A ansiedade enfrentada por jogadores na Copa do Mundo também afeta o desempenho no ambiente corporativo. Segundo o psiquiatra Dr. Daniel Sócrates, excesso de pressão prejudica funções cognitivas e aumenta o estresse. Ele destaca a importância de treinar a mente, valorizar o descanso e combater a hiperconectividade para melhorar a produtividade. ⚽💼
Entenda o que a pressão relatada pelos jogadores na estreia da Copa do mundo ensina sobre o desempenho no trabalho
A ansiedade diante da pressão relatada pelos jogadores na estreia da Copa do Mundo não acontece apenas com atletas. Segundo o psiquiatra corporativo Dr. Daniel Sócrates, o cérebro não diferencia completamente o jogo da Copa do Mundo de uma reunião decisiva, de uma apresentação para a diretoria ou de uma negociação importante. "Quando a pessoa percebe que está sendo avaliada e que o resultado daquela situação pode trazer consequências relevantes para sua carreira, o organismo ativa mecanismos de sobrevivência. O problema é que, em excesso, essa resposta prejudica justamente as funções cognitivas que mais precisamos naquele momento, como raciocínio, memória, criatividade e tomada de decisão", explica.
O médico afirma que a ansiedade é uma resposta natural do organismo, mas se transforma em problema quando se torna intensa e persistente. "Uma dose moderada de tensão pode melhorar o desempenho já que o cérebro fica mais atento e preparado para agir. Porém, quando a pressão ultrapassa a capacidade de adaptação, surge o efeito contrário: dificuldade de concentração, bloqueios mentais, insegurança e até erros em tarefas simples."
Mesma ansiedade e pressão do campo é vista dentro do escritório
Se no futebol a pressão vem da torcida, da imprensa e dos resultados, nas empresas ela pode surgir de metas agressivas, indicadores constantes, reuniões de desempenho e da sensação de que é preciso estar disponível o tempo todo.
Para Daniel Sócrates, a hiperconectividade agravou esse cenário.
"Hoje muitas pessoas vivem em estado permanente de alerta. As notificações chegam a qualquer hora, as mensagens ultrapassam o expediente e existe a sensação de que é preciso responder rapidamente para demonstrar comprometimento. O cérebro perde a oportunidade de se recuperar."
Esse estado contínuo de vigilância pode gerar aumento dos níveis de cortisol, hormônio associado ao estresse, além de comprometer a qualidade do sono, a capacidade de foco e a produtividade ao longo do tempo.
O que o mundo corporativo pode aprender com os jogadores
O emocional sob pressão afeta a performance
Uma das diferenças entre o esporte de alto rendimento e o mundo corporativo está na preparação emocional. Atletas treinam não apenas habilidades técnicas, mas também estratégias para lidar com pressão, frustração e adversidades.
"Nos esportes, ninguém espera que o atleta simplesmente suporte a pressão. Existe treinamento mental. No trabalho, muitas vezes ainda se acredita que resiliência é algo que a pessoa precisa desenvolver sozinha", afirma Daniel Sócrates.
Desempenho depende de descanso
Outro aprendizado importante do esporte é compreender que desempenho não depende apenas de esforço, mas também de recuperação.
"No alto rendimento, descanso é parte do treinamento. No ambiente corporativo, ainda existe a falsa ideia de que produtividade significa estar disponível o tempo inteiro. Mas o cérebro não funciona dessa forma. Sem recuperação, a tendência é o aumento do estresse, da ansiedade, do presenteísmo e do risco de burnout", finaliza o especialista.