O vitiligo é uma doença que costuma preocupar duplamente os pacientes: pela doença em si e pelo preconceito. Porém, para Selma Oliveira, de 61 anos, a discriminação nunca foi um fato. Com o tom de pele mais claro, a despigmentação não é tão evidente, opina a professora.
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“Na escola, tinha a preocupação de esclarecer aos alunos, logo no primeiro dia de aula, que a doença não é contagiosa”, conta. “Criança é mais objetiva, eles vinham cheios de curiosidade nas primeiras semanas, mas, logo depois, tudo se normalizava.”
Selma manifestou o vitiligo em 2012, após o adoecimento e morte do pai. Ela conta que não ocorreu de uma hora para outra, mas, aos poucos, as manchas foram aparecendo, “percebo comparando fotos de diversos anos”, relata.
Hoje, a professora partilha que a doença está controlada, pois não está atravessando um período de fortes tensões. “O vitiligo está aqui, mas deu uma estacionada. Fui resolvendo a vida e controlando o estresse.”
Sobre os cuidados, Selma afirma que protetor solar é seu principal aliado e que a praia é sua última opção de viagem. “Nesse caso, é preciso todo um aparado: camisa de proteção, calça, luva e chapéu de aba grande”, detalha. “Uma vez, fiquei cerca de 40 minutos jogando vôlei sem luvas com meu sobrinho e formou bolhas na minha mão de fazer chorar.”
Ela conta que está resolvida com a condição, e que não pretende fazer nenhum procedimento. “Não quero me entupir de remédio sem nem saber qual o efeito ao certo. O vitiligo me deu liberdade para ser quem eu sou.”
Vitiligo: mais de 1 milhão de brasileiros
Milhões de brasileiros convivem diariamente com doenças que deixam marcas visíveis na pele e que, apesar de não serem contagiosas, ainda são cercadas por desinformação e preconceito. Estimativas da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) apontam que cerca de cinco milhões de pessoas no País têm psoríase, e mais de um milhão convivem com vitiligo.
Mais do que alterações na aparência da pele, as duas condições podem provocar impactos emocionais e sociais. O desconhecimento da população acerca das doenças pode acarretar afastamento social, constrangimento e prejuízos à autoestima. Diante disso, a informação se torna uma importante ferramenta para melhorar a qualidade de vida dos pacientes.
De acordo com a dermatologista Juliana Toma, a condição ocorre pela perda de melanócitos, células responsáveis pela produção da melanina, e pode se manifestar em diferentes regiões da pele, principalmente nos joelhos, cotovelos, mãos, pés, e ao redor da boca e dos olhos.
“Muito importante usar protetor solar nas áreas com lesões esbranquiçadas, porque essas áreas não têm a melanina, que é a nossa proteção natural contra os raios solares nocivos”, explica.
Além disso, a médica recomenda evitar atritos nas áreas afetadas, pois, segundo ela, lesões novas podem se formar. “Sapatos apertados, calças e camisas justas devem ser evitados”, diz.
O vitiligo atinge aproximadamente 0,5% da população brasileira, o que representa mais de 1 milhão de pessoas. No mundo, a estimativa média é de cerca de 1% da população, segundo a SBD.
Apesar de geralmente não representar um risco direto à saúde física, o vitiligo pode ter forte repercussão emocional. A visibilidade das manchas pode fazer com que pacientes enfrentem olhares, comentários e situações de discriminação.
Preconceito também precisa ser tratado
Para as especialistas, combater a desinformação é parte importante do cuidado. A aparência das lesões pode fazer com que doenças dermatológicas sejam confundidas com problemas contagiosos, o que contribui para o isolamento de quem tem essas condições.
No vitiligo, a Sociedade Brasileira de Dermatologia também chama atenção para a necessidade de ampliar o acesso à assistência e aos tratamentos, incluindo serviços de fototerapia.