Em visita ao Reino Unido, Donald Trump disse nesta quinta-feira (18) estar "decepcionado" com o presidente russo, Vladimir Putin, em relação à guerra na Ucrânia. "Ele realmente me decepcionou", declarou o chefe da Casa Branca. A afirmação foi feita durante uma entrevista coletiva ao lado do primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, na residência de campo do premiê em Chequers, a 70 quilômetros de Londres.
"Precisamos aumentar a pressão" sobre Putin, reiterou Keir Starmer, que há meses assume o papel de intermediário entre Trump e os europeus no conflito na Ucrânia. "Foi apenas quando o presidente Trump exerceu pressão sobre Putin que ele realmente demonstrou alguma disposição para agir", afirmou o premiê britânico.
No segundo e último dia de sua visita de Estado ao Reino Unido, Trump também reconheceu seu desacordo com Starmer sobre a guerra em Gaza. Ainda assim, o presidente norte-americano falou do vínculo entre os dois países. "Seremos sempre amigos", disse ele durante a coletiva.
Starmer anunciou sua intenção de reconhecer o Estado palestino antes mesmo das discussões de segunda-feira (22) na Assembleia Geral da ONU, segundo o jornal The Times. "Estou em desacordo com o primeiro-ministro nesse ponto, é uma das nossas poucas divergências", declarou Trump. "A situação em Gaza é intolerável", respondeu Starmer.
Combate à imigração
Durante a coletiva, Trump também pediu mais firmeza no combate à imigração irregular, mesmo que seja necessário "recorrer ao Exército". Poucas horas antes, pela primeira vez, um migrante foi enviado de volta à França. "É um avanço importante", comemorou Keir Starmer. "Agora precisamos intensificar o processo, o que sempre esteve previsto no acordo, mas é muito importante termos conseguido provar que ele funciona."
Concluído em julho, durante a visita de Estado do presidente francês Emmanuel Macron ao Reino Unido, o acordo está em vigor desde o início de agosto e prevê o retorno à França de migrantes que chegaram ao Reino Unido em botes, em troca do envio ao território britânico de migrantes que estão na França.
"Há pessoas chegando e, como disse ao primeiro-ministro, eu as impediria, não importa se for preciso recorrer ao Exército. Não importa quais meios sejam usados", afirmou o presidente americano. Nos Estados Unidos, Trump lançou uma política de expulsão de imigrantes em situação ilegal. A imigração irregular "destrói os países por dentro", declarou Trump.
Outros voos transportando migrantes para a França estão previstos para esta semana e a próxima, informou o Ministério do Interior britânico ao anunciar o primeiro retorno. Os primeiros migrantes autorizados a vir ao Reino Unido devem chegar "nos próximos dias", vindos da França.
Acordo tecnológico
Antes da coletiva de imprensa, Donald Trump e Keir Starmer assinaram um acordo de cooperação tecnológica, já concretizado com o anúncio de dezenas de bilhões em investimentos. "Ele é um negociador duro", disse Trump sorrindo, referindo-se a Keir Starmer.
Esse acordo permitirá que "a América e nossos aliados britânicos dominem o futuro da inteligência artificial", prometeu o presidente americano. O acordo abrange áreas como inteligência artificial, computação quântica e energia nuclear.
Keir Starmer comemorou o que chamou de "maior programa de investimento desse tipo em toda a história britânica". Sobre tarifas alfandegárias, no entanto, o premiê esperava concluir longas negociações para obter a isenção dos 25% aplicados ao aço britânico, prometida no início de maio, o que não ocorreu.
Essa etapa política e econômica ocorre um dia após a visita de Trump ao Castelo de Windsor, onde foi recebido pelo rei Charles III. Durante o banquete de Estado na noite de quarta-feira, Trump afirmou que essa visita de Estado, a segunda, após a de 2019, foi "uma das maiores honras da minha vida".
O presidente e a primeira-dama, Melania Trump, embarcaram nesta quinta-feira para Washington. A visita de Estado ao Reino Unido durou 28 horas.
Com agências