Tribunal nos EUA deteminará se Instagram e YouTube foram 'criados para viciar crianças'

Um júri popular na Califórnia analisará, a partir desta segunda-feira (9), se os algoritmos do Instagram e do YouTube foram criados para viciar crianças e adolescentes, em detrimento da saúde mental. O caso está sendo julgado no Tribunal Superior de Los Angeles e pode estabelecer um precedente jurídico para vários processos nos Estados Unidos que visam as plataformas.

9 fev 2026 - 16h11

Apenas o YouTube (subsidiária do Google) e a Meta (gigante da tecnologia por trás do Instagram) são réus no caso, já que TikTok e Snapchat preferiram fazer um acordo confidencial. Mark Zuckerberg, criador do Facebook e CEO da Meta, é o mais aguardado entre os executivos convocados a depor neste julgamento, que deve durar mais de um mês. As plataformas são acusadas de promover a dependência dos usuários para aumentar sua receita publicitária.

Os 12 jurados vão analisar a denúncia de uma californiana de 20 anos, Kelly G.M. A jovem, usuária do YouTube desde os seis anos e detentora de uma conta no Instagram aos 11, aderiu ao Snapchat e ao TikTok dois ou três anos depois. Ela afirma ter se tornado dependente das redes sociais, o que a levou a uma espiral de depressão, ansiedade e transtornos de imagem.

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"É a primeira vez que as redes sociais precisam enfrentar um júri por terem causado danos a crianças", diz o advogado Matthew Bergman, fundador do Social Media Victims Law Center, cuja equipe gerencia mais de 1.000 casos semelhantes.

Os debates, no entanto, não se concentrarão nos vídeos tóxicos, deprimentes ou manipuladores que essas plataformas podem hospedar e distribuir para os jovens. 

Como a lei americana as isenta de qualquer responsabilidade pelos conteúdos publicados por terceiros, os autores da ação, para que ela seja cabível, acusam diretamente o design das redes sociais, ou seja, o algoritmo e as funções de personalização que incentivam a rolagem compulsiva de vídeos e promovem a dependência.

Ação coletiva

Na sexta-feira (6), os advogados da Meta e do YouTube pediram à juíza Carolyn Kuhl que proibisse, nos debates, qualquer analogia entre suas ferramentas e produtos altamente viciantes, como tabaco e opioides. O pedido foi rejeitado. A seleção do júri, iniciada em 27 de janeiro e atrasada por incidentes externos ao caso, terminou na sexta-feira após seis dias de votação.

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No Novo México, outro julgamento, que acusa a Meta de priorizar o lucro em vez da proteção de menores, também deve começar esta semana. Paralelamente ao processo de Los Angeles, o vício em redes sociais é objeto de uma ação coletiva nacional, atualmente em fase de instrução perante uma juíza federal em Oakland, perto de San Francisco.

Na Europa, o movimento para regular e restringir o uso das plataformas tem se intensificado. Na França, por exemplo, uma lei aprovada em primeira leitura em janeiro, na Assembleia Nacional, busca proibir o acesso às redes para menores de 15 anos. 

Um relatório recente da ANSES (Agência Francesa de Segurança Alimentar, Ambiental e do Trabalho) mostra que metade dos jovens de 12 a 17 anos passa de duas a cinco horas diária nas redes sociais via celular e que esse uso pode reforçar estereótipos, estimular comportamentos de risco e intensificar o ciberbullying.

Com agências

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