O Partido Bhumjaithai, do primeiro-ministro tailandês, Anutin Charnvirakul, obteve uma vitória clara nas eleições gerais deste domingo, aumentando a perspectiva de que uma coalizão mais estável possa agora conseguir pôr fim a um período de prolongada instabilidade política.
Anutin preparou o terreno para as eleições antecipadas em meados de dezembro, em meio a um violento conflito fronteiriço entre a Tailândia e o Camboja, no que analistas consideraram uma manobra do líder conservador para lucrar com o crescente nacionalismo.
Foi uma aposta que valeu a pena para o primeiro-ministro, que assumiu o cargo após a destituição da primeira-ministra Paetongtarn Shinawatra, do populista Partido Pheu Thai, devido à crise cambojana, e dissolveu o Parlamento menos de 100 dias depois.
"A vitória do Bhumjaithai hoje é uma vitória para todos os tailandeses, tenham votado ou não no Partido Bhumjaithai", disse Anutin em uma coletiva de imprensa. "Temos que fazer o máximo para servir ao povo tailandês com toda a nossa capacidade."
Com quase 95% das seções eleitorais apuradas, os resultados preliminares divulgados pela comissão eleitoral mostraram que o Partido Bhumjaithai conquistou cerca de 192 cadeiras, em comparação com 117 do progressista Partido Popular e 74 do outrora dominante partido Pheu Thai.
Outros partidos conquistaram, juntos, 117 cadeiras no Parlamento de 500 assentos, de acordo com cálculos da Reuters com base nos dados da comissão eleitoral.
Os eleitores tailandeses compareceram em grande número neste domingo. As urnas fecharam às 17h, no horário local (7h no horário de Brasília), e os resultados preliminares foram divulgados ao longo da noite.
"PODER PARA GOVERNAR"
Quando Anutin dissolveu o Parlamento em dezembro, ele citou a disfunção e as disputas internas entre partidos rivais como fatores que tornavam impossível liderar um governo minoritário.
Embora fosse improvável que o Partido Bhumjaithai obtivesse a maioria absoluta, os resultados sugerem que ele está em uma posição forte para cumprir suas promessas de campanha, disse Napon Jatusripitak, cientista político do think tank Thailand Future, com sede em Bangcoc. Isso inclui a implementação de um programa de subsídios ao consumidor e o abandono de um acordo com o Camboja sobre reivindicações marítimas.
"Pela primeira vez em muito tempo, provavelmente teremos um governo com poder efetivo suficiente para governar", disse ele. "Estamos vendo o que eu descreveria como um casamento de conveniência entre tecnocratas, elites conservadoras e políticos tradicionais."
Fundamental para o sucesso de Anutin foi sua adesão ao nacionalismo e a estratégia do Bhumjaithai de conquistar políticos de partidos rivais nas áreas rurais, afirmaram analistas.
REFERENDO CONSTITUCIONAL
Os eleitores tailandeses também foram convidados a decidir, durante a votação, se uma nova Constituição deveria substituir a Carta de 2017, um documento apoiado pelos militares que, segundo os críticos, concentrava o poder em instituições antidemocráticas, incluindo um poderoso Senado escolhido por meio de um processo de seleção indireta com participação pública limitada.
A contagem preliminar da comissão eleitoral mostrou que os eleitores apoiaram o referendo por uma margem de quase dois para um.
A Tailândia teve 20 constituições desde o fim da monarquia absoluta em 1932, com a maioria das mudanças ocorrendo após golpes militares.
O novo governo e os parlamentares podem iniciar o processo de emenda no Parlamento, sendo necessários mais dois referendos para adotar uma nova Constituição.