O setor do vinho na França enfrenta uma situação de superprodução, devido à redução da demanda provocada por mudanças nos hábitos de consumo, à concorrência intensa e às dificuldades de exportação. Durante visita à grande feira Wine Paris, Macron disse aos produtores que a atividade faz parte do "estilo de vida francês", mas que é preciso adotar medidas para revitalizar o setor.
Entre as iniciativas possíveis está o mais recente fundo governamental, dotado de € 130 milhões (R$ 804,1 milhões), que começou a operar na sexta-feira (6). O programa oferece subsídios a proprietários com prejuízos para que arranquem suas vinhas.
"É preciso fazer isso... para que os demais (produtores) preservem seu valor", afirmou Macron.
As medidas se concentram especialmente em regiões produtoras de vinhos tintos de menor valor no sudoeste da França, como Bordeaux e Languedoc. Em anos anteriores, para reduzir o excedente de vinho, a França subsidiou sua destilação em álcool etílico, que depois pode ser utilizado para fins industriais.
Excedente de 100 mil hectares
O grupo profissional francês CNAOC estimou em setembro que o país enfrenta um excedente crescente de cerca de 100 mil hectares. Segundo a entidade, aproximadamente 50 mil hectares já foram arrancados, e outros 30 mil devem ser afetados pelo novo fundo.
Os vinhos franceses e europeus também são impactados pelo aumento das tarifas de 10% e, posteriormente, de 15%, impostas às bebidas alcoólicas europeias pelo presidente norte-americano, Donald Trump, em 2025. De acordo com dados da alfândega francesa, as exportações de bebidas para os Estados Unidos, principal destino do vinho francês, caíram 20% no ano passado, para € 3,2 bilhões (R$ 19,79 bilhões).
Participação brasileira
O Brasil vai marcar presença na Wine Paris 2026, que acontece até quarta-feira (11). Esta é a segunda participação brasileira no evento, por meio do projeto setorial Wines of Brazil, desenvolvido pelo Instituto de Gestão, Planejamento e Desenvolvimento da Vitivinicultura do Estado do Rio Grande do Sul (Consevitis-RS), em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil).
Oito vinícolas representam o Brasil e a diversidade da produção nacional, com rótulos oriundos dos estados do Rio Grande do Sul, Pernambuco, São Paulo e Minas Gerais. No ano passado, apenas três vinícolas brasileiras vieram a Paris.
"A Wine Paris é uma vitrine estratégica para os vinhos brasileiros no cenário internacional. A ampliação da nossa presença em 2026, com mais empresas e maior diversidade de origens, reflete a maturidade do projeto Wines of Brazil e o interesse crescente do mercado externo pelos nossos produtos", afirma Rafael Romagna, gerente de promoção para o mercado externo do Consevitis-RS e gestor do projeto setorial Wines of Brazil.
Os produtores brasileiros também vão aproveitar a oportunidade para defender o acordo Mercosul-União Europeia, assinado no início de janeiro, e que, segundo eles, terá impacto positivo no setor, nos dois lados do Atlântico.
Com AFP