Raul Jungmann, ex-deputado e ex-ministro (nos governos de Fernando Henrique Cardoso e de Michel Temer) morreu no domingo (18) por complicações de um câncer de pâncreas. No final do ano passado, ele já havia sido internado por conta da doença, que tem difícil detecção e comportamento agressivo.
O câncer de pâncreas, mesma doença que afetou a atriz Titina Medeiros, figura entre os cânceres mais letais no Brasil, ocupando a sétima posição, segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA). Para se ter uma ideia, atribui-se ao câncer de pâncreas 5% das mortes causadas por tumores, apesar de ser responsável por 1% dos diagnósticos da doença no país.
“O câncer de pâncreas é um tipo de neoplasia que acontece, como o próprio nome diz, no pâncreas, quando há uma replicação celular desordenada, gerando um tumor que pode se disseminar, se espalhar pelo corpo, o que é chamado de metástase”, explica o oncologista Dr. Ramon Andrade de Mello, do Centro Médico Paulista High Clinic Brazil (São Paulo), vice-presidente da Sociedade Brasileira de Cancerologia.
Segundo o especialista, os principais fatores de risco para o câncer de pâncreas são obesidade, tabagismo e, muitas vezes, aqueles pacientes que têm pancreatite crônica.
“É uma doença difícil de ser diagnosticada na fase precoce, por isso, o rastreio regular é fundamental, principalmente para pacientes com fatores de risco”, diz o médico.
Mas, quando surgem, os sintomas mais comuns apresentados pelos pacientes são dor abdominal, perda de peso, amarelidão na pele e nos olhos, o que a gente chama de icterícia, e vômitos. “Todos esses sinais podem sugerir a presença de um câncer de pâncreas”, ressalta.
De acordo com o Dr. Ramon, o diagnóstico geralmente é realizado a partir de uma tomografia que aponta a presença de uma massa no pâncreas que tem uma sugestão de malignidade. “Eventualmente, em alguns serviços, temos disponível também a ressonância magnética, que consegue visualizar melhor as estruturas dessa região”, acrescenta. “Mas o diagnóstico se confirma mesmo por meio da biópsia feita através de uma exame chamado CPRE, ou colangiopancreatografia retrógrada endoscópica (CPRE), que combina endoscopia e radiografia”, pontua o oncologista.
Uma vez diagnosticada a doença, o médico poderá recomendar o tratamento mais adequado para cada caso. “A partir dos exames, o profissional poderá definir se trata-se de uma doença operável ou não. Caso seja operável, a cirurgia pode ser indicada. Outra opção é a realização de quimioterapia seguida de cirurgia e, posteriormente, retornamos com a quimioterapia. Por sua vez, se a doença já estiver disseminada pelo organismo, a quimioterapia é usada isoladamente”, detalha o médico.
Infelizmente, trata-se de uma doença com prognóstico ruim, na maioria dos casos. “Especialmente na doença metastática, a sobrevida é curta, podendo variar, em média, de 6 a 11 meses de vida, dependendo do tipo de tratamento que é realizado. Mas, caso seja operável, o câncer de pâncreas apresenta um diagnóstico melhor”, finaliza o Dr. Ramon Andrade de Mello.