Pesquisadores da Universidade de Wisconsin-Milwaukee criaram um método de troca iônica para reciclar baterias de carros elétricos (LFP). A técnica recupera mais de 90% do lítio para a indústria e transforma os resíduos restantes (fósforo e potássio) em fertilizantes para a agricultura. Testada em laboratório, a inovação viabiliza a reciclagem financeiramente, diminui o descarte e reduz a dependência de insumos agrícolas importados, preparando-se agora para testes em plantações de tomate.
O crescimento dos carros elétricos também trouxe uma nova preocupação: o destino das baterias depois que elas chegam ao fim da vida útil. Nesse contexto, o site 'Casa e Jardim' trouxe informações que os pesquisadores da Universidade de Wisconsin-Milwaukee estudaram uma alternativa que pode aproximar a reciclagem da agricultura. Além disso, a equipe desenvolveu um processo voltado às baterias de fosfato de ferro-lítio, conhecidas como LFP. Além de recuperar materiais importantes desses componentes, a técnica aproveita parte do que sobra no processo como possível matéria-prima para fertilizantes.
Como funciona a técnica?
O método utiliza uma técnica chamada troca iônica, que é a mesma usada em sistemas de tratamento de água. Durante o procedimento, resinas retiram o lítio presente na bateria e o substituem por íons de hidrogênio ou potássio. Com esse processo, os pesquisadores conseguiram recuperar mais de 90% do lítio. Enquanto isso, a solução resultante manteve outros elementos, como fósforo, potássio e nitrogênio, que têm utilidade na agricultura. Assim, a mesma bateria poderia fornecer materiais destinados a diferentes usos. De um lado, o lítio recuperado volta à cadeia produtiva, e de outro, os nutrientes restantes ganham potencial de aproveitamento agrícola.
Por que o estudo é importante?
A reciclagem de baterias LFP ainda enfrenta um obstáculo econômico. Como esses componentes utilizam materiais relativamente baratos, o custo do processo tradicional pode superar o valor do que a reciclagem recupera. Por isso, encontrar uma segunda utilização para os resíduos pode mudar essa conta. Além de reduzir a quantidade de material descartado, a produção de fertilizantes acrescentaria valor ao processo e ampliaria as possibilidades de reaproveitamento. A proposta também chama atenção porque alguns dos minerais utilizados na fabricação de fertilizantes têm forte dependência de importações nos Estados Unidos. Consequentemente, uma fonte alternativa poderia reduzir parte dessa necessidade.
A tecnologia já saiu do laboratório?
Até o momento, os pesquisadores testaram o método em laboratório. Segundo o estudo, algumas das reações chegaram ao equilíbrio em aproximadamente 20 minutos. Agora, a equipe pretende avançar para uma etapa maior de testes. Além disso, agora a próxima fase deve comparar o fertilizante produzido a partir das baterias com produtos convencionais em uma área de cultivo de tomates. Esse resultado será importante porque o desempenho em laboratório não garante, sozinho, que a técnica funcionará da mesma maneira em escala agrícola.
Uma conexão entre mobilidade e agricultura
A pesquisa mostra como um resíduo associado à expansão dos carros elétricos pode encontrar uma aplicação em outro setor. Em vez de encerrar o ciclo na reciclagem da bateria, os cientistas estudam maneiras de aproveitar diferentes materiais em novas cadeias produtivas. Caso os testes futuros apresentem resultados positivos, a tecnologia poderá avançar em direção a uma aplicação comercial. Até lá, o estudo representa uma possibilidade promissora de economia circular, unindo recuperação de materiais, redução de resíduos e produção agrícola.