Após visita a Pequim, Trump adverte Taiwan contra independência; ilha reafirma soberania

Governo de Taiwan reafirmou, neste sábado, 16, que a ilha é uma nação "independente"

16 mai 2026 - 05h42
(atualizado às 07h30)
O presidente chinês Xi Jinping gesticula ao cumprimentar o presidente dos EUA Donald Trump no Jardim Zhongnanhai, em Pequim, China, em 15 de maio de 2026.
O presidente chinês Xi Jinping gesticula ao cumprimentar o presidente dos EUA Donald Trump no Jardim Zhongnanhai, em Pequim, China, em 15 de maio de 2026.
Foto: REUTERS - Evan Vucci / RFI

O governo de Taiwan reafirmou, neste sábado, 16, que a ilha é uma nação "independente", em resposta a declarações do presidente dos Estados Unidos após sua visita a Pequim. Donald Trump advertiu Taipei, na sexta-feira, contra qualquer declaração formal de independência.

Ao longo de sua visita à capital chinesa, Trump evitou cuidadosamente mencionar Taiwan em público. No entanto, pouco antes de deixar o país, o tom mudou.

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"Não quero que ninguém declare independência e, depois, tenhamos que percorrer 15 mil quilômetros para entrar em guerra", disse o presidente dos EUA à Fox News, instando Taipei e Pequim a "reduzirem as tensões". As declarações foram feitas em uma entrevista gravada pouco antes de sua partida de Pequim. Durante a visita de Trump, o presidente chinês, Xi Jinping, adotou um tom particularmente firme em relação à ilha.

A política dos Estados Unidos em relação a Taiwan — que a China considera uma de suas províncias — se baseia em forte apoio militar à ilha, sem, contudo, reconhecê-la oficialmente ou apoiar abertamente eventuais aspirações de independência.

"Taiwan é uma nação democrática, soberana e independente, não subordinada à República Popular da China", afirmou o Ministério das Relações Exteriores de Taiwan em comunicado, acrescentando que a política de Washington permanece "inalterada".

"Em relação à venda de armas entre Taiwan e os Estados Unidos, trata-se não apenas de um compromisso americano com a segurança de Taiwan, conforme estabelecido na Lei de Relações com Taiwan, mas também de uma forma de dissuasão conjunta diante de ameaças regionais", destacou o ministério taiwanês.

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Desde 1982, um dos princípios fundamentais da estratégia dos EUA tem sido evitar "consultar" Pequim sobre a venda de armas para Taiwan, tema que está no centro de uma disputa política há meses. Os parlamentares taiwaneses estão divididos quanto ao volume de recursos a ser destinado à defesa e ao fortalecimento das capacidades militares da ilha.

Um pacote de US$ 25 bilhões para a compra de armamentos americanos foi aprovado pelo Congresso na semana passada, valor inferior aos US$ 40 bilhões solicitados pelo governo.

Demonstração de estabilidade

"Não queremos que alguém diga: 'Vamos declarar independência porque os Estados Unidos nos apoiam'", afirmou Donald Trump, acrescentando que ainda não havia tomado uma decisão sobre novas vendas de armas à ilha.

"Tomarei uma decisão em breve", disse a jornalistas na sexta-feira, a caminho de Washington. A visita do presidente americano resultou em uma demonstração de estabilidade entre as duas superpotências, sem avanços significativos — seja no comércio, seja em relação ao Irã, aliado da China.

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A visita de Xi Jinping a Washington, anunciada para o próximo semestre, deverá servir como mais um teste para a frágil relação entre a primeira e a segunda maiores economias do mundo.

Na quinta-feira, em um tom firme inabitual, Xi alertou Donald Trump: "A questão de Taiwan é a mais importante nas relações sino-americanas. Se for tratada adequadamente, as relações entre os dois países podem permanecer amplamente estáveis. Se for tratada de forma inadequada, os dois países entrarão em conflito, ou mesmo em guerra.

Com AFP

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