A baixa reserva ovariana não equivale à infertilidade e não impede uma gravidez. Avaliada pelo hormônio antimülleriano e pela contagem de folículos antrais, ela mede apenas a quantidade de óvulos, e seus resultados podem sofrer interferência de contraceptivos hormonais. Para definir o potencial reprodutivo e orientar tratamentos, a análise desses exames deve considerar o contexto clínico e, principalmente, a idade da mulher, fator determinante para a qualidade dos óvulos e o sucesso da fecundação.
Especialista explica por que a baixa reserva ovariana não significa, sozinha, que engravidar seja impossível
Um resultado indicando baixa reserva ovariana pode gerar uma interpretação imediata e preocupante: a ideia de que engravidar seria impossível. Mas reserva ovariana e infertilidade não são conceitos equivalentes. A interpretação dos exames precisa considerar outros fatores, especialmente a idade da mulher e sua história reprodutiva.
A reserva ovariana está relacionada à quantidade de óvulos disponíveis nos ovários em determinado momento. Para avaliá-la, dois exames são especialmente utilizados: o hormônio antimülleriano (AMH), medido por meio de exame de sangue, e a contagem de folículos antrais, realizada por ultrassonografia.
Segundo Maria do Carmo Borges de Souza, diretora médica da FERTIPRAXIS, os dois exames fornecem informações complementares sobre a reserva ovariana. O AMH oferece uma estimativa relacionada à quantidade de folículos disponíveis, enquanto a contagem de folículos antrais verifica, no início do ciclo menstrual, a quantidade de pequenos folículos presentes nos ovários.
O resultado de um exame não deve ser interpretado isoladamente
Existe, porém, um aspecto importante nessa avaliação. O uso de anticoncepcionais, DIU hormonal ou implantes pode interferir nos níveis de AMH e, em algumas situações, levar a valores subestimados.
Por isso, um resultado isolado de AMH não deve ser interpretado automaticamente como diagnóstico de baixa reserva ovariana. A análise precisa considerar o contexto clínico e reprodutivo de cada mulher.
"A avaliação da reserva ovariana pode ser muito útil no planejamento reprodutivo. Ela contribui para estimar a resposta aos medicamentos utilizados para estimulação ovariana e para individualizar estratégias em situações como preservação da fertilidade ou fertilização in vitro", explica Maria do Carmo, que também é membro do Conselho Consultivo da Associação Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA) e da Rede Latino-Americana de Reprodução Assistida (REDLARA), da qual já foi presidente.
Reserva ovariana e infertilidade não são a mesma coisa
A reserva ovariana diz respeito, principalmente, à quantidade de óvulos disponíveis. Já a capacidade reprodutiva envolve outros fatores. Entre eles, a idade da mulher tem papel central, porque o envelhecimento também está relacionado a alterações na qualidade dos óvulos e ao potencial de fecundação.
"Uma reserva ovariana menor não significa que não existam óvulos ou que uma gravidez seja impossível. O resultado precisa ser interpretado dentro do contexto da idade e da história reprodutiva de cada mulher", explica a especialista.
Na prática, isso significa que um exame pode fornecer uma informação importante sem, sozinho, definir a possibilidade ou impossibilidade de uma gravidez.