Durante a gravidez, a alimentação passa por diversos ajustes para proteger a saúde da gestante e do bebê. Entre os cuidados, um dos mais citados pelos profissionais de saúde é evitar o consumo de alguns peixes grandes, como o peixe-espada. Esse tipo de recomendação não está ligado ao sabor ou ao modo de preparo, mas principalmente à composição desse peixe e ao impacto que certas substâncias podem ter no desenvolvimento do feto.
O peixe-espada é um alimento nutritivo, fonte de proteínas e ômega-3, porém costuma concentrar níveis elevados de mercúrio, um metal pesado que pode atravessar a placenta. Por causa disso, muitas diretrizes atuais de alimentação na gestação indicam que mulheres grávidas limitem ou excluam o consumo desse peixe, preferindo opções com menor risco. Essa orientação busca reduzir a exposição do bebê a contaminantes que possam afetar o sistema nervoso em formação.
Peixe-espada na gravidez: qual é o principal risco?
A principal preocupação com o consumo de peixe-espada na gravidez está relacionada ao mercúrio, especialmente na forma de metilmercúrio. Peixes predadores de grande porte, como o peixe-espada, costumam acumular esse metal ao longo da cadeia alimentar. Quanto maior e mais longeva a espécie, maior tende a ser a quantidade armazenada em seus tecidos.
Durante a gestação, o mercúrio pode passar da corrente sanguínea materna para o bebê por meio da placenta. Essa substância tem afinidade pelo sistema nervoso central e, em níveis elevados, pode interferir na formação do cérebro e no desenvolvimento neurológico. Por esse motivo, o peixe-espada é frequentemente listado em guias alimentares como um dos peixes a serem evitados por gestantes, ao lado de outras espécies grandes e predadoras.
Por que mulheres grávidas devem evitar comer peixe-espada durante a gravidez?
A recomendação de evitar o peixe-espada durante a gravidez está ligada principalmente à proteção do desenvolvimento fetal. O organismo do bebê ainda não tem capacidade de eliminar o mercúrio com eficiência, o que favorece o acúmulo dessa substância. Estudos internacionais apontam que a exposição excessiva ao metilmercúrio pode estar associada a possíveis alterações em:
- Desenvolvimento cognitivo e de linguagem na infância;
- Coordenação motora e controle de movimentos;
- Atenção e memória em fases posteriores da vida;
- Formação adequada do sistema nervoso central.
Além do risco neurológico, a exposição elevada a metais pesados durante a gestação também é avaliada em pesquisas que analisam possíveis impactos no crescimento intrauterino. Por isso, órgãos de saúde em vários países indicam que mulheres grávidas, lactantes ou que planejam engravidar evitem peixes de alto teor de mercúrio, como o peixe-espada, priorizando alternativas com menor concentração desse metal.
Quais peixes são mais seguros na alimentação da gestante?
Apesar das restrições ao peixe-espada, o consumo de peixe em geral pode ser benéfico na gravidez, desde que sejam escolhidas espécies com baixo teor de mercúrio. O ômega-3 presente em muitos peixes está associado ao desenvolvimento visual e cerebral do bebê, o que torna importante selecionar opções mais seguras em vez de excluir totalmente esse grupo de alimentos.
Entre os peixes e frutos do mar geralmente considerados mais adequados para gestantes, em porções moderadas e bem cozidos, estão:
- Salmão (de origem confiável);
- Sardinha fresca ou enlatada;
- Tainha e outros peixes de médio porte;
- Tilápia e pescada;
- Camarão e outros frutos do mar de baixo teor de mercúrio, sempre bem cozidos.
De forma geral, recomenda-se que a gestante:
- Evite peixes grandes e predadores, como peixe-espada, tubarão e alguns tipos de cavala;
- Prefira peixes menores e de ciclo de vida mais curto, que tendem a acumular menos mercúrio;
- Consuma peixe de 1 a 2 vezes por semana, conforme orientação profissional;
- Opte por preparações bem cozidas, evitando peixe cru ou malpassado.
Como ajustar a dieta sem abrir mão dos benefícios do peixe?
Para manter uma alimentação equilibrada na gravidez, é possível substituir o peixe-espada por outras fontes de nutrientes semelhantes. O ômega-3, por exemplo, também pode ser obtido a partir de peixes de baixo teor de mercúrio, sementes (como linhaça e chia) e algumas oleaginosas. Em determinados casos, profissionais de saúde indicam suplementos específicos, sempre respeitando as necessidades individuais de cada gestante.
Uma estratégia comum é montar um cardápio variado com diferentes tipos de peixes mais seguros ao longo da semana, alternando preparações assadas, cozidas ou grelhadas. Esse cuidado permite aproveitar proteínas de boa qualidade, vitaminas e minerais presentes nos peixes, reduzindo a exposição ao mercúrio associada ao consumo do peixe-espada.
Assim, a orientação de evitar peixe-espada na gravidez não significa afastamento total dos frutos do mar, mas sim uma seleção mais criteriosa. Com acompanhamento profissional, é possível manter uma dieta rica em nutrientes, alinhada às recomendações atuais de segurança alimentar para gestantes e voltada à proteção do desenvolvimento saudável do bebê.