O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu nesta terça-feira (30) que o Mercosul é uma "necessidade estratégica" diante de um cenário de expansão das rivalidades geopolíticas, do unilateralismo e do protecionismo no planeta.
Em discurso na cúpula de líderes do bloco em Assunção, no Paraguai, o petista também mandou recados indiretos ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que tem se gabado de seu poder de influenciar eleições na região.
"Ninguém é dono do mundo e ninguém é dono da América do Sul. Nenhum país do Mercosul ganhará mais liberdade de ação por meio de alinhamentos automáticos ou escolhas excludentes. Nossa força estará na capacidade de dialogar com todos sem deixar de lado nossos interesses", disse Lula, garantindo que o bloco "continuará sendo prioridade para o Brasil".
"As rivalidades geopolíticas crescem, e o unilateralismo ganha força. Guerras e conflitos aprofundam a instabilidade global e elevam preços de alimentos e energia. O protecionismo ressurge como resposta falaciosa às complexidades dos desequilíbrios macroeconômicos", declarou o presidente em seu pronunciamento.
"Na atual conjuntura, o Mercosul é uma necessidade estratégica", acrescentou. No discurso, ele destacou ainda que, após assinar o acordo de livre comércio com a União Europeia, o bloco sul-americano "está avançando no diálogo com o Canadá, a Índia e o Vietnã" e lançará na cúpula de Assunção "as negociações de uma parceria econômica com o Japão".
"Em breve, queremos fazer o mesmo com a China, e seguir nos aproximando dos mercados mais dinâmicos do planeta", salientou.
Lula também defendeu que o Mercosul atue "como bloco" para "se fortalecer frente às ameaças do colonialismo digital" e seja "mais que fonte de dados, matérias-primas e mercados consumidores".
Além disso, saiu em defesa do PIX, sistema público de pagamentos que está entre as justificativas dos Estados Unidos para propor uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. "O PIX é referência internacional de inclusão financeira e eficiência digital. Sua arquitetura pode servir de base para uma infraestrutura de pagamento que beneficie todos os cidadãos do Mercosul", declarou.