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Pesquisa

Europa é único continente com céu mais limpo em 30 anos

14 abr 2009 - 16h53
(atualizado às 16h59)
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A poluição atmosférica nociva à saúde humana aumenta em todos os continentes povoados exceto a Europa desde 1973, segundo um amplo levantamento. Os resultados se inserem em um longo debate sobre se os céus da Terra estão mais ou menos brilhantes, como isso afeta a quantidade de luz solar que chega à superfície do planeta e o que isso representa para a mudança climática.

Dois estudos publicados na Science em 2005 concluíram que uma tendência de enturvecimento global nos anos 1950 foi substituída por outra de aumento de brilho a partir de 1990. O provável efeito de toda essa radiação solar atingindo a superfície da Terra seria um aceleramento do aquecimento global.

Agora, um estudo publicado na Science conclui que, na verdade, os céus ficaram mais escuros sobre a maioria das áreas terrestres no período de 1973 e 2007. Só os céus europeus estão mais limpos do que eram há 30 anos; lá, a produção industrial diminuiu drasticamente após o colapso de governos comunistas por volta de 1990 e as regulações de qualidade do ar causaram grande impacto desde então. A qualidade do ar na América do Norte mudou muito pouco durante o período estudado.

Kaucun Wang, cientista atmosférico da Universidade de Maryland em College Park, e seus colegas basearam suas conclusões em medições de visibilidade, um bom indicador da poluição por aerossol, de 3.250 estações meteorológicas ao redor do mundo. Eles descobriram que a visibilidade teve tendência de queda durante o período, sendo que o escurecimento mais pronunciado aconteceu na Ásia Meridional e na América do Sul.

Vários tipos de aerossol contribuíram para a tendência, mas as partículas de sulfato e fuligem da queima de combustíveis fósseis são as principais responsáveis, descobriu a equipe.

"A maioria dos países já percebeu que a poluição atmosférica é um sério risco à saúde", afirma Wang. "Mas tentativas, como na China, de regular a qualidade do ar não se mostraram frutíferas."

Compreensão nebulosa

Questões importantes sobre o que esses resultados significam para a mudança climática persistem, porque fuligem e diferentes tipos de aerossóis podem afetar a formação de nuvens de várias maneiras.

Em certas circunstâncias, partículas de aerossol podem contribuir para a formação de nuvens, que ajudam a refletir os raios do sol de volta ao espaço e, assim, esfriar o planeta. Porém, aerossóis também podem reduzir a nebulosidade, como provavelmente acontece no norte da China. Isso significa que o efeito final da poluição de aerossol nas temperaturas globais é uma incerteza preocupante.

Outra complicação é que a fuligem da queima de biocombustíveis, vastamente usados na cozinha e para o aquecimento na Índia e na África, tende a absorver a luz solar ao invés de dispersá-la de volta ao espaço. Isso significa que ela aquece a troposfera da mesma forma que o dióxido de carbono e outros gases do efeito estufa.

Wang suspeita que o pouco conhecimento desses efeitos pode explicar por que estudos anteriores, que mediram a radiação vinda do sol ao invés da visibilidade, concluíram que os céus estavam mais claros sobre a maioria das áreas de superfície, inclusive a China.

"O debate do escurecimento global versus clareamento global não se limita à questão dos aerossóis", concorda Martin Wild, cientista atmosférico do Instituto Federal Suíço de Tecnologia em Zurique, que liderou um dos estudos na Science de 2005. "De fato, também é preciso considerar as nuvens."

Wang está otimista, porém, de que o ar da China possa ficar mais limpo em um futuro próximo - como ficou na Europa nos anos 1980 e antes na América do Norte -, se o carvão for substituído por petróleo e gás natural como fonte energética e se filtros de partículas em carros e fábricas se tornarem mais comuns.

Tradução: Amy Traduções

The New York Times
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