A polícia britânica retomou nesta sexta-feira, 20, as buscas em endereços ligados ao ex-príncipe Andrew, um dia após sua detenção no âmbito de uma investigação sobre possíveis vínculos com o financista americano Jeffrey Epstein. As informações são da Agence France-Presse (AFP).
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Segundo a agência, viaturas policiais foram vistas entrando no Royal Lodge, em Berkshire, antiga residência oficial de Andrew, onde ele morou até outubro do ano passado. As buscas no local entraram no segundo dia. Já as diligências na casa de campo em Sandringham, em Norfolk, onde o ex-príncipe vive atualmente, foram concluídas ainda na quinta-feira, 19, de acordo com a polícia do Vale do Tâmisa, responsável pela investigação.
Andrew, irmão do rei Charles III, foi detido na manhã de quinta-feira e permaneceu cerca de 11 horas sob custódia para prestar depoimento por suspeita de má conduta no exercício de cargo público. Posteriormente, foi liberado enquanto as investigações prosseguem. A polícia confirmou apenas a prisão de um homem na casa dos 60 anos, sem divulgar oficialmente o nome.
De acordo com a AFP, jornalistas acompanharam a movimentação policial em frente ao Royal Lodge desde as primeiras horas do dia. Os veículos utilizados na operação não tinham identificação visível.
A investigação foi aberta na semana passada para apurar se Andrew teria enviado relatórios confidenciais a Epstein durante o período em que atuou como representante especial do Reino Unido para o Comércio Internacional. Epstein foi acusado de comandar uma rede de exploração sexual de menores nos Estados Unidos e morreu na prisão em 2019.
Documentos do caso tornados públicos pelo Departamento de Justiça norte-americano mencionam Andrew em diferentes ocasiões. O ex-príncipe também foi acusado de agressão sexual por Virginia Giuffre, que afirmou ter sido abusada quando era menor de idade. Giuffre morreu na Austrália, em abril de 2025, aos 41 anos. Andrew nega todas as acusações.
Em comunicado, o subchefe de polícia Oliver Wright afirmou que a investigação foi aberta após “avaliação minuciosa” das alegações e destacou a necessidade de preservar a integridade da apuração.
A BBC informou que as autoridades podem solicitar novos mandados de busca, caso considerem necessário, inclusive para unidades de armazenamento ou outras propriedades associadas ao ex-príncipe.
Em nota, o rei Charles III declarou ter recebido a notícia da detenção “com preocupação” e afirmou que a polícia conta com o apoio da família real para que “a lei siga seu curso”. Segundo a emissora britânica, o monarca não foi avisado previamente sobre a prisão.
Os desdobramentos do caso ampliam a pressão sobre a monarquia britânica. Em outubro do ano passado, Andrew foi destituído de seus títulos reais por decisão do rei, após novas revelações sobre sua relação com Epstein, e deixou sua residência oficial em Windsor.