O governo de São Paulo anunciou nesta sexta-feira, 19, uma mudança na metodologia de monitoramento da segurança hídrica da região metropolitana. Segundo a Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil), ela passa a considerar novos parâmetros para o período seco e chuvoso, com base em uma série histórica de 15 anos, e uma curva de contingência específica para o sistema Cantareira.
Até então, as projeções eram calculadas com base em diferentes cenários, como o de 2021, em que os reservatórios também enfrentaram situação crítica. Agora, passam a considerar o período de 2011 a 2025, para comtemplar as variações de anos com eventos climáticos de El Niño e La Niña e variações no ciclo hidrológico provocadas pelas mudanças climáticas.
A forma de anúncio da faixa atual, que determina as medidas de contingência adotadas conforme o volume dos mananciais, também será alterada. Ela será definida pela condição mais restritiva entre o Cantareira, principal fonte de abastecimento da região metropolitana, e o sistema integrado, que abarca outros sistemas (saiba mais abaixo).
De acordo com a Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo (Arsesp), as faixas de atuação que vão de 1 a 7 e orientam a evolução de medidas como redução de pressão noturna e rodízio no abastecimento entre regiões, permanecem as mesmas.
Considerando o nível atual do Cantareira, que está na faixa 3, a Secretária de Meio Ambiente, Natália Resende, afirmou que não haverá ampliação da gestão de demanda noturna, que atualmente está em 10 horas. Pelas projeções realizadas pelo governo do Estado, há expectativa de permanecer até o final do ano nesta mesma faixa.
Para 30 de abril de 2027, final do próximo período chuvoso, a SP Águas projeta um patamar mínimo de segurança de 53% para o Sistema Integrado Metropolitano (SIM) e 40% no Cantareira.
Outra mudança anunciada tem a ver com o prazo para a progressão de faixas. Em vez de adotar o prazo de 7 dias para avançar de faixa, e 14 para voltar à faixa anterior, o cenário passa a ser avaliado mensalmente, com definição da faixa na reunião mensal do Comitê de Integração das Agências e emissão de nota técnica no último dia do mês em análise.
Para o diretor-presidente da Arsesp, Diego Domingues, a mudança dá maior estabilidade à gestão hídrica e se adequa ao prazo já adotado pela Agência Nacional de Águas no monitoramento do Cantareira.
Conforme os órgãos estaduais, a atualização da metodologia, que começa na segunda-feira, 22, era prevista desde o ano passado e considera contribuições de consulta pública sobre a metodologia de acompanhamento, as atualizações nas projeções hidrológicas e a experiência do primeiro ano de aplicação da metodologia de gestão hídrica.
A chegada do fenômeno climático
A divulgação do novo método foi feita após a confirmação de chegada do fenômeno El Niño neste ano, com risco de ondas de calor intensa e chuvas irregulares para o Sudeste do Brasil. O risco de seca em São Paulo não foi afastado e pode impactar o nível dos reservatórios até o ano que vem.
A temporada chuvosa de 2026 na Grande São Paulo trouxe uma recuperação parcial do nível dos reservatórios que abastecem os mais de 20 milhões de habitantes da região metropolitana. Atualmente, o sistema integrado apresenta um volume de aproximadamente 51% do armazenamento estratégico de água.
Desde agosto de 2025, a Sabesp tem reduzido a pressão nos encanamentos durante a noite em São Paulo. Mesmo com alguma recuperação dos reservatórios, o Conselho Diretor da Arsesp decidiu em março manter a Gestão de Demanda Noturna (GDN) por 10 horas (das 19h às 5h). O órgão regulador afirma terem sido poupados mais de 151 bilhões de litros de agosto a março com essa medida.
Situação dos reservatórios
O Sistema Cantareira é o maior produtor de água da região metropolitana de São Paulo, utilizando 33 m3/s de água para abastecer, aproximadamente, 46% da população que vive nessas cidades.
Atualmente, o sistema está em queda: se encontra na faixa de alerta, em 39%, 10 pontos a menos em comparação a junho do ano passado, em um ano em que temperaturas mais elevadas devem aumentar o consumo e a evapotranspiração até o fim do ano.
O Sistema Cantareira é formado por cinco reservatórios: Jaguari, Jacareí, Cachoeira, Atibainha e Paiva Castro, os quais estão conectados por túneis subterrâneos e canais.
Já o Sistema Integrado Metropolitano é composto por sete mananciais: Cantareira, Alto Tietê, Cotia, Guarapiranga, Rio Claro, Rio Grande e São Lourenço.
Segundo o governo estadual, a criação de uma curva de contingência específica para o sistema se deve a seu papel estratégico e comportamento hidrológico distinto - com chuvas abaixo da média - em relação ao Sistema Integrado Metropolitano, com o início da temporada chuvosa ocorrendo mais tarde no Cantareira.