Em meio a ameaças de retaliações de Teerã, Trump adia anúncio sobre eventual ataque contra Irã

Donald Trump afirmou, na quinta-feira (19), que dará um prazo de "dez a quinze dias" para decidir se um acordo com o Irã é possível ou se, caso contrário, recorrerá à força contra Teerã. Por sua vez, o Irã reiterou suas ameaças contra as bases americanas no Oriente Médio em caso de ataque, em carta enviada ao secretário-geral da ONU. Uma importante força aérea e naval americana já está posicionada na região.

20 fev 2026 - 09h11

Com informações de Franck Alexandre, da RFI em Paris, e da AFP 

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, faz um gesto com o punho cerrado no final de um evento durante uma visita à Coosa Steel Corporation, em Rome, Geórgia, EUA, em 19 de fevereiro de 2026.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, faz um gesto com o punho cerrado no final de um evento durante uma visita à Coosa Steel Corporation, em Rome, Geórgia, EUA, em 19 de fevereiro de 2026.
Foto: REUTERS - Kevin Lamarque / RFI

"Talvez tenhamos que ir mais longe, ou talvez não, se chegarmos a um acordo. Vocês provavelmente saberão dentro dos próximos dez dias", declarou o presidente americano em um discurso em Washington.

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A declaração foi feita durante a reunião inaugural do "Conselho de Paz" para Gaza, criado pelo presidente americano. Em seguida, já a bordo do avião que o levava ao estado da Geórgia, mencionou em conversa com jornalistas um prazo de "dez, quinze dias" no máximo para anunciar sua decisão. 

Donald Trump repetiu, durante seu discurso em Washington, que sem um acordo "relevante", "coisas ruins" acontecerão. 

Os Estados Unidos já posicionaram no Oriente Médio uma imponente força naval e aérea. Antes das ameaças contra o programa nuclear, o presidente americano havia falado em uma possível ação militar contra o Irã após a brutal repressão do regime iraniano contra manifestantes. 

O Irã, por sua vez, voltou a ameaçar alvos americanos na região com retaliações.

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"Caso o Irã sofra uma agressão militar, responderá de maneira decisiva e proporcional, de acordo com os princípios de legítima defesa previstos no Artigo 51 da Carta das Nações Unidas", escreveu o embaixador iraniano na ONU em carta enviada a António Guterres. "Nessas circunstâncias, todas as bases, infraestruturas e bens" americanos "na região constituem alvos legítimos", acrescentou. 

Negociações 

Estados Unidos e Irã realizaram duas rodadas de negociações indiretas, primeiro em Omã e depois em Genebra, no início da semana. Ao que tudo indica, as discussões não resultaram, por enquanto, em avanços significativos nas posições dos dois países. 

Washington exige, em particular, um acordo que vá além do programa nuclear iraniano, abrangendo também as capacidades balísticas de Teerã. O Irã rejeita a proposta. 

Força militar americana mobilizada no Oriente Médio 

A presença militar americana posicionada no Golfo aumentou em uma magnitude inédita desde a invasão do Iraque em 2003. Imagens de satélite confirmam que, nos últimos dias, a Força Aérea dos EUA reuniu entre 150 e 200 aeronaves de todos os tipos em suas diversas bases no Oriente Médio, relata Franck Alexandre, jornalista da RFI especialista em defesa. 

Estão mobilizados caças F-22, F-15, F-16 e bombardeiros, incluindo vários B-52, na base de Al Udeid, no Catar, além de dezenas de aviões de reabastecimento. 

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Além dessa força aérea adicional, 12 navios já estão estacionados no mar da Arábia e no estreito de Ormuz, em torno do porta-aviões Abraham Lincoln. Os destróieres dessa frota estão todos equipados com mísseis de cruzeiro Tomahawk. E um porta-aviões adicional, o Gerald Ford, o maior da frota americana, acompanhado de quatro navios, deve chegar à costa israelense a partir de 22 de fevereiro. 

Capacidade defensiva do Irã 

Diante de tal armada, o Irã não dispõe de poder aéreo relevante. Sua defesa antiaérea, reforçada com material chinês, permanece limitada. No plano naval, sua frota de superfície não representa uma ameaça significativa.  

O país, no entanto, possui três submarinos russos da classe Kilo e uma frota de minissubmarinos que podem causar dificuldades pontuais à marinha americana. O Irã poderia sobretudo minar o estreito de Ormuz e tentar saturar o espaço aéreo com ataques de drones. 

A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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