O papa Leão XIV recebeu nesta segunda-feira (5), no Vaticano, o primeiro-ministro da República do Sudão, Kamil El-Tayeb Idris Abdelhafiz, em uma audiência marcada por apelos urgentes pela paz no país africano, devastado por uma guerra civil que já dura há mais de três anos.
Segundo comunicado da Sala de Imprensa da Santa Sé, após o encontro com o Pontífice, o chefe de governo sudanês também foi recebido pelo secretário de Estado do Vaticano, o cardeal Pietro Parolin, em uma reunião na qual se destacou a importância das relações diplomáticas entre as partes, além do papel da Igreja local no apoio à população.
Durante as conversas, foi discutida a grave crise no país, com ênfase na necessidade imediata de um cessar-fogo, ampliação da assistência humanitária e abertura de um diálogo político entre as diferentes forças sudanesas.
O Vaticano reiterou ainda a urgência de esforços conjuntos para encerrar o conflito e reconstruir caminhos de paz.
Ainda nesta segunda-feira, em outra agenda, Leão XIV fez um alerta sobre o que chamou de crescente "insensibilidade à dor alheia" no mundo contemporâneo.
Durante um encontro com participantes de um colóquio promovido pelo Dicastério para o Diálogo Inter-religioso e pelo Real Instituto de Estudos Inter-religiosos, o Pontífice afirmou que o avanço tecnológico, apesar de ampliar a conectividade global, pode estar contribuindo para a indiferença diante do sofrimento humano.
"O fluxo constante de imagens e vídeos do sofrimento alheio pode anestesiar nossos corações, em vez de comovê-los", disse o Papa, destacando que essa apatia representa um dos "desafios espirituais mais sérios do nosso tempo".
Ele também apelou para uma ação conjunta entre cristãos e muçulmanos, ressaltando que ambas as tradições religiosas têm o dever de "reavivar a humanidade onde ela esfriou, dar voz aos que sofrem e transformar a indiferença em solidariedade".
"A compaixão e a empatia podem ser nossas ferramentas, pois têm o poder de restaurar a dignidade dos outros", concluiu. .