A trégua mediada pelo Paquistão segue em vigor, mas o impasse político e militar permanece sem perspectiva de avanço. Segundo o vice‑ministro das Relações Exteriores, Kazem Gharibabadi, o Irã apresentou seu plano ao mediador paquistanês com o objetivo de encerrar de forma permanente a guerra "imposta" ao país.
Ele afirmou que cabe agora aos EUA escolher entre "negociação ou confronto" e que o Irã está preparado para ambas as opções, desde que seus interesses nacionais e sua segurança sejam garantidos.
O presidente norte-americano Donald Trump declarou na sexta‑feira que não está satisfeito com a última proposta de negociação apresentada por Teerã. O ministro iraniano das Relações Exteriores afirmou que o país está aberto à diplomacia caso Washington mude de postura. O impasse deve continuar, mesmo com Trump buscando encerrar o conflito, considerado impopular entre os norte-americanos.
A campanha militar dos Estados Unidos e de Israel no Irã está suspensa por uma trégua mediada pelo Paquistão, anunciada em 8 de abril e prorrogada por tempo indeterminado na semana passada. Nenhum detalhe da nova proposta iraniana foi divulgado. Trump disse que Teerã exige concessões "inaceitáveis".
Desgaste
As relações entre Washington e seus aliados tradicionais sofreram novo desgaste após o anúncio da retirada de 5.000 soldados americanos estacionados na Alemanha. A tensão internacional aumentou com a passagem do petroleiro Sarv Shakti pelo estreito de Ormuz rumo à Índia, com 20 tripulantes a bordo.
Em Beirute, o comandante das Forças Armadas libanesas se reuniu com o general norte-americano Joseph Clearfield para discutir a situação regional e o monitoramento do cessar‑fogo entre Israel e Hezbollah.
Segundo um alto funcionário iraniano, a proposta rejeitada por Trump prevê a reabertura do estreito de Ormuz e o fim do bloqueio americano, deixando para depois as negociações sobre o programa nuclear. A imprensa estatal iraniana informou ainda a execução de dois condenados por espionagem para Israel.
Mais ataques israelenses no sul do Líbano
Israel realizou neste sábado (2) uma nova série de bombardeios no sul do Líbano, afirmando ter atingido dezenas de alvos do Hezbollah, grupo pró‑Irã. Os ataques são diários na região, apesar do cessar‑fogo entre Israel e o Hezbollah em vigor desde 17 de abril, que ambos os lados se acusam mutuamente de violar.
Em comunicado, o Exército israelense informou ter atingido "cerca de 70 estruturas militares e desmantelado cerca de 50 posições do Hezbollah em vários setores". Segundo a agência oficial libanesa ANI, as ofensivas ocorreram em diferentes pontos do sul do país.
Antes dos ataques, o Exército israelense havia emitido dois alertas pedindo a evacuação de nove vilarejos. O Hezbollah, por sua vez, reivindicou várias ações contra tropas israelenses, dizendo tratar‑se de represálias por "violações" do cessar‑fogo.
Com AFP