O Ozivy, primeira caneta de semaglutida fabricada no Brasil, começa a chegar às farmácias com preço inicial de R$ 452, mais acessível que o Ozempic. No entanto, exige rigor no armazenamento entre 2°C e 8°C, antes e depois do uso, para garantir a eficácia. O mercado deve se tornar mais competitivo. ❄️
O Ozivy, primeira caneta de semaglutida produzida no Brasil, começou a chegar às farmácias com a promessa de ampliar o acesso ao tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2. Fabricado pela EMS e aprovado pela Anvisa, o medicamento tem preço inicial de cerca de R$ 452, valor inferior ao cobrado pelo Ozempic, da Novo Nordisk.
No entanto, junto com a expectativa gerada pelo custo mais acessível, especialistas chamam atenção para um detalhe importante: o novo medicamento exige cuidados rigorosos de conservação, inclusive após a compra.
O que muda no armazenamento?
Diferentemente do Ozempic, que pode permanecer em temperatura ambiente abaixo de 30°C por até seis semanas após aberto, o Ozivy precisa ser mantido entre 2°C e 8°C antes e depois de iniciado o uso.
Segundo Ricardo Canteras, especialista em logística de cadeia fria e diretor Comercial e de Operações da Temp Log, esse cuidado é fundamental para preservar a eficácia da semaglutida.
"A cadeia fria é o conjunto de processos que garante que uma substância sensível à temperatura seja mantida dentro de condições específicas desde a saída da fábrica até o consumidor final. No caso de uma caneta como o Ozivy, cada etapa, do armazém à farmácia, do estabelecimento à casa do paciente, a faixa de 2°C a 8°C precisa ser respeitada."
O que acontece se a temperatura não for respeitada?
De acordo com o especialista, oscilações térmicas podem comprometer a qualidade do medicamento.
"Qualquer quebra nesse fluxo pode degradar a molécula de semaglutida, reduzir sua potência e, em situações graves, alterar a composição de forma imprevisível. Injetáveis desta categoria são intolerantes a improvisos no armazenamento."
Embora as grandes redes de farmácias possuam estrutura adequada para manter a cadeia de refrigeração, o cuidado passa a ser responsabilidade do paciente após a compra.
Atenção durante viagens e deslocamentos
O alerta se torna ainda mais relevante diante da expectativa de popularização do medicamento. A EMS estima distribuir cerca de 500 mil unidades na primeira etapa de abastecimento.
Para quem precisa transportar o produto, o especialista recomenda atenção especial.
"Em viagens, bolsas térmicas homologadas e equipamentos validados para manter a faixa correta de temperatura pelo tempo necessário são indispensáveis."
Ozivy não é um genérico do Ozempic
Apesar das comparações frequentes, o Ozivy não é classificado como genérico do Ozempic.
Segundo a Anvisa, o produto foi aprovado como um "medicamento novo". Embora utilize o mesmo princípio ativo e tenha mecanismo de ação semelhante ao do medicamento da Novo Nordisk, a fabricação ocorre por síntese química, diferente do processo biotecnológico utilizado no produto original.
Na prática, ambos atuam simulando o hormônio GLP-1, ajudando a aumentar a saciedade, retardar o esvaziamento gástrico e favorecer a perda de peso.
Mercado deve ficar mais competitivo
A chegada do Ozivy marca o início de uma nova fase no mercado brasileiro de medicamentos à base de semaglutida. Outras farmacêuticas nacionais já demonstraram interesse em lançar produtos semelhantes, que ainda aguardam avaliação regulatória.
Com a ampliação da oferta, especialistas reforçam que os cuidados com transporte e armazenamento devem ganhar ainda mais importância para garantir a segurança e a eficácia dos tratamentos.