O câncer de mama triplo-negativo é um tipo específico de tumor mamário. Esse subtipo chama a atenção por ser mais agressivo e exigir tratamentos diferentes dos mais conhecidos. Recentemente, médicos diagnosticaram esse tipo de câncer na ex-governadora Roseana Sarney. Esse fato trouxe o termo para o debate público e gerou dúvidas sobre o que caracteriza exatamente essa doença. De forma geral, trata-se de um câncer que não apresenta três marcadores biológicos importantes. Essa ausência limita algumas opções de terapia.
No cotidiano, muitos casos de câncer de mama recebem tratamento com remédios que agem diretamente sobre hormônios ou sobre proteínas presentes nas células tumorais. No câncer de mama triplo-negativo, porém, essa estratégia não funciona. Esse tumor não expressa receptores de estrogênio, de progesterona nem a proteína HER2. Portanto, essa característica obriga a equipe médica a adotar outras estratégias terapêuticas, como quimioterapia e, em alguns casos, imunoterapia.
O que é o câncer de mama triplo-negativo?
O câncer de mama triplo-negativo é um subtipo de câncer de mama. Os médicos o definem pela ausência de três marcadores: receptores hormonais de estrogênio, receptores de progesterona e superexpressão da proteína HER2. Nos exames de anatomia patológica, esses receptores aparecem como negativos. Por esse motivo, o tumor recebe o nome de "triplo-negativo". Essa definição se relaciona ao perfil biológico do tumor, não ao tamanho da lesão.
Entre todos os casos de câncer de mama, especialistas estimam que o triplo-negativo represente cerca de 10% a 15% dos diagnósticos. Esse subtipo surge com mais frequência em pessoas mais jovens, geralmente na pré-menopausa. Além disso, ele pode se associar a alterações genéticas hereditárias, como mutações no gene BRCA1. Em comparação com outros subtipos, o tumor triplo-negativo costuma crescer mais rapidamente. Ele também apresenta maior risco de recidiva nos primeiros anos após o tratamento, especialmente entre o terceiro e o quinto ano.
Esse subtipo também aparece com mais frequência em alguns grupos populacionais específicos, como mulheres negras e portadoras de determinadas mutações genéticas. O comportamento mais agressivo não elimina, porém, as possibilidades de tratamento. O que muda envolve o tipo de abordagem que a equipe médica precisa adotar. Em geral, os médicos recorrem a esquemas de medicamentos mais intensivos e a um acompanhamento rigoroso.
Como o câncer de mama triplo-negativo é diagnosticado?
O diagnóstico do câncer de mama triplo-negativo começa de forma semelhante ao de outros tipos de câncer de mama. Na prática, o processo envolve exames de imagem, como mamografia e ultrassonografia, que identificam nódulos suspeitos. Para confirmar o tipo de tumor, o médico solicita uma biópsia. Nesse procedimento, o profissional retira um fragmento do tecido e o envia ao laboratório, onde o patologista analisa o material.
No laboratório, a equipe realiza testes chamados de imuno-histoquímica. Esses testes verificam a presença ou a ausência dos receptores de estrogênio, de progesterona e da proteína HER2. Quando todos eles aparecem como negativos, o laudo indica câncer de mama triplo-negativo. Além disso, o exame define o grau do tumor. Esse grau mostra o quanto as células se apresentam "desorganizadas" em relação ao tecido normal. Essa informação ajuda a estimar a agressividade.
Dependendo do caso, o médico solicita exames complementares, como ressonância magnética de mamas, tomografias ou cintilografias. Esses exames avaliam se a doença já se disseminou para outros órgãos. Em pessoas com histórico familiar importante, a equipe médica pode indicar testes genéticos. Esses testes buscam mutações como as dos genes BRCA1 e BRCA2, que aumentam o risco de câncer de mama triplo-negativo e de outros tumores.
Quais são os sintomas do câncer de mama triplo-negativo?
Os sinais do câncer de mama triplo-negativo, em geral, se assemelham aos de outros tipos de câncer de mama. O sintoma mais frequente é o aparecimento de um nódulo ou caroço na mama. Esse nódulo geralmente se apresenta endurecido e com bordas irregulares. Ele pode causar dor ou não. Em alguns casos, a pele da mama sofre alterações e fica retraída, avermelhada ou com aspecto semelhante à casca de laranja.
