Valentino Garavani morreu nesta segunda-feira, 19, aos 93 anos, em sua casa, em Roma. A informação foi confirmada pela Fondazione Valentino Garavani e Giancarlo Giammetti, seu parceiro de vida e de negócios por décadas. Com ele, se despede não apenas um criador de roupas, mas um dos últimos grandes arquitetos do glamour do século 20 - um homem que vestiu rainhas, primeiras-damas, atrizes e mulheres que queriam se sentir, acima de tudo, extraordinárias.
Fundador da maison Valentino em 1959, Garavani construiu uma carreira que atravessou gerações sem perder a identidade. Em um mundo em constante mudança, ele manteve fidelidade a uma ideia muito clara de beleza. "Eu sempre busco a beleza, beleza", disse certa vez. E foi exatamente isso que entregou ao longo de mais de quatro décadas à frente da marca.
O estilista das mulheres inesquecíveis
Valentino nunca se interessou por correr atrás de tendências. Seu foco era outro: criar peças que valorizassem a mulher, seu corpo e sua presença. "É muito, muito simples", afirmou ao The New York Times. "Eu tento fazer minhas garotas parecerem sensacionais."
E elas pareceram. Jacqueline Kennedy escolheu Valentino para o vestido de renda usado em seu casamento com Aristóteles Onassis, em 1968. Elizabeth Taylor desfilou criações do estilista em estreias históricas. Julia Roberts subiu ao palco do Oscar, em 2001, vestindo um modelo preto e branco vintage da marca. Cate Blanchett, Audrey Hepburn, Sophia Loren e tantas outras fizeram parte do seleto grupo conhecido como as "Garotas de Val".
Mais do que vestir celebridades, Valentino ajudou a consolidar o tapete vermelho como espaço simbólico da moda de luxo, transformando vestidos em narrativas visuais que atravessam décadas.
O vermelho que virou assinatura
Se houve uma coleção que marcou definitivamente sua trajetória, foi a All White, apresentada em 1968. Mas, apesar do impacto dos brancos impecáveis, o nome Valentino será para sempre associado a uma cor específica: o vermelho.
O chamado Valentino red não era apenas um tom, mas uma declaração. Vibrante, intenso e elegante, evocava paixão, desejo, tradição e poder. "Tudo é feito para atrair, seduzir, encantar", dizia o estilista. E esse vermelho se tornou um dos códigos mais reconhecíveis da história da moda.
Entre Paris e Roma, nasce um império
Nascido em Voghera, no norte da Itália, em 11 de maio de 1932, Valentino decidiu ainda jovem que seguiria carreira na moda. Estudou em Milão e depois em Paris, onde passou pela École des Beaux-Arts e pela Chambre Syndicale de la Couture Parisienne. Trabalhou com Jean Dessès e Guy Laroche antes de retornar à Itália e fundar sua própria maison, em Roma.
Foi ao lado de Giancarlo Giammetti que Valentino construiu não apenas uma grife, mas uma marca global. Juntos, ajudaram a inserir a moda italiana no circuito internacional da alta-costura, abrindo caminho para nomes como Armani e Versace. A dupla também foi pioneira ao transformar a Valentino em uma potência de licenciamento e em uma das primeiras marcas de moda listadas na bolsa de valores de Milão.
A elegância como forma de viver
Valentino não apenas criava luxo. Ele vivia o luxo que idealizava. Sempre impecável, de ternos bem cortados, bronzeado característico e cercado por seus inseparáveis pugs, tornou-se ele próprio uma figura mítica da moda. Mesmo após se aposentar oficialmente em 2008, o estilista seguiu presente. Frequentava desfiles, aplaudia emocionado as novas coleções e compartilhava momentos de sua vida entre Roma, Paris e sua propriedade francesa. O documentário Valentino: O Último Imperador eternizou essa fase final da carreira e ajudou a consolidar sua imagem como um ícone absoluto.
Um legado que atravessa o tempo
Valentino Garavani acreditava na beleza como valor essencial. Em um mundo cada vez mais acelerado, sua moda lembrava que elegância, cuidado e refinamento não precisam ser apressados. Seus vestidos falavam de sonho, mas também de técnica, disciplina e respeito à tradição. Com sua morte, a moda perde um de seus últimos grandes mestres clássicos. Mas seu legado permanece vivo em cada laço, em cada drapeado, em cada vestido vermelho que continua a atravessar gerações.