Emoção da Copa pode afetar o coração? Porque torcedores podem correr mais riscos cardíacos durante os jogos

Especialista explica a relação entre as emoções e os problemas cardíacos

17 jun 2026 - 04h59
Infarto, coração
Infarto, coração
Foto: Engin Akyurt/Unsplash

Gols nos acréscimos, disputas de pênaltis e partidas decisivas fazem parte da emoção da Copa do Mundo. Mas toda essa tensão também provoca reações no organismo. Durante os jogos, é comum que o coração acelere, a pressão arterial aumente e o corpo entre em estado de alerta por causa da liberação de hormônios como adrenalina e cortisol.

Para pessoas que possuem doenças cardiovasculares, muitas vezes ainda não diagnosticadas, momentos de forte emoção podem funcionar como gatilhos para arritmias cardíacas, crises hipertensivas e até infartos.

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Segundo o cardiologista Cristiano Faria Pisani, especialista em eletrofisiologia e presidente da Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas (Sobrac), existe uma relação conhecida entre o estresse emocional e o surgimento de problemas cardíacos.

"Quando a pessoa está vivendo uma situação de muita tensão, como costuma acontecer durante os jogos da Copa, o organismo libera adrenalina. Essa substância funciona como um estímulo para o coração e pode fazer com que focos elétricos predispostos disparem. Em quem tem alguma doença cardíaca, mesmo sem diagnóstico, isso pode desencadear arritmias e outras complicações", explica o cardiologista.

A emoção da Copa pode ser um gatilho

A Copa do Mundo mobiliza milhões de pessoas e costuma provocar níveis de ansiedade e expectativa superiores aos de uma partida comum. Segundo Cristiano Faria, é justamente essa combinação de emoção intensa e predisposição cardiovascular que ajuda a explicar por que eventos cardíacos podem ocorrer durante grandes competições esportivas.

"Quem não tem nenhum problema cardíaco geralmente apresenta baixo risco. Mas quem possui alguma condição cardiovascular e não sabe pode ser mais vulnerável. A adrenalina acaba funcionando como um gatilho para situações que já estavam prestes a acontecer", afirma.

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O especialista explica que a adrenalina estimula o coração a trabalhar mais rapidamente e pode desencadear alterações no ritmo cardíaco em pessoas predispostas. Em muitos casos, o indivíduo sequer sabe que possui uma doença cardiovascular. Por isso, quando acontece um episódio grave durante um jogo, a emoção costuma ser vista como a causa principal, quando na verdade ela apenas desencadeou um problema que já existia.

Cristiano destaca que os jogos decisivos costumam ser os momentos de maior preocupação. Isso porque a tensão emocional é mais intensa e se prolonga durante toda a partida, especialmente em confrontos eliminatórios, disputas de pênaltis ou jogos que envolvem grande expectativa da torcida.

Caso recente reacendeu o alerta

Recentemente, um torcedor sofreu um infarto após comparecer a uma partida da Copa do Mundo de 2026. Cristiano explica que situações de estresse podem aumentar a demanda de oxigênio pelo coração e favorecer complicações em pessoas que já apresentam obstruções nas artérias coronárias.

"O infarto acontece quando existe uma obstrução em uma das artérias que irrigam o coração. Em situações de estresse, o coração passa a consumir mais oxigênio. Se a pessoa já possui uma obstrução ou placas instáveis nas artérias, o risco pode aumentar", explica Pisani.

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Segundo o cardiologista, além de aumentar o consumo de oxigênio pelo coração, o estresse intenso também pode contribuir para o rompimento de placas presentes nas artérias coronárias. Quando isso acontece, a obstrução pode se tornar mais grave e favorecer a ocorrência de um infarto.

O cardiologista ressalta ainda que infarto e parada cardíaca não são a mesma coisa. Enquanto o infarto ocorre por uma interrupção do fluxo sanguíneo para o músculo cardíaco, a parada cardíaca acontece quando o coração deixa de bombear sangue adequadamente, podendo ter diferentes causas, incluindo algumas arritmias graves e até mesmo um infarto.

Muitas vezes, os dois termos são confundidos pela população. No entanto, a diferença é importante porque os sinais, as causas e o atendimento podem variar de acordo com cada situação. Em ambos os casos, a rapidez no socorro é fundamental para aumentar as chances de sobrevivência e reduzir sequelas.

Calor e álcool podem agravar o cenário

Além da tensão emocional, outro fator preocupa especialistas nesta Copa do Mundo: as altas temperaturas registradas em diversas cidades dos Estados Unidos. Segundo Cristiano, o calor excessivo favorece a desidratação e aumenta o esforço realizado pelo organismo para manter a temperatura corporal.

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"O coração acelera mais e trabalha mais. Quando isso se soma ao calor, à adrenalina e ao consumo de álcool, cria-se um cenário que pode favorecer complicações cardiovasculares em pessoas predispostas", afirma.

O especialista também chama atenção para as altas temperaturas registradas em algumas cidades que sediam a Copa do Mundo. Em determinados locais, os termômetros ultrapassam os 30°C, expondo os torcedores ao calor intenso durante o deslocamento até os estádios e nas horas de permanência ao ar livre.

“A desidratação causada pelo calor pode sobrecarregar ainda mais o sistema cardiovascular. Quando o organismo perde líquidos, o coração precisa fazer um esforço maior para manter a circulação sanguínea adequada. Em pessoas saudáveis, essa adaptação costuma ocorrer sem problemas. Já em indivíduos com doenças cardíacas ou fatores de risco, a situação pode se tornar mais delicada”, destaca.

O consumo excessivo de bebidas alcoólicas, comum durante as comemorações esportivas, também pode atuar como gatilho para algumas arritmias cardíacas. Segundo Cristiano, o álcool frequentemente se soma a outros fatores presentes durante a Copa, como estresse, calor, alterações na rotina e poucas horas de descanso.

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"Na Copa do Mundo, as pessoas costumam se divertir mais, beber mais e viver emoções muito intensas. Tudo isso acaba contribuindo para aumentar o risco em quem já possui alguma predisposição", alerta.

Atenção aos sinais do corpo

Embora idosos tenham maior probabilidade de apresentar doenças cardiovasculares, o especialista destaca que pessoas mais jovens também podem estar em risco caso possuam algum problema cardíaco ainda não identificado.

Dor no peito, palpitações frequentes, sensação de coração descompassado, tonturas, desmaios e falta de ar são alguns dos sinais que merecem avaliação médica.

"Geralmente o organismo dá sinais antes de algo mais grave acontecer. Não costuma ser algo totalmente inesperado. Muitas vezes a pessoa já vinha apresentando sintomas e não procurou atendimento", alerta.

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Segundo Cristiano, mais importante do que a idade é saber se existe alguma doença cardiovascular em andamento. Uma pessoa de 40 ou 45 anos, por exemplo, pode ter uma condição cardíaca sem diagnóstico e correr mais riscos do que um idoso que realiza acompanhamento médico regularmente e mantém os exames em dia.

Por isso, o cardiologista reforça a importância da prevenção. Hábitos saudáveis, alimentação equilibrada, controle do peso, prática regular de atividades físicas e abandono do cigarro continuam sendo medidas fundamentais para reduzir o risco de doenças cardiovasculares.

Além disso, qualquer sintoma persistente deve ser investigado. "Se a pessoa sente dor no peito, palpitação ou percebe que o coração está batendo de forma diferente, é importante procurar avaliação médica. Saber que está tudo em ordem traz mais segurança e ajuda a prevenir situações graves", afirma.

O que fazer em caso de emergência?

Se uma pessoa apresentar dor intensa no peito durante ou após uma partida, a recomendação é procurar atendimento médico imediatamente.

Segundo o especialista, muitas pessoas optam por esperar o jogo terminar ou acreditam que o desconforto irá passar sozinho. No entanto, adiar a busca por ajuda pode aumentar o risco de complicações.

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Já em casos de desmaio ou suspeita de parada cardíaca, a orientação é acionar o SAMU o mais rápido possível. Se houver alguém treinado em suporte básico de vida, a massagem cardíaca deve ser iniciada enquanto o socorro especializado não chega.

"Quanto mais rápido o atendimento, maiores são as chances de sobrevivência. Em muitos casos, o uso precoce do desfibrilador pode salvar vidas", afirma o cardiologista.

Fonte: Portal Terra
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