Grande escritor brasileiro, Maneco deixou preciosidades para nossa teledramaturgia
Manoel Carlos, o mestre da teledramaturgia brasileira, nos presenteou com inúmeras novelas incríveis. Suas histórias, que pareciam sempre tão próximas de nós, também nos mostravam um mundo novo e idealizado, junto com sonhos reais, problemas do cotidiano, amores explosivos, amizades verdadeiras e olhares que preenchiam todos os espaços.
Maneco foi ator, roteirista, diretor, produtor, editor, supervisor de texto e autor. Entre novelas e minisséries, escreveu mais de vinte obras — além dos trabalhos para outros países, como Colômbia, Estados Unidos, Argentina, Peru e Portugal. Ou seja, escolher algumas delas é uma tarefa difícil, mas reunimos a redação para bater o martelo e definir quais foram, para nós, os cinco grandes clássicos desse gênio brasileiro!
NOVELAS
Felicidade: no ar entre outubro de 1991 e maio de 1992, marcou o retorno de Manoel Carlos à Globo. Com uma história ambientada em cenários quase lúdicos, Helena (Maitê Proença) sonhava em deixar sua cidade natal, a pacata e pequena Vila Feliz, para viver no Rio de Janeiro. Enquanto buscava formas de realizar seu sonho, conheceu Álvaro (Tony Ramos), por quem se apaixonou à primeira vista. Eles se desencontraram e a jovem se casou com Mário (Herson Capri). O relacionamento durou apenas alguns meses e, novamente sozinha, Helena seguiu para a capital carioca. Lá, abriu uma loja de roupas de bebê, consolidando-se profissionalmente.
Quando reencontrou Álvaro, engravidou de Bia, mas escondeu a gravidez após acreditar nas armações de Débora (Vivianne Pasmanter), que conseguiu se casar e dar um filho, Alvinho (Eduardo Caldas), a Álvaro. As duas crianças se tornaram amigas e, só no final da novela, Helena e Álvaro conseguiram, enfim, ser felizes no amor.
A trilha que embalou a trama: Começo, Meio e Fim, do Roupa Nova, era a música de Helena e Álvaro.
Laços de Família
Entre junho de 2000 e fevereiro de 2001, o Brasil acompanhou a vida de Helena (Vera Fischer), que colocava sempre sua família em primeiro lugar. Proprietária de uma clínica de estética, Helena era uma mulher linda, elegante, forte e decidida. Logo no primeiro capítulo, ela se envolve em um acidente de carro e conhece Edu (Reynaldo Gianecchini), um jovem estudante prestes a se tornar médico. Ao vê-la com um pequeno corte no rosto, Edu se oferece para ajudá-la e ali se encanta. Os dois começam a namorar e, pouco tempo depois, viajam para Tóquio para encontrar Camila (Carolina Dieckmann), filha de Helena, que se apaixona pelo rapaz.
De volta ao Brasil, a rivalidade entre mãe e filha se intensifica, até Helena abrir mão de Edu. Os dois se casam e Helena se envolve com Miguel (Tony Ramos). Tudo parecia tranquilo até Camila descobrir a leucemia e Helena mudar toda sua vida para salvar a filha. Ela reencontra Pedro (José Mayer), seu amor do passado e pai de Camila, e engravida dele, para que o bebê salvasse a irmã. No final, Miguel e Helena reatam o noivado e se casam; Pedro fica com a mimada Íris (Deborah Secco); e Camila, curada, adota a irmã, Vitória, com Edu.
A trilha que marcou a trama: Love by Grace, de Lara Fabian, foi tema de Camila, na cena da quimioterapia.
Viver a Vida
A história da única Helena negra foi ao ar entre setembro de 2009 e maio de 2010. Vivida por Taís Araújo, ela era uma jovem modelo de carreira internacional que decidiu largar tudo para se casar com o empresário Marcos (José Mayer), ex-marido de Tereza (Lília Cabral) e pai de Luciana (Alinne Moraes) — modelo e rival de Helena, Isabel (Adriana Birolli) e Mia (Paloma Bernardi). Antes do casamento, porém, uma tragédia mudou a vida de todos.
Helena, Luciana e outras modelos viajaram para a Jordânia e, após mais uma briga entre madrasta e enteada, Helena proibiu Luciana de viajar no mesmo carro que ela, obrigando-a a fazer o trajeto entre duas cidades do Oriente Médio de ônibus. Uma colisão entre o ônibus e outro veículo fez com que Luciana sofresse um grave impacto. Em estado crítico, voltou ao Brasil e descobriu que o acidente a deixou tetraplégica, vivendo a cena mais marcante da trama.
Enquanto Helena se culpava pelo ocorrido, Luciana reaprendia a viver, lutando por uma lenta recuperação dos movimentos do corpo. O acidente mudou o jeito de ser da modelo, levou ao término seu namoro com o arquiteto Jorge (Mateus Solano) e abriu espaço para o verdadeiro amor, vivido com o irmão gêmeo de Jorge, Miguel (Mateus Solano). A história de Luciana tomou conta da novela, colocando Helena como coadjuvante pela primeira vez.
A trilha que marcou a trama: I Look To You de Whitney Houston, tema de Luciana e Miguel.
A rejeição de Helena
Se em todas as tramas de Maneco Helena era amada, emViver a Vida a personagem foi rejeitada. Muito se falou que a antipatia se dava pelo fato de a personagem ser negra. Entretanto, o público atribuiu à protagonista a culpa pelo acidente de Luciana. Já o autor afirmou que errou na construção da história, e a Helena de Taís Araújo não ganhou a humanização que ele esperava.
MINISSÉRIES
Malu Mulher: de maio de 1979 a 22 de dezembro de 1980, Manoel Carlos escreveu, junto com Daniel Filho, a série que até hoje é lembrada por seus temas fortes e importantes. Malu (Regina Duarte) era uma socióloga recém-divorciada e mãe de uma menina de 12 anos que tentava se reerguer. Os capítulos mostravam como a mulher brasileira no final dos anos 1970 enfrentava os preconceitos da época e temas como as relações conjugais, a educação dos filhos e o conflito de gerações — questões até então inéditas na TV.
A trilha que marcou a trama: a música que tocava na abertura, Começar de Novo, de Ivan Lins e Vitor Martins, interpretada por Simone.
Presença de Anita: exibida pela TV Globo de 7 a 31 de agosto de 2001, em 16 capítulos, foi escrita por Manoel Carlos e baseada no livro homônimo de Mário Donato. Enquanto Nando (José Mayer) queria aproveitar o final de ano para escrever um romance, Lúcia Helena (Helena Ranaldi) tentava lutar por seu casamento com ele. Os dois foram para Florença, cidade do interior de São Paulo, na casa da família. Mas no caminho estava Anita (Mel Lisboa), uma jovem que despertou a paixão de Zezinho (Leonardo Miggiorin) e seduziu Nando, vivendo um triângulo amoroso de obsessão, sedução e morte.
A trilha que marcou a trama: A música de abertura, Ne me quittes pas, cantada por Maysa.