El Niño corre risco de ser 'super' neste ano: como fenômeno vai afetar cada região do Brasil?

Efeitos no País começam a ser sentidos no fim de setembro e se estendem até o próximo ano

18 jun 2026 - 12h14

O fenômeno El Niño, que aquece as águas do Oceano Pacífico e influencia o clima em todo o planeta, já começou. A previsão é de a intensidade aumente no fim do ano e parte dos especialistas acredita na possibilidade de um super El Niño, com risco de eventos extremos - como tempestades ou estiagens atípicas.

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Com isso, há também risco de impactos na inflação, principalmente nos preços dos alimentos e da energia elétrica.

No Brasil, aproximadamente nove milhões de pessoas vivem em áreas de risco. O governo federal criou um gabinete de emergência e prevê investimentos de R$ 3 bilhões em ações de mitigação.

Uma das principais frentes é o combate a incêndios florestais - que foram especialmente graves no El Niño de 2024, sobretudo na Amazônia.

Segundo o Ministério do Meio Ambiente, mais de 4,4 mil brigadistas federais atuarão em todo o País em 2026, distribuídos em 240 brigadas, além de 220 servidores do Ibama e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

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El Niño pode exacerbar chuvas no Sul do País, como aconteceu no Rio Grande do Sul, em 2024.
El Niño pode exacerbar chuvas no Sul do País, como aconteceu no Rio Grande do Sul, em 2024.
Foto: Wilton Junior/Estadão / Estadão

Verba do Fundo Amazônia também foi destinada à compra de equipamentos e à capacitação dos Corpos de Bombeiros na Amazônia Legal, no Cerrado e no Pantanal.

"Não faltaram alertas sobre os riscos", diz Paulo Artaxo, coordenador do Centro de Estudos Amazônia Sustentável da Universidade de São Paulo (USP). "Reforçar defesas civis, elaborar planos de contingência, deslocar populações de áreas de risco de deslizamento e obras de prevenção de enchentes: as necessidades prementes foram explicitadas."

"Secas na Amazônia e no Brasil central e chuvas intensas no Sul são esperadas, caso o El Niño seja forte", continua Artaxo. "O impacto econômico pode ser grande, com quebra de safras e aumento nos preços de alimentos."

Márcio Astrini, secretário executivo do Observatório do Clima, concorda. "O El Niño pode ser forte, provocar chuvas muito intensas mas não necessariamente provocar um grande alagamento como o do Rio Grande do Sul em 2024. Uma situação daquelas demanda uma conjunção de fatores", afirma. "O mais perigoso são a seca no semiárido e as queimadas na Amazônia."

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Segundo o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), do governo federal, as consequências mais significativas na América do Sul devem ser sentidas a partir do fim de setembro.

Veja os principais impactos esperados para cada região do País.

Sul:

Chuvas torrenciais: Bloqueio atmosférico retém frentes frias na região, elevando drasticamente o risco de tempestades e ciclones.

Inundações e deslizamentos: Estados como Rio Grande do Sul e Santa Catarina têm alerta máximo para cheias severas de rios e deslizamentos de terra.

Prejuízos agrícolas: Excesso de umidade no solo dificulta o plantio da safra de verão, favorece doenças fúngicas e estraga colheitas.

Norte:

Seca na Amazônia: Severa redução de chuvas e prolongamento da estação seca.

Rios baixos e isolamento: Forte estiagem reduz o nível das bacias hidrográficas, isolando comunidades ribeirinhas que dependem do transporte fluvial.

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Queimadas: Calor extremo e baixa umidade elevam riscos de incêndios florestais e afetam geração de energia.

Nordeste:

Estiagem prolongada: Falta de chuva severa, especialmente na faixa norte e no semiárido, podem impactar a agricultura familiar.

Ondas de calor: Temperaturas muito acima da média histórica reduzem reservatórios de água e ameaçam a pecuária local.

Centro-Oeste:

Calor extremo: Fortes ondas de calor e índices críticos de baixa umidade do ar na primavera e no verão

Incêndios florestais: Risco acentuado de grandes queimadas no Pantanal e no Cerrado.

Instabilidade no agronegócio: O atraso no início da estação chuvosa pode impactar o calendário do plantio da soja e do milho.

Sudeste:

Ondas de calor intensas: Temperaturas recordes em capitais como São Paulo e Rio de Janeiro aumentam a demanda e o preço da energia elétrica

Chuvas irregulares: O deslocamento das frentes de chuva para o sul do Rio e de Minas, enquanto o norte mineiro e o Espírito Santo devem enfrentar forte estiagem. O risco de seca em São Paulo não foi afastado e pode impactar o nível dos reservatórios.

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No verão, a Grande São Paulo tem sofrido com um volume abaixo do normal de chuvas na região do sistema de reservatórios do Cantareira, o que fez o governo alertar sobre a necessidade de reduzir o consumo de água para evitar problemas de abastecimento.

"Ainda é cedo para afirmar se o fenômeno será muito intenso; mas ainda que seja, isso não significa que o impacto será automaticamente maior", explica a especialista do Greenpeace-Brasil Ana Clis Ferreira.

"O problema é que, muitas vezes, não estamos preparados, sobretudo nos meios urbanos, e podemos ter impactos semelhantes aos de 2024?, diz ela.

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