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Entenda como as canetas emagrecedoras afetam a digestão

Gastroenterologista do Hospital IGESP explica como os medicamentos podem retardar o esvaziamento gástrico e provocar sintomas adversos

8 set 2026 - 17h59
Resumo
Com a crescente popularidade das canetas emagrecedoras (análogos de GLP-1), aumentam os alertas sobre seus efeitos gastrointestinais. Ao retardar o esvaziamento do estômago para prolongar a saciedade, esses remédios alteram a motilidade digestiva e costumam causar náuseas, estufamento, refluxo, arrotos, vômitos e alterações intestinais. A digestão mais lenta também pode interferir na absorção de medicamentos orais, exigindo acompanhamento médico para monitorar os sintomas e ajustar as doses.

Canetas emagrecedoras podem alterar o ritmo da digestão; entenda os efeitos

O uso de medicamentos análogos de GLP-1, popularmente conhecidos como canetas emagrecedoras, cresce no Brasil. É isso o que aponta a pesquisa do Instituto Locomotiva. A análise diz que 33% dos domicílios brasileiros tinham, em fevereiro de 2026, pelo menos um morador que usava ou já havia usado esses medicamentos.

Foto: Revista Malu

Com a expansão do uso, também ganha relevância a compreensão dos efeitos dessas terapias no organismo, especialmente no sistema gastrointestinal. Estudos clínicos apontam que manifestações gastrointestinais estão entre os eventos adversos mais frequentes associados a essa classe de medicamentos.

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Relação: canetas emagrecedoras e digestão

De acordo com Ricardo Viebig, gastroenterologista, os efeitos gastrointestinais estão relacionados, entre outros fatores, à ação dos medicamentos sobre a motilidade digestiva. "Os análogos de GLP-1 contribuem para aumentar a sensação de saciedade e podem retardar o esvaziamento do estômago. Isso faz com que os alimentos permaneçam por mais tempo no órgão. Essa alteração ajuda a explicar por que algumas pessoas podem sentir o estômago cheio por períodos prolongados, mesmo após refeições menores", explica.

O efeito, porém, não se resume à sensação de estômago cheio. A redução da velocidade do esvaziamento gástrico modifica a dinâmica do processo digestivo e pode estar associada a sintomas como estufamento, náusea, arrotos e desconforto após as refeições. Em algumas pessoas, os arrotos podem apresentar odor mais forte, inclusive semelhante ao de enxofre. Isso acontece em razão da presença de gases produzidos durante o processo digestivo.

"O refluxo também pode aparecer durante o tratamento. A permanência do conteúdo no estômago por mais tempo pode favorecer o retorno do conteúdo gástrico ao esôfago. Principalmente quando associada a refeições volumosas ou à distensão abdominal. A intensidade dos sintomas, no entanto, varia conforme o medicamento, a dose, o tempo de tratamento e as características individuais de cada paciente", acrescenta o médico.

Outros sintomas

Além desses sintomas, constipação, diarreia e vômitos também estão entre as manifestações gastrointestinais relatadas durante o uso dos análogos de GLP-1. "Na maioria dos casos, os sintomas gastrointestinais tendem a ser mais frequentes no início do tratamento ou durante o aumento da dose e podem diminuir à medida que o organismo se adapta. Ainda assim, manifestações persistentes ou intensas devem ser comunicadas ao profissional responsável pelo acompanhamento", ressalta.

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Outro ponto de atenção envolve o uso de medicamentos por via oral durante o tratamento com análogos de GLP-1. Como esses medicamentos podem retardar o esvaziamento do estômago, existe preocupação sobre possíveis alterações na absorção . E, consequentemente, na ação de determinados medicamentos administrados por via oral. "O impacto pode variar de acordo com o tipo de medicamento e as características de cada paciente, o que reforça a necessidade de avaliação médica individualizada antes e durante o tratamento. "Por esta e outras razões, o uso dessas canetas deve ocorrer sob supervisão médica, com avaliação de cada paciente e dos medicamentos utilizados de forma concomitante", comenta.

Para o especialista, compreender a relação entre os medicamentos e a motilidade digestiva é importante tanto para o acompanhamento clínico quanto para a adesão ao tratamento. "O paciente precisa saber que algumas mudanças na digestão podem ocorrer durante o tratamento e que a intensidade dos sintomas deve ser acompanhada. Isso permite ajustar a conduta quando necessário e evitar que um sintoma persistente seja interpretado apenas como um efeito esperado da medicação", finaliza o gastroenterologista Ricardo Viebig.

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