Suprema Corte impõe derrota a Trump e mantém direito à cidadania por nascimento

Decisão foi tomada por 6 votos a 3 e rejeita ordem executiva assinada por republicano

30 jun 2026 - 13h14
(atualizado às 14h29)

A Suprema Corte dos Estados Unidos decidiu nesta terça-feira (30) manter o direito à cidadania por nascimento, rejeitando uma ordem executiva do presidente Donald Trump que declarava que filhos de imigrantes ilegais ou turistas não eram cidadãos americanos.

Medida representa derrota para Trump
Medida representa derrota para Trump
Foto: ANSA / Ansa - Brasil

A decisão representa um revés para uma das principais propostas da política de imigração defendida pelo republicano e reafirma que, com exceções bastante restritas, toda pessoa nascida em território americano é cidadã dos Estados Unidos.

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Por 6 votos a 3, a Corte concluiu que a ordem executiva assinada por Trump poucas horas após sua posse é incompatível com a 14ª Emenda da Constituição. A medida pretendia restringir a concessão automática da cidadania a crianças nascidas nos Estados Unidos de pais estrangeiros.

Votaram pela rejeição da ordem executiva o presidente da Suprema Corte, John Roberts, e os ministros Sonia Sotomayor, Elena Kagan, Amy Coney Barrett e Ketanji Brown Jackson. O conservador Brett M. Kavanaugh acompanhou a maioria, mas afirmou que fundamentou seu voto em uma lei federal, e não diretamente na Constituição.

Os votos divergentes foram dos ministros Clarence Thomas, Neil M. Gorsuch e Samuel A. Alito Jr.

Ao justificar o entendimento da maioria, Roberts afirmou que a cidadania é "o direito de ter direitos" e ressaltou que a 14ª Emenda assegura essa proteção a todas as pessoas nascidas em território norte-americano.

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"A cidadania, tanto naquela época quanto agora, é o direito de ter direitos: o direito de participar livremente de nossa comunidade política", afirmou.

Segundo Roberts, "a 14ª Emenda estabelece que todas as pessoas nascidas ou naturalizadas nos Estados Unidos, e sujeitas à sua jurisdição, são cidadãs dos EUA".

A decisão preserva o princípio do direito de solo (jus soli) e derruba um dos pilares da agenda migratória de Trump, que defendia o fim da cidadania automática por nascimento como forma de endurecer as políticas de imigração. 

Trump critica decisão de Corte sobre direito à cidadania por nascimento

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, criticou a decisão favorável da Suprema Corte sobre o direito à cidadania por nascimento e defendeu que o Congresso aprove uma lei para acabar com a prática.

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Em publicação na rede Truth, o republicano afirmou que a manutenção da cidadania por nascimento é prejudicial ao país, mas disse que a questão pode ser resolvida por meio de legislação.

Segundo ele, não é necessária uma emenda constitucional para alterar as regras.

"O Congresso deve começar a trabalhar ainda hoje para acabar com a cidadania por direito de solo, uma prática custosa e injusta para o nosso país. Eles terão meu apoio total e irrestrito", escreveu.

Além disso, Trump declarou que a cidadania por direito de solo é "ruim para o nosso país" e reiterou seu apelo para que o Congresso aprove uma lei que ponha fim à prática.

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