Ordem mundial está mudando, não se rompendo, dizem lideranças do setor de finanças

23 jan 2026 - 08h19
(atualizado às 11h03)

A ordem mundial está mudando, mas não está sofrendo uma ruptura, afirmaram lideranças do setor de finanças nesta sexta-feira, rejeitando a narrativa do primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, de que uma nova ordem, impulsionada pela coerção das ‌grandes potências, está tomando forma.

Em seu discurso no Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, Carney conclamou as nações ‌a aceitarem que uma ordem global baseada em regras acabou e que as grandes potências estão abandonando até mesmo a pretensão de seguir acordos internacionais.

Publicidade

Citando o antigo historiador grego Tucídides, Carney disse que o mundo está entrando em um período no qual "os fortes podem fazer o que podem e os fracos devem sofrer o que ‍devem".

"Não estou exatamente na mesma página que Mark", disse a presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, ao Fórum Econômico Mundial, poucos dias após a apresentação de Carney. "Não tenho certeza de que deveríamos estar falando sobre ruptura."

"Acho que deveríamos estar falando sobre alternativas. Deveríamos estar identificando, muito mais do que ‌provavelmente fizemos no passado, os pontos fracos, os pontos sensíveis, as dependências, a ‌autonomia", disse ela.

"NÃO ESTAMOS MAIS NO KANSAS"

Publicidade

A diretora-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Ngozi Okonjo-Iweala, disse que é improvável que a incerteza permaneça tão alta quanto a deste mês, quando o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou tomar a Groenlândia da Dinamarca, integrante da aliança militar ocidental Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

Mas a velha ordem também não retornará, a incerteza persistirá e os países deverão investir em sua própria resiliência, disse ela.

"Não acho que voltaremos ao que éramos. Mas as coisas não serão tão ruins e talvez tenhamos um estado estável um pouco melhor para o futuro", disse Okonjo-Iweala.

"Se eu estivesse administrando um país, estaria tentando fortalecer meu país e a minha região, e estaria olhando para a minha região e criando resiliência."

Kristalina Georgieva, diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), argumentou que a mudança é natural e vem ocorrendo há anos, e que é hora de aceitá-la, porque os choques continuarão acontecendo.

Publicidade

"Não estamos mais no Kansas", disse ela, fazendo referência a uma frase do Mágico de Oz, o que significa que o conforto do ambiente familiar havia desaparecido para sempre.

Lagarde, que abandonou um jantar em Davos durante um discurso do secretário de Comércio dos ‌EUA, Howard Lutnick, em que criticava a Europa, estava em um clima mais tolerante nesta sexta-feira.

"Ouvimos muitas críticas à Europa nos últimos dias, mas, se alguma coisa foi boa, devemos dizer 'obrigado' aos críticos, porque acho que isso nos deu uma percepção completa do fato de que temos que ser mais focados; temos que trabalhar nesses planos B."

Reuters - Esta publicação inclusive informação e dados são de propriedade intelectual de Reuters. Fica expresamente proibido seu uso ou de seu nome sem a prévia autorização de Reuters. Todos os direitos reservados.
Fique por dentro das principais notícias
Ativar notificações