Os governos europeus rejeitaram nesta segunda-feira a sugestão do presidente russo, Vladimir Putin, de que o ex-chanceler alemão Gerhard Schroeder poderia representá-los em possíveis negociações futuras com Moscou sobre a segurança do continente.
Putin disse no sábado que acreditava que a guerra na Ucrânia estava chegando ao fim e que estaria disposto a negociar novos acordos de segurança para a Europa, com Schroeder como seu parceiro preferido.
Mas os ministros das Relações Exteriores da União Europeia, presentes em uma reunião em Bruxelas, mostraram-se céticos quanto ao fato de a Rússia estar pronta para acabar com a guerra e negociar sinceramente a paz e a segurança para a Europa.
Eles descartaram qualquer papel para Schroeder, que trabalhou para empresas estatais russas e cultivou um relacionamento próximo com Putin.
"Está claro por que Putin quer que ele seja a pessoa -- para que, na verdade, ele esteja sentado em ambos os lados da mesa", disse a chefe de política externa da UE, Kaja Kallas, aos repórteres.
"Se dermos à Rússia o direito de nomear um negociador em nosso nome... isso não seria muito sábio", disse Kallas, ex-primeira-ministra da Estônia, um Estado báltico que foi governado por Moscou como parte da União Soviética.
Quando questionada mais tarde se poderia participar pessoalmente dessas negociações, Kallas disse: "Quando um político não toca a própria corneta, ela costuma ficar sem tocar. Portanto, preciso dizer que acredito que conseguiria enxergar as armadilhas que a Rússia está apresentando."
Ela acrescentou que não havia sinais de que a Rússia estivesse pronta para se engajar de boa fé e que os europeus precisariam primeiro chegar a um acordo sobre o que queriam de qualquer negociação.
O ministro da Europa da Alemanha, Gunther Krichbaum, disse que Schroeder, que foi chanceler de 1998 a 2005, não tinha as credenciais para ser um "mediador honesto".
"Ele é, e certamente foi, fortemente influenciado pelo sr. Putin", disse Krichbaum.
O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andrii Sybiha, também rejeitou um papel para Schroeder. Mas ele disse que a Europa poderia estar envolvida em conversações que seriam "complementares" às negociações lideradas pelos EUA para acabar com a guerra.
Sybiha não entrou em detalhes sobre o que isso poderia envolver, além de dizer que poderia se concentrar na "resolução de problemas concretos".
UE TEM EVITADO A RÚSSIA DESDE INVASÃO DA UCRÂNIA
A UE tem adotado uma política de isolamento da Rússia desde a invasão da Ucrânia por Moscou em 2022. Ela impôs sanções e teve poucos contatos políticos e diplomáticos de alto nível com a Rússia.
Mas com as negociações lideradas pelos EUA para encerrar o conflito fazendo pouco progresso enquanto Washington se concentra na guerra contra o Irã, algumas autoridades europeias pediram que a UE considerasse discussões diretas com Moscou, possivelmente lideradas por um enviado especial.
O presidente do Conselho Europeu, António Costa, disse na semana passada que estava conversando com outros líderes da UE "para nos organizarmos e identificarmos o que precisamos" para conversar com a Rússia quando chegar "o momento certo".
Kallas e vários ministros disseram que a UE deveria primeiro aumentar a pressão sobre a Rússia antes de contemplar discussões ou escolher um representante.