Roer as unhas, hábito conhecido como onicofagia, vai além da estética e traz sérios riscos à saúde, alerta o médico Fernando Lemos. A prática desgasta os dentes, altera a arcada dentária e rompe a proteção das pontas dos dedos, facilitando infecções locais. Além disso, o transporte de microrganismos para o corpo pode causar problemas digestivos, como disbiose, e respiratórios, a exemplo de faringite. Ligado ao estresse, o vício atinge até 30% dos jovens e pode exigir ajuda profissional para ser superado.
Roer as unhas costuma ser encarado como um hábito inofensivo ou apenas uma questão estética. Entretanto, levar os dedos repetidamente à boca pode trazer consequências que vão além da aparência das mãos. O comportamento tem até nome: onicofagia.
Segundo o médico Fernando Lemos, o contato constante entre unhas, boca e dentes aumenta o risco de diferentes problemas. "Sim, roer unhas é prejudicial à saúde. Esse hábito pode causar problemas bucais, digestivos, respiratórios e infecções", alertou em um vídeo publicado nas redes sociais.
1. Unhas e cutículas ficam mais vulneráveis
Um dos efeitos mais imediatos aparece justamente nas mãos, devido à maior exposição a bactérias e fungos. O especialista explicou que as unhas funcionam como uma barreira de proteção para as pontas dos dedos. Quando a pessoa as rói ou machuca a pele ao redor, portanto, pequenas lesões podem facilitar a entrada de microrganismos.
"Ferir as cutículas pode predispor a inúmeras infecções por causa das bactérias e dos vírus presentes nas mãos", esclareceu.
2. Os dentes também sofrem com o hábito
A pressão constante necessária para arrancar partes das unhas também recai sobre os dentes. Com o tempo, isso pode contribuir para desgaste do esmalte, sensibilidade e até pequenas rachaduras ou lascas. Ademais, segundo lemos, há o risco de desencadear alterações na posição da arcada dentária.
Por isso, mesmo que os sinais mais evidentes estejam nas mãos, a boca também merece atenção em quem mantém o hábito por longos períodos.
3. Microrganismos podem chegar ao sistema digestivo
Lemos ainda destacou outro risco associado à entrada de impurezas e microrganismos presentes nas mãos, que podem ser ingeridos durante o ato de roer as unhas. Segundo o médico, além de infecções locais, essa exposição pode causar problemas digestivos. Entre eles, cita a disbiose, caracterizada por um desequilíbrio da microbiota intestinal.
O especialista também relacionou o hábito à piora de sintomas gastrointestinais, como os associados ao refluxo. Por isso, a higiene das mãos não elimina completamente o problema, já que a repetição do comportamento mantém o contato frequente entre os dedos e a boca.
4. Vias respiratórias também entram no alerta
A preocupação não termina no aparelho digestivo. O médico aponta que microrganismos carregados pelas mãos também podem alcançar as vias respiratórias, aumentando o risco de infecções como amigdalite e faringite. Ambas podem causar sintomas como dor de garganta e dificuldade para engolir e, dependendo da causa e da gravidade, exigem avaliação médica.
Por que é tão difícil parar de roer as unhas?
Nem sempre abandonar o hábito depende apenas de força de vontade. Segundo o médico, cerca de 30% dos pré-adolescentes roem as unhas, assim como entre 15% e 18% dos adultos com mais de 30 anos. A onicofagia pode surgir como uma resposta automática a momentos de ansiedade, tensão ou estresse.
Portanto, observar quando surge a vontade de levar as mãos à boca pode ajudar a reconhecer possíveis gatilhos. Caso o comportamento seja persistente, provoque ferimentos ou esteja associado a sofrimento emocional, buscar orientação profissional pode ajudar a compreender sua origem e encontrar estratégias adequadas para controlá-lo.