhas trabalhadas de para-lama, dobras de capô ou relevos laterais perdem protagonismo, cedendo lugar a uma sensação de massa única, sem profundidade perceptível.

Quais os impactos dessa tinta no design e na indústria automotiva?

Para o design automotivo, a tinta superpreta abre espaço para novas formas de apresentação de protótipos e séries especiais. Estúdios de design podem usar o revestimento para testar como a ausência de reflexos afeta a leitura das formas e a interação com a iluminação urbana. Em lançamentos, o acabamento superescuro pode ser usado para criar contrastes entre partes da carroceria e elementos cromados, luminosos ou coloridos.

Na indústria automotiva, a composição baseada em resina acrílica tem potencial para se integrar a processos já consolidados. Entre as vantagens apontadas, destacam-se:

  • Aplicação industrial mais prática: uso de equipamentos de pintura semelhantes aos atuais, sem necessidade de estruturas altamente especializadas.
  • Maior durabilidade mecânica: resistência superior a riscos e toques em comparação com materiais superpretos mais frágeis.
  • Compatibilidade com camadas protetoras: possibilidade de combinar a tinta com vernizes transparentes ou revestimentos cerâmicos para aumentar a proteção.

Além da estética, existe interesse em usos técnicos, como redução de reflexos em sensores ópticos embutidos na carroceria, câmeras de assistência à condução e componentes internos que exigem controle de luz. Uma superfície ultranegra pode minimizar interferências ópticas nessas aplicações.

Na indústria automotiva, a composição baseada em resina acrílica tem potencial para se integrar a processos já consolidados – depositphotos.com / SashaKhalabuzar
Na indústria automotiva, a composição baseada em resina acrílica tem potencial para se integrar a processos já consolidados – depositphotos.com / SashaKhalabuzar
Foto: Giro 10

Quais são os principais desafios dessa tinta preta superabsorvente?

O ponto crítico mais discutido é o aumento da absorção de calor. Se quase toda a luz incidente é convertida em energia térmica, a temperatura da superfície tende a subir de forma significativa, especialmente sob sol intenso. Em um carro pintado com esse material, a lataria pode atingir valores elevados, exigindo atenção ao conforto térmico e à integridade de componentes sensíveis.

Para lidar com esse aspecto, engenheiros estudam estratégias complementares, como:

  1. Camadas internas refletivas: aplicação de revestimentos que reduzam a transferência de calor para o interior do veículo.
  2. Isolamento térmico adicional: reforço de mantas isolantes em áreas críticas da carroceria.
  3. Sistemas de climatização otimizados: ajustes em ar-condicionado e ventilação para compensar o aquecimento extra.

Outro desafio envolve regulamentações e segurança. Em algumas regiões, normas de trânsito e requisitos de visibilidade podem limitar o uso amplo de tintas extremamente escuras, principalmente à noite ou em ambientes com baixa iluminação. Questões de manutenção também entram na pauta, já que sujeira, poeira e pequenos danos podem se tornar mais perceptíveis em uma superfície que deveria parecer totalmente uniforme.

Mesmo com essas limitações, a nova tinta preta superabsorvente ilustra um movimento de aproximação entre materiais avançados e aplicações reais na indústria automotiva. À medida que soluções térmicas e regulatórias forem amadurecendo, a tendência é que esse tipo de revestimento saia do campo experimental e passe a integrar, de forma seletiva, o repertório de opções para carros, instalações artísticas, arquitetura e dispositivos que dependem de controle preciso da luz.

Giro 10
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