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Pesquisadores descobrem "vírus vampiro" que se espalha atacando outros micróbios

Processo de replicação dos vírus ocorre, geralmente, de forma inversa, onde os vírus usam uns aos outros, e não se atacam.

8 nov 2023 - 10h55
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 imagem colorida do vírus de satélite recém-descoberto ligado ao seu vírus auxiliar
imagem colorida do vírus de satélite recém-descoberto ligado ao seu vírus auxiliar
Foto: Tagide de Carvalho

Uma descoberta inédita surpreendeu os pesquisadores da universidade de Maryland, nos Estados Unidos. Eles descobriram o chamado "vírus vampiro", que atacam outros vírus para se espalhar. Ninguém jamais tinha visto um vírus se ligar a outro vírus, até saírem os resultados de sequenciamento anômalos da equipe de cientistas.

O processo de replicação dos vírus, geralmente, ocorre de forma inversa, onde os vírus usam uns aos outros, e não se atacam.

"Sabe-se que alguns vírus, chamados satélites, dependem não apenas do organismo hospedeiro para completar seu ciclo de vida, mas também de outro vírus, conhecido como “auxiliar”, explicou Ivan Erill, professor de ciências biológicas", em comunicado da universidade.

 O vírus satélite precisa do ajudante para construir seu capsídeo, uma concha protetora que envolve o material genético do vírus, ou para ajudá-lo a replicar seu DNA. Estas relações virais exigem que o satélite e o ajudante estejam próximos um do outro, pelo menos temporariamente, mas não houve casos conhecidos de um satélite que realmente se ligasse a um auxiliar – até agora.

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Em um artigo publicado no Journal of the International Society of Microbial Ecology, uma equipe da UMBC e colegas da Universidade de Washington em St. Louis (WashU) descrevem a primeira observação de um bacteriófago satélite (um vírus que infecta células bacterianas) ligando-se a um bacteriófago auxiliar em seu “pescoço” – onde o capsídeo se junta à cauda do vírus.

Em imagens detalhadas de microscopia eletrônica tiradas por Tagide deCarvalho, diretora assistente da Faculdade de Ciências Naturais e Matemáticas, 80% dos vírus auxiliares tinham um satélite preso no pescoço. Erill, autor sênior do artigo, descreve-os como “marcas de mordida”.

“Quando vi, pensei: 'Não acredito nisso'”, diz deCarvalho. “Ninguém jamais viu um bacteriófago – ou qualquer outro vírus – se ligar a outro vírus.”

Pesquisadora Tagide deCarvalhoaproveitou o microscópio eletrônico de transmissão (TEM) para capturar imagens impressionantes do sistema de vírus auxiliares
Pesquisadora Tagide deCarvalhoaproveitou o microscópio eletrônico de transmissão (TEM) para capturar imagens impressionantes do sistema de vírus auxiliares
Foto: Marlayna Demond 11/UMBC

Após as observações iniciais, Elia Mascolo, estudante de pós-graduação do grupo de pesquisa de Erill e co-autor do artigo, analisou os genomas do satélite, ajudante e hospedeiro, o que revelou mais pistas sobre esta relação viral nunca vista.

 A maioria dos vírus satélites contém um gene que lhes permite integrar-se ao material genético da célula hospedeira após entrarem na célula. Isso permite que o satélite se reproduza sempre que um auxiliar entrar na célula a partir de então. A célula hospedeira também copia o DNA do satélite com o seu próprio DNA quando se divide.

A descoberta prepara o terreno para trabalhos futuros para descobrir como o vírus satélite se fixa e o quão comum é este fenômeno.

“É possível que muitos dos bacteriófagos que as pessoas pensavam estarem contaminados fossem, na verdade, sistemas auxiliares de satélite”, diz deCarvalho. “Portanto, agora, com este artigo, as pessoas poderão reconhecer mais desses sistemas", disse em comunicado. 

Fonte: Redação Byte
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