Outros sintomas possíveis incluem mudança no formato ou no tamanho da mama. Além disso, pode surgir saída de secreção pelo mamilo, que pode ser transparente, sanguinolenta ou apresentar outra cor. Em certos casos, o mamilo se retrai para dentro. Também podem surgir gânglios aumentados na região da axila. Esses sinais, isoladamente, não indicam que se trata de um câncer de mama triplo-negativo. No entanto, eles justificam investigação médica imediata.
É importante destacar que alguns tumores permanecem silenciosos nos estágios iniciais, sem provocar incômodos claros. Por isso, os exames de rastreamento, como a mamografia periódica, continuam exercendo papel central na detecção precoce do câncer de mama. Essa importância também vale para o subtipo triplo-negativo. A identificação em estágio inicial geralmente amplia as possibilidades terapêuticas e melhora as chances de controle da doença.
Tratamento do câncer de mama triplo-negativo
O tratamento do câncer de mama triplo-negativo depende do estágio da doença, das características do tumor e das condições clínicas da pessoa. Em muitos casos, a quimioterapia representa uma das principais armas terapêuticas. Os médicos podem indicá-la antes da cirurgia, em esquema neoadjuvante, para reduzir o tamanho do tumor. Também podem utilizá-la depois da cirurgia, em esquema adjuvante, para diminuir o risco de retorno da doença. A cirurgia pode ser conservadora, com retirada parcial da mama, ou envolver mastectomia. Essa decisão depende do tamanho do tumor e de outros fatores clínicos.
A radioterapia geralmente entra em cena após a cirurgia, especialmente quando o cirurgião preserva a mama ou quando o tumor apresentava maior tamanho ou comprometia linfonodos. Diferentemente de outros subtipos de câncer de mama, as terapias hormonais não mostram eficácia nesse contexto. A ausência dos receptores de estrogênio e progesterona explica essa limitação. Além disso, a terapia-alvo tradicional para HER2 também não se aplica ao triplo-negativo.
Nos últimos anos, a imunoterapia e novas drogas alvo-específicas passaram a integrar estudos e protocolos para alguns casos de câncer de mama triplo-negativo. Esse uso ocorre principalmente em estágios avançados ou em pacientes com mutações como BRCA. Em determinadas situações, médicos também utilizam inibidores de PARP para pessoas com mutações germinativas em BRCA. O acesso a esses tratamentos varia conforme a rede de saúde e as diretrizes vigentes. No entanto, a tendência aponta para ampliação gradual das opções terapêuticas, com esquemas que combinam quimioterapia, imunoterapia e terapias alvo-específicas.
Quais são os cuidados e o prognóstico?
O prognóstico do câncer de mama triplo-negativo varia conforme o estágio do diagnóstico, a resposta ao tratamento e a presença ou não de metástases. Em geral, esse subtipo apresenta maior risco de retorno nos primeiros anos após o tratamento. Por isso, a equipe recomenda acompanhamento mais próximo nesse período inicial. Por outro lado, quando o tumor responde bem à quimioterapia e o diagnóstico ocorre em fase inicial, as taxas de controle da doença podem atingir níveis significativos.
Após o tratamento, o seguimento inclui consultas periódicas, exames de imagem e avaliação clínica detalhada. A rotina pode envolver:
- Consultas regulares com mastologista ou oncologista;
- Mamografias e, quando indicado, outros exames complementares;
- Avaliação de possíveis efeitos tardios da quimioterapia e da radioterapia;
- Orientação sobre hábitos de vida saudáveis, como alimentação equilibrada e prática de atividade física, conforme liberação médica.
Em casos de histórico familiar relevante, o aconselhamento genético torna-se importante para a pessoa tratada e para seus familiares. Esse acompanhamento ajuda a definir estratégias de rastreamento e prevenção, como mamografia mais precoce ou ressonância de rotina em alguns perfis. A ampla divulgação de casos conhecidos, como o de Roseana Sarney, tende a aumentar a busca por informação e a atenção aos sinais do corpo. Dessa forma, mais pessoas chegam ao diagnóstico e ao tratamento em tempo oportuno, o que pode melhorar o desfecho clínico e a qualidade de vida.