Guarda Revolucionária do Irã se prepara para 'seis meses de guerra'; Líbano alerta para crise humanitária

Neste domingo (8), no nono dia de conflito, a Guarda Revolucionária do Irã afirmou estar preparada para enfrentar "pelo menos seis meses de guerra intensa" contra os Estados Unidos e Israel. O grupo declara já ter atacado mais de 200 alvos americanos e israelenses na região desde o início das hostilidades. Líbano adverte para uma "catástrofe humanitária" caso o conflito no Oriente Médio não seja interrompido.

8 mar 2026 - 04h54
(atualizado às 04h57)

Com Siavosh Ghazi, correspondente da RFI em Teerã; Sophie Guignon, correspondente da RFI em Beirute, e agências 

Fumaça sobe acima de Teerã, após ataques, em 8 de março de 2026.
Fumaça sobe acima de Teerã, após ataques, em 8 de março de 2026.
Foto: © Reuters/Majid Asgaripour / RFI

As autoridades iranianas informaram ainda que esperam convocar, nas próximas 24 horas, uma reunião da Assembleia dos Especialistas para escolher o sucessor de Ali Khamenei, morto em um ataque no sábado, 28 de fevereiro. Membros da Assembleia pediram à população que evitem "especulações" sobre o processo. Israel já afirmou que o futuro líder religioso seria considerado "um alvo".

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Desde 28 de fevereiro, Estados Unidos e Israel vêm realizando ataques contínuos contra a capital iraniana. O presidente americano, Donald Trump, declarou que deve "estar envolvido" na escolha do sucessor de Khamenei e que não se opõe ao surgimento de um novo líder religioso no Irã. A Casa Branca reforçou que não haverá negociações até que "o Irã deixe de representar uma ameaça aos EUA e até que os objetivos da operação 'Fúria Épica' sejam alcançados".

O Irã informou que pelo menos 1.332 pessoas morreram no país desde o início da guerra, entre elas 175 meninas estudantes ou funcionárias de uma escola em Minab, no sul do país, atingida por um ataque.

Durante a madrugada de sábado para domingo, o Irã sofreu as ofensivas mais intensas até agora. Depósitos de combustível em Teerã e na cidade de Karaj foram destruídos, gerando uma densa nuvem de fumaça que cobriu a capital. Em resposta, Teerã atacou uma base logística dos EUA no Kuwait e dois hotéis - um no Kuwait e outro no Bahrein - que, segundo o governo iraniano, abrigariam soldados americanos.

Um porta‑voz da Guarda Revolucionária afirmou que o objetivo dos ataques, que teriam destruído diversos sistemas de radar americanos e israelenses, é "cegar" as forças adversárias. Ele reiterou que cerca de 40% das 200 ações iranianas teriam ocorrido em território israelense e 60% contra bases dos EUA na região.

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No sábado (7), Israel também bombardeou Teerã, um dia após Trump afirmar querer a "capitulação" do regime iraniano. O presidente também mencionou a possibilidade de enviar tropas terrestres ao Irã para controlar os estoques de urânio enriquecido.

Mortos e risco de "catástrofe humanitária" no Líbano

No Líbano, os bombardeios continuaram ao longo da noite. No sábado, uma ofensiva israelense atingiu um bastião do Hezbollah ao sul de Beirute, e um ataque contra um hotel no centro da capital deixou ao menos quatro mortos. Israel mantém a escalada militar no país e ampliou a lista de alvos, incluindo áreas da periferia de Beirute e as cidades de Saïda e Tiro. 

À medida que a guerra com Israel se intensifica e as ordens de evacuação se expandem, a crise humanitária se agrava rapidamente. As autoridades libanesas relatam dificuldades crescentes para lidar com os deslocamentos massivos. 

O primeiro‑ministro Nawaf Salam advertiu que o país caminha para uma "catástrofe humanitária" caso o conflito não seja interrompido. 

Para tentar responder às necessidades de centenas de milhares de deslocados que fugiram dos bombardeios no sul do país e nos subúrbios ao sul de Beirute, redes de solidariedade estão sendo organizadas, apesar da guerra e do clima de medo. 

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Segundo as autoridades, cerca de 20% da população libanesa já foi deslocada pelos bombardeios israelenses. 

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