Tribunal dos EUA suspende sanções contra italiana relatora da ONU sobre Palestina

Francesca Albanese havia sido punida após denunciar genocídio de Israel em Gaza

14 mai 2026 - 07h37

Um tribunal no Distrito de Columbia, em Washington, suspendeu, de forma provisória, as sanções impostas pelo governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra a italiana Francesca Albanese, relatora especial da Organização das Nações Unidas (ONU) para os territórios palestinos ocupados.

    Em publicação na rede social X, Albanese afirmou que o juiz concluiu que "proteger a liberdade de expressão é sempre de interesse público".

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    Ela agradeceu à filha, ao marido e aos apoiadores que participaram de sua defesa judicial, afirmando que "juntos somos um só".

    A decisão foi tomada pelo juiz distrital Richard Leon, que considerou provável que o governo Trump tenha violado os direitos garantidos pela Primeira Emenda da Constituição dos Estados Unidos ao sancionar Albanese em julho de 2025.

    Segundo o magistrado, as medidas aparentavam ter como alvo direto suas declarações críticas a Israel.

    Albanese ocupa o cargo de relatora especial da ONU para os Territórios Palestinos desde 2022. Nos últimos anos, seu trabalho concentrou-se na ofensiva militar de Israel contra o Hamas na Faixa de Gaza.

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    A relatora acusou Israel de cometer " um dos genocídios mais cruéis da história moderna" e graves violações de direitos humanos contra palestinos durante o conflito. Além disso, encaminhou autoridades israelenses, incluindo o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, ao Tribunal Penal Internacional para possível responsabilização judicial.

    A ação contra as sanções foi apresentada em fevereiro por Massimiliano Cali, marido de Albanese, em nome próprio, da relatora e da filha do casal. O processo argumentava que as medidas adotadas pelo Departamento de Estado em 2025 violavam o direito de Albanese à liberdade de expressão.

    Em sua decisão de 26 páginas, o juiz Leon ? indicado ao cargo pelo ex-presidente George W. Bush ? afirmou que, caso Albanese "tivesse se oposto às ações do Tribunal Penal Internacional contra cidadãos americanos e israelenses, ela provavelmente não teria sido incluída na lista de sancionados pela Ordem Executiva 14203".

    "Portanto, o efeito da designação de Albanese é 'punir' e, consequentemente, 'reprimir expressões indesejáveis'", escreveu o magistrado.

    O juiz também entendeu que Albanese pode invocar a proteção da Constituição dos EUA, apesar de residir fora do país, por manter "laços substanciais" com os Estados Unidos suficientes para garantir a aplicação dos direitos previstos na Primeira Emenda.

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    Críticos da relatora da ONU a acusam de reproduzir argumentos do Hamas sobre Israel. Albanese rejeita essas acusações, negando apoio a grupos considerados terroristas e contestando a associação automática entre críticas ao governo israelense e antissemitismo. .

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