Portugal não prevê agitação com eleição presidencial, diz ministro

23 jan 2026 - 09h43

É improvável que Portugal enfrente alguma agitação política após o futuro segundo turno da eleição presidencial no país, permitindo que o governo minoritário de centro-direita mantenha os superávits orçamentários e reduza a dívida pública, disse o ministro português das Finanças, Joaquim ‌Miranda Sarmento, à Reuters.

O segundo turno está marcado para 8 de fevereiro e colocará o socialista moderado de centro-esquerda António José ‌Seguro contra o líder do partido de extrema-direita e populista Chega, André Ventura, para o cargo que é em grande parte cerimonial.

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Os analistas políticos afirmam que, embora a expectativa seja de que Ventura perca, seu forte resultado no primeiro turno poderá aumentar a resistência ao governo do primeiro-ministro Luís Montenegro em um Parlamento fragmentado, onde o Chega é o principal partido ‍da oposição.

"Os investidores veem Portugal como um país estável. Falo com muitos investidores e nunca ouvi nenhuma preocupação", disse Miranda Sarmento em uma entrevista na noite de quinta-feira em Davos, na Suíça, onde está sendo realizado o Fórum Econômico Mundial.

O ministro disse que, apesar do status minoritário do governo, ele tem sido capaz de ‌governar, "aprovando projetos de lei no Parlamento, às vezes com um partido e outras vezes com ‌outro", referindo-se a Chega e ao Partido Socialista.

MAIOR RESPONSABILIDADE

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Miranda Sarmento disse que, desde que o governo foi reeleito em maio, depois que os socialistas se uniram ao Chega para rejeitar uma moção de confiança, a oposição não impôs aumentos de gastos ou cortes de impostos que reduziriam o espaço fiscal, ao contrário do que ocorreu em 2024.

"Acho que a oposição aprendeu a lição na eleição de maio... e acredito que o Parlamento continuará a ter responsabilidade fiscal, ninguém em Portugal quer um retorno aos déficits", disse ele.

O orçamento de 2026 foi aprovado em novembro, quando os socialistas se abstiveram, citando a necessidade de estabilidade, embora o Chega tenha votado contra.

Portugal foi submetido a duras medidas de austeridade entre 2011 e 2014, sob os termos de um resgate internacional, depois que o déficit público ultrapassou 11% em 2010.

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Miranda Sarmento estava confiante de que Portugal apresentará um superávit orçamentário de 0,1% do PIB este ano, mesmo com a expansão das isenções fiscais e o aumento dos salários e das pensões, embora ficasse aquém do superávit de pouco mais de 0,3% esperado para 2025.

O governo prometeu reduzir o índice da dívida pública, que atingiu um pico de mais de 134% durante a pandemia da Covid-19 em 2020, para 87,8% do PIB este ano, em comparação com os ‌90% esperados em 2025.

Ele disse que o governo, em negociações com sindicatos e empregadores, fará "todos os esforços" para concluir uma reforma trabalhista que considera vital para impulsionar a produtividade e o crescimento. O objetivo final é elevar o crescimento econômico para cerca de 3% em 2029, bem acima da previsão de 2,3% para este ano e de 2,0% em 2025.

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