Lula viaja a Cúpula da Celac esvaziada na Colômbia para não deixar grupo morrer de vez

Presidente deve ser um dos únicos cinco líderes políticos presentes em Bogotá, reflexo da divisão política na América Latina e no Caribe

20 mar 2026 - 07h46
(atualizado às 07h46)
Lula abraça Petro na reunião anterior em Santa Marta, em novembro passado
Lula abraça Petro na reunião anterior em Santa Marta, em novembro passado
Foto: Ricardo Stuckert/PR

BRASÍLIA - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva decola para Bogotá, na Colômbia, nesta sexta-feira, dia 20, a fim de participar da reunião de líderes da Celac (Comunidade de Estados Latino-americanos e Caribenhos), no sábado, dia 21.

Apesar de a cúpula se anunciar como a mais esvaziada de todos os tempos, o Palácio do Planalto entende que a presença de Lula é indispensável para não deixar o agrupamento morrer de vez.

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A organização colombiana informou ao Ministério das Relações Exteriores que há somente quatro líderes políticos da região confirmados, de um total de 33 países da Celac, e 20 ministros. O comparecimento previsto é o mais baixo da história.

Entre eles, estão o próprio Lula e o anfitrião Gustavo Petro, além do presidente do Uruguai, Yamandú Orsi, que vai assumir o grupo em 2026, e o primeiro-ministro de São Vicente e Granadinas, Ralph Gonsalves.

Dos convidados, somente o presidente do Burundi, Évariste Ndayishimiye, como representante da União Africana, desembarcou em Bogotá. Os demais devem participar apenas com chanceleres. Além da reunião da própria Celac, o governo Petro escolheu promover um Fórum de Alto Nível para estreitar relações com a África. O governo da Colômbia havia convidado 20 dos 54 países africanos.

Na última edição, na cidade costeira colombiana de Santa Marta, havia previsão de 12 líderes, entre latino-americanos e europeus, mas somente nove compareceram, uma baixa adesão. Na ocasião, a cúpula era entre Celac e União Europeia, com seus 27 países.

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A embaixadora Gisela Padovan, secretária de América Latina e Caribe do Itamaraty, diz que a presença do presidente mostra compromisso constitucional com a integração regional e que, desde que voltou ao poder, Lula viajou a todas as cúpulas da Celac.

"Esse é o tamanho do compromisso de acreditar que a integração regional é fundamental, ainda mais num mundo como o de hoje, onde proliferam medidas coercitivas e atos unilaterais. Avaliamos que é muito importante a manutenção de um espaço regional de diálogo", afirma a embaixadora.

Lula vai participar de dois eventos no sábado. Um deles é um fórum de alto nível entre a Celac e a África. O outro é destinado, após um almoço de líderes, às discussões da 10ª Cúpula da Celac.

Sob o governo Lula, o Brasil voltou a se engajar com a Celac e aposta nela como um mecanismo de coordenação política com mais representatividade e com condições de ser a voz da América Latina e do Caribe.

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As divergências políticas entre os governos, e o retorno de Donald Trump ao poder nos Estados Unidos, com uma política linha-dura para a região, porém, praticamente paralisaram o mecanismo.

Sem criar expectativas, um diplomata do Itamaraty confidenciou à reportagem que, na prática, a Celac já "acabou" e não se deve esperar nada além da realização da cúpula em si.

O Palácio do Planalto vê a Celac como um obstáculo a intervenções contra a soberania dos países e anteparo à pretensão americana de impor políticas e determinações. Washington enxerga a América Latina e o Caribe como sua zona de influência.

A ausência do Brasil, maior país latino-americano, seria um sinal de fraqueza ainda maior, segundo integrantes do governo brasileiro. Lula está pronto para abordar em discurso o que o governo entende como "ameaças" e uma luta pela sobrevivência e independência política da região.

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As chancelarias negociam uma declaração, como de praxe, que tem três parágrafos dedicados ao crime organizado e um ao bloqueio americano a Cuba, tema recorrente, mas não há garantia de que o documento será aprovado por consenso. O texto reafirma a região como zona de paz. Um embaixador brasileiro diz que qualquer crítica às sanções e ameaças de Trump contra Havana tende a ser barrada.

Diplomatas envolvidos na preparação e nas discussões prévias também dizem que, ao menos como um grupo, a Celac não planeja responder ao plano de Trump contra os cartéis e facções: o lançamento de uma coalizão militar que reuniu 12 presidentes da região em Miami, o Escudo das Américas.

Trump já declarou como organizações terroristas 14 grupos da região, e pode incluir na lista as facções Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV).

O combate ao crime organizado é um dos temas de discussão, ao lado de desenvolvimento econômico, segurança alimentar, mudança climática, cooperação espacial e o fundo reação a desastres naturais, entre outros.

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Fórum Celac-África e X Cúpula da Celac, em Bogotá

Sexta-feira, 20/3

Reunião e almoço de chanceleres com ministro Mauro Vieira

Sábado, 21/3

Fórum Celac-África, almoço de líderes e Cúpula da Celac com Lula

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