BRASÍLIA - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva decola para Bogotá, na Colômbia, nesta sexta-feira, dia 20, a fim de participar da reunião de líderes da Celac (Comunidade de Estados Latino-americanos e Caribenhos), no sábado, dia 21.
Apesar de a cúpula se anunciar como a mais esvaziada de todos os tempos, o Palácio do Planalto entende que a presença de Lula é indispensável para não deixar o agrupamento morrer de vez.
A organização colombiana informou ao Ministério das Relações Exteriores que há somente quatro líderes políticos da região confirmados, de um total de 33 países da Celac, e 20 ministros. O comparecimento previsto é o mais baixo da história.
Entre eles, estão o próprio Lula e o anfitrião Gustavo Petro, além do presidente do Uruguai, Yamandú Orsi, que vai assumir o grupo em 2026, e o primeiro-ministro de São Vicente e Granadinas, Ralph Gonsalves.
Dos convidados, somente o presidente do Burundi, Évariste Ndayishimiye, como representante da União Africana, desembarcou em Bogotá. Os demais devem participar apenas com chanceleres. Além da reunião da própria Celac, o governo Petro escolheu promover um Fórum de Alto Nível para estreitar relações com a África. O governo da Colômbia havia convidado 20 dos 54 países africanos.
Na última edição, na cidade costeira colombiana de Santa Marta, havia previsão de 12 líderes, entre latino-americanos e europeus, mas somente nove compareceram, uma baixa adesão. Na ocasião, a cúpula era entre Celac e União Europeia, com seus 27 países.
A embaixadora Gisela Padovan, secretária de América Latina e Caribe do Itamaraty, diz que a presença do presidente mostra compromisso constitucional com a integração regional e que, desde que voltou ao poder, Lula viajou a todas as cúpulas da Celac.
"Esse é o tamanho do compromisso de acreditar que a integração regional é fundamental, ainda mais num mundo como o de hoje, onde proliferam medidas coercitivas e atos unilaterais. Avaliamos que é muito importante a manutenção de um espaço regional de diálogo", afirma a embaixadora.
Lula vai participar de dois eventos no sábado. Um deles é um fórum de alto nível entre a Celac e a África. O outro é destinado, após um almoço de líderes, às discussões da 10ª Cúpula da Celac.
Sob o governo Lula, o Brasil voltou a se engajar com a Celac e aposta nela como um mecanismo de coordenação política com mais representatividade e com condições de ser a voz da América Latina e do Caribe.
As divergências políticas entre os governos, e o retorno de Donald Trump ao poder nos Estados Unidos, com uma política linha-dura para a região, porém, praticamente paralisaram o mecanismo.
Sem criar expectativas, um diplomata do Itamaraty confidenciou à reportagem que, na prática, a Celac já "acabou" e não se deve esperar nada além da realização da cúpula em si.
O Palácio do Planalto vê a Celac como um obstáculo a intervenções contra a soberania dos países e anteparo à pretensão americana de impor políticas e determinações. Washington enxerga a América Latina e o Caribe como sua zona de influência.
A ausência do Brasil, maior país latino-americano, seria um sinal de fraqueza ainda maior, segundo integrantes do governo brasileiro. Lula está pronto para abordar em discurso o que o governo entende como "ameaças" e uma luta pela sobrevivência e independência política da região.
As chancelarias negociam uma declaração, como de praxe, que tem três parágrafos dedicados ao crime organizado e um ao bloqueio americano a Cuba, tema recorrente, mas não há garantia de que o documento será aprovado por consenso. O texto reafirma a região como zona de paz. Um embaixador brasileiro diz que qualquer crítica às sanções e ameaças de Trump contra Havana tende a ser barrada.
Diplomatas envolvidos na preparação e nas discussões prévias também dizem que, ao menos como um grupo, a Celac não planeja responder ao plano de Trump contra os cartéis e facções: o lançamento de uma coalizão militar que reuniu 12 presidentes da região em Miami, o Escudo das Américas.
Trump já declarou como organizações terroristas 14 grupos da região, e pode incluir na lista as facções Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV).
O combate ao crime organizado é um dos temas de discussão, ao lado de desenvolvimento econômico, segurança alimentar, mudança climática, cooperação espacial e o fundo reação a desastres naturais, entre outros.
Fórum Celac-África e X Cúpula da Celac, em Bogotá
Sexta-feira, 20/3
Reunião e almoço de chanceleres com ministro Mauro Vieira
Sábado, 21/3
Fórum Celac-África, almoço de líderes e Cúpula da Celac com Lula