Script = https://s1.trrsf.com/update-1770314720/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE

Internet

Bloquear redes sociais até os 16 anos protege adolescentes? Entenda prós e contras

Medida adotada por países como Espanha e Austrália divide opiniões; no Brasil, nova lei responsabiliza plataformas

5 mar 2026 - 04h58
Compartilhar
Exibir comentários
Bloquear redes sociais até os 16 anos protege adolescentes? Entenda prós e contras
Bloquear redes sociais até os 16 anos protege adolescentes? Entenda prós e contras
Foto: Imagem ilustrativa/Freepik

A decisão de países como Austrália e Espanha de proibir o uso de redes sociais por menores de 16 anos reacendeu um debate no mundo todo sobre se bloquear o acesso é realmente eficaz para proteger crianças e adolescentes dos riscos do ambiente digital.

Enquanto os países optaram pelo banimento direto de menores em alguns sites e plataformas, o Brasil seguirá o caminho da regulamentação e responsabilização dos sites. Neste mês, entra em vigor o chamado ECA Digital, que não proíbe o uso das redes por menores de 16 anos, mas impõe regras mais rígidas às plataformas, como verificação de idade e vinculação de contas aos responsáveis.

Especialistas apontam que a discussão vai além de simplesmente permitir ou proibir, e que as plataformas devem estar melhor preparadas para todo tipo de público.

O que se ganha ao bloquear redes sociais?

Para a psicóloga Thais Rejane, o debate precisa considerar as características próprias da adolescência. “Penso que quando a gente fala em adolescência, a gente fala de um período em que o indivíduo tende a responder mais intensamente a qualquer reforçador imediato”, argumenta.

Ela explica que as redes sociais operam justamente com estímulos altamente reforçadores. “As curtidas, a aprovação social, são estímulos de alta variabilidade, de alta potência”. Segundo a especialista, a exposição constante pode afetar a capacidade de autocontrole. “A gente sabe que essa exposição a esse acesso pode dificultar o autocontrole desse adolescente.”

Do ponto de vista das políticas públicas digitais, Kelli Angelini Neves, assessora do NIC.br, destaca que o principal benefício do banimento é reduzir o contato precoce com ambientes considerados de alto risco.

“Essa proibição visa impedir o contato de crianças e adolescentes com ambientes de alto risco, porque é inegável que as redes sociais oferecem riscos para crianças e adolescentes". Ela detalha que esses riscos incluem exposição a conteúdos impróprios, cyberbullying, aliciamento, desafios violentos e pressão estética, além do impacto dos algoritmos que recomendam conteúdos progressivamente mais sensíveis.

Bloquear resolve ou só adia o problema?

Apesar dos possíveis benefícios, as duas especialistas consideram que a proibição isolada pode ter efeitos limitados. “Eu acredito que restringir o acesso pode reduzir essa exposição de uma maneira direta. Mas não vai ensinar o adolescente a lidar com habilidades de autorregulação”, afirma Thais.

Medida adotada por países como Espanha e Austrália divide opiniões; no Brasil, nova lei responsabiliza plataformas
Medida adotada por países como Espanha e Austrália divide opiniões; no Brasil, nova lei responsabiliza plataformas
Foto: Imagem ilustrativa/Freepik

Ela alerta ainda para um possível efeito rebote. “Essa privação desse acesso digital pode fazer com que o celular, as telas, a rede social sejam mais reforçador ainda". 

Kelli acredita que pode haver uma crescente na procura por locais menos seguros na internet. “É possível que, com a proibição, a gente acabe levando essas crianças e adolescentes a migrar para ambientes menos seguros". Segundo ela, a simples proibição pode empurrar jovens para plataformas menos transparentes, sem canais de denúncia ou mecanismos de proteção.

“Só o banimento não resolve se ele não vier com uma série de obrigações para os fornecedores de produtos e serviços para que implementem mecanismos de proteção", defende.

Impactos no desenvolvimento mental e social

Thais diz que há efeitos sobre a saúde mental, devido à exposição intensa às redes sociais e internet desde a infância. “Tem um impacto com relação a uma superestimulação cerebral. São muitos estímulos a todo tempo, de maneira demasiada, e o impacto neurológico com relação a essa exposição é grande, impacta na atenção”.

Além disso, há também impactos sociais e na rotina diária. A falta de maturidade de um menor de 16 anos pode ser crucial para essas mudanças de comportamento. Kelli complementa que os riscos já aparecem em casos concretos e ações judiciais no exterior.

“Esses ambientes de risco oferecem exposição a conteúdos inadequados, cyberbullying, que são aquelas interações danosas entre pares, aliciamentos, chantagem. Isso causa abalo à saúde mental de crianças e adolescentes”, pontua.

O que é o ECA Digital?

O ECA Digital é a atualização do Estatuto da Criança e do Adolescente voltada ao ambiente online. Diferentemente da Austrália e da Espanha, o Brasil não proibirá o uso de redes sociais por menores de 16 anos. A lei aposta em um modelo baseado em risco e responsabilidade das plataformas.

No Brasil, ECA Digital prevê regras para tornar internet mais segura para menores de idade
No Brasil, ECA Digital prevê regras para tornar internet mais segura para menores de idade
Foto: Imagem ilustrativa/Freepik

“O foco do ECA Digital não é a proibição, mas a implementação de obrigações, especialmente para fornecedores de produtos e serviços de tecnologia da informação para que eles implementem a segurança para o designer em seus produtos e serviços”, explica Kelli.

Isso significa que as empresas deverão adotar mecanismos de aferição de idade, impedir autodeclaração simples, vincular contas de menores aos responsáveis e restringir o acesso a conteúdos inadequados. “Quando você desenha o produto, ele já é pensado na proteção de crianças e adolescentes e salvaguardas de seus direitos”.

As plataformas que descumprirem as regras poderão sofrer sanções progressivas, que vão de advertência a multa e até bloqueio do serviço.

Debate está só começando

As especialistas apontam que o caminho mais eficaz vai além de apenas proibir o uso das redes sociais. “O ideal seria a gente pensar em estratégias que combinassem supervisão, educação, ensino de habilidade de autorregulação, que com certeza seria mais eficaz”, diz Thais.

Kelli reforça que a responsabilidade é compartilhada e tem vários fatores. “O ECA digital traz uma obrigação compartilhada e diz que as obrigações das empresas estão ali, mas continua e permanece a obrigação das famílias em acompanhar e monitorar seus filhos, do governo implementar políticas públicas e de toda a sociedade em garantir a proteção”, conclui.

Fonte: Portal Terra
Compartilhar
TAGS
Publicidade

Conheça nossos produtos

Seu Terra












Publicidade