Suprema Corte dos EUA rejeita tentativa de Trump de restringir a cidadania por direito de nascimento

30 jun 2026 - 12h39
(atualizado às 16h16)

Infligindo uma derrota contundente ‌ao presidente dos Estados Unidos,  Donald Trump, a Suprema Corte dos EUA rejeitou, nesta terça-feira, sua audaciosa tentativa de restringir a cidadania por direito de nascimento no país — um direito há muito enraizado no tecido social norte-americano —, frustrando uma de suas principais prioridades na campanha de repressão ⁠à imigração.

A decisão, por 6 votos a 3, marcou a segunda vez ‌neste ano em que a corte invalidou uma importante iniciativa de Trump, após a decisão de fevereiro de anular suas tarifas comerciais ‌globais abrangentes.

Publicidade

Os juízes mantiveram a decisão de ‌um tribunal de instância inferior que bloqueou o decreto de ⁠Trump, que determinava que as agências norte-americanas não reconhecessem a cidadania de crianças nascidas nos Estados Unidos caso nenhum dos pais fosse cidadão norte-americano ou residente permanente legal, também conhecido como portador de "green card".

Trump vinha ameaçando há anos limitar quem se qualifica para a cidadania por nascimento. ‌Após a decisão desta terça-feira, ele escreveu em sua plataforma Truth Social ‌que a decisão é "uma ⁠pena para o ⁠nosso país, mas podemos facilmente compensar isso no Congresso por meio de legislação, com ⁠o apoio do presidente, o ‌que agora foi determinado durante ‌esse processo".

"Não é necessária nenhuma emenda constitucional longa e complicada! O Congresso deve começar HOJE a trabalhar para acabar com a cidadania por direito de nascimento, que é cara e injusta para ⁠o nosso país. Eles terão meu apoio completo e total!", escreveu Trump.

Os opositores do decreto de Trump argumentaram que ele viola o texto da 14ª Emenda da Constituição dos EUA, que confere cidadania àqueles nascidos nos Estados Unidos que estejam