Novos documentos do caso Epstein causam 'terremoto' no governo Trump

Os Estados Unidos dominam as páginas das principais revistas francesas nesta semana. As publicações semanais se concentram em três principais assuntos: os novos documentos do caso do financista e criminoso sexual Jeffrey Epstein, as truculentas operações dos agentes federais do ICE e a parceria abalada entre os serviços de Inteligência europeus e americanos.

7 fev 2026 - 09h26

A revista Le Point aborda os vínculos do presidente americano, Donald Trump, com Jeffrey Epstein, que morreu na prisão em 2019. "O caso que faz os Estados Unidos tremerem" é a manchete na capa estampada com uma antiga foto de Epstein ao lado de Trump. 

O financista e criminoso sexual Jeffrey Epstein (à esquerda) e o presidente americano, Donald Trump, em Mar‑a‑Lago, na Flórida, em 1997.
O financista e criminoso sexual Jeffrey Epstein (à esquerda) e o presidente americano, Donald Trump, em Mar‑a‑Lago, na Flórida, em 1997.
Foto: © Davidoff Studios / Getty Images file via nbcnews.com / RFI

O pesadelo recomeçou há pouco mais de uma semana, quando o procurador-geral adjunto, Todd Blanche, anunciou a publicação de três milhões de novos documentos relativos ao caso Epstein, entre eles, dois mil vídeos e 180 mil fotografias. No entanto, todos os elementos de pornografia infantil, os conteúdos ligados a investigações federais em andamento e os documentos protegidos por sigilo profissional foram retirados. Ainda assim, Blanche garante que nenhum elemento que pudesse ter relação com Trump foi ocultado por seus serviços. 

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"Anomalia significativa e sintomática da era Trump", diz a Le Point, que lembra que antes de ingressar no Departamento de Justiça, em 2024, o procurador-geral adjunto era advogado do presidente americano. Durante muito tempo próximo de Jeffrey Epstein, o líder republicano, nega há anos ter tido conhecimento das ações pedófilas de Epstein, "contra toda coerência", reitera a matéria. 

Em uma nova tentativa de abafar o caso, o presidente americano sugeriu na terça-feira (3) virar a página do escândalo. "Não saiu nada sobre mim, exceto que foi uma conspiração contra mim, literalmente, por parte de Epstein e outras pessoas. Mas acho que já está na hora de o país, talvez, pensar em outra coisa, como a saúde, ou algo que importe às pessoas", disse. 

Segundo o jornal New York Times, o nome de Trump, sua residência em Mar‑a‑Lago, na Flórida, e outras referências ao líder republicano são mencionados 38 mil vezes nos arquivos do Departamento de Justiça divulgados em 30 de janeiro. Mas, o bilionário alega que a nova leva de documentos "o absolve de qualquer irregularidade", insistindo que sua relação com Epstein terminou há mais de 20 anos. 

Minneapolis no olho do furacão

Além do "terremoto" do caso Epstein, os Estados Unidos são palco de um outro fenônemo: a revolta contra as violentas operações da polícia de imigração. A revista Le Nouvel Obs publica uma reportagem de sua enviada especial a Minneapolis, no "olho do furacão" após a morte de dois cidadãos em janeiro que enfrentaram membros do ICE, "o símbolo do inexorável mergulho dos Estados Unidos no autoritarismo". 

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Com a perseguição dos imigrantes, muitos deles com status legal, a política de imigração de Trump "semeia o terror" e se espalha pelas grandes cidades do país com prisões cruéis e arbitrárias. De acordo com a revista, foi a morte a tiros de Renee Nicole Good e Alex Pretti que revelaram ao mundo "a selvageria e o amadorismo desta polícia fora da lei".

Entrevistados pela reportagem da Nouvel Obs, especialistas em Direito destacam a ilegalidade destas operações. "O governo ultrapassa os limites do Estado de Direito", diz Julia Decker, diretora de política do Centro dos Diretos dos Imigrantes do Minnesota. Para a revista, a confusão que Trump faz entre imigração e terrorismo legitima seus métodos criminosos. 

Parceria abalada entre EUA e Europa

"CIA: os espiões de Trump que preocupam a Europa" é a manchete da revista L'Express desta semana. A publicação questiona se com o líder republicano embaralhando a geopolítica, os países europeus manterão sua cooperação com os Estados Unidos na área da Inteligência. 

"Como viver sem a CIA?", questiona a revista, ressaltando a dependência europeia dos serviços secretos americanos. Segundo a L'Express, até recentemente, "espiões americanos abasteciam amplamente a Direção de Inteligência Militar francesa". 

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A semanal apurou que operações conjuntas entre os Estados Unidos e a Europa continuam sendo realizadas atualmente. A França e os Estados Unidos chegam até mesmo a compartilhar nomes de espiões que arriscam suas vidas em países perigosos em nome da segurança, garante.

Mas, diante do conchavo entre Trump e o presidente russo, Vladimir Putin, além das ambições territoriais americanas na Groenlândia, "a Europa terá de acabar com a parceria?", pergunta a L'Express. O questionamento foi levantado pela revista a cerca de 40 responsáveis dos serviços de Inteligência de países europeus e a resposta foi unânime: a Europa precisa aprender a trabalhar sem a CIA e considerar Washington como "um antigo aliado" ou até como "um potencial inimigo".

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