Após acordo bilionário nos EUA, a Meta limitará o tempo de uso de menores para combater o vício gerado pelo design das redes, como a rolagem infinita. No Brasil, o ECA Digital também impõe restrições para conter o uso excessivo e proteger dados de jovens. Especialistas ressaltam que as regras legais são essenciais, mas insuficientes: tanto jovens quanto adultos precisam adotar limites conscientes para recuperar o controle da própria atenção diante das telas.
O uso das redes sociais por crianças e adolescentes voltou ao centro do debate depois que a Meta fechou, nos Estados Unidos, um acordo que pode chegar a US$ 17,1 bilhões. A empresa, dona do Instagram e do Facebook, concordou com mudanças voltadas à segurança de usuários menores de idade após processos que questionaram recursos de suas plataformas. A discussão também ganhou espaço em um vídeo publicado por Lúcia Barros. Ela refletiu sobre como as redes são construídas e questionou até que ponto determinadas ferramentas incentivam o uso prolongado, especialmente entre os mais jovens.
O que muda para adolescentes?
O acordo prevê um limite padrão de duas horas diárias para adolescentes no Facebook e no Instagram. Além disso, a restrição de uso durante a madrugada também será implementada. A Meta também deverá implementar alertas de utilização e outras medidas destinadas a estimular um uso mais consciente das plataformas. Além disso, o acordo pressente mudanças na experiência oferecida aos adolescentes, como a possibilidade de optar por um feed não personalizado. Dessa forma, as medidas devem ser implementadas gradualmente e têm duração prevista de dez anos.
O problema está no celular ou na forma como ele funciona?
Essa foi uma das principais questões levantadas por Lúcia. Na avaliação apresentada no vídeo, a tecnologia não seria necessariamente o problema. Porém, determinadas escolhas feitas no desenvolvimento das plataformas poderiam estimular o vício diante das telas. A rolagem infinita é um exemplo. Sem um ponto natural de encerramento, o usuário consegue continuar consumindo publicações sem precisar tomar uma nova decisão a cada conteúdo. Esse tipo de mecanismo pode dificultar a interrupção voluntária do uso.
Brasil já possui regras semelhantes
A discussão não ficou apenas nos Estados Unidos. No Brasil, o Estatuto Digital da Criança e do Adolescente, conhecido como ECA Digital, entrou em vigor em 17 de março de 2026, estabelecendo novas obrigações para empresas que oferecem serviços digitais. Além disso, entre as medidas previstas estão mecanismos voltados à redução do uso excessivo, incluindo restrições a recursos como reprodução automática de mídia, recompensas associadas ao tempo de uso e notificações capazes de prolongar a permanência nas plataformas. Assim, a legislação também estabelece regras relacionadas à proteção de dados, verificação de idade, supervisão parental e publicidade direcionada ao público infantil e adolescente.
E os adultos nessa história?
Embora o debate tenha como foco principal crianças e adolescentes, Lúcia também chamou atenção para a relação dos adultos com as redes sociais. Segundo a reflexão apresentada por ela, o usuário precisa estabelecer limites e usar as plataformas de maneira intencional. Isso inclui selecionar quem acompanhar, definir horários para o uso e perceber quando a navegação deixou de ter uma finalidade específica. Afinal, o mesmo espaço digital que oferece informação e entretenimento também pode se transformar em uma fonte constante de distração.
Atenção virou um recurso disputado
A reflexão de Lúcia termina com uma ideia central: controlar o próprio tempo de tela significa recuperar parte da capacidade de decidir onde colocar a atenção. Nesse cenário, as novas leis representam apenas uma parte da discussão. Enquanto empresas e governos criam novas regras para proteger usuários mais jovens, as famílias e adultos também precisam desenvolver uma relação mais consciente com as redes sociais. Além disso, a questão, portanto, é entender como a tecnologia pode ser benéfica e aprender a utilizá-la sem deixar que cada nova rolagem determine quanto tempo passamos diante da tela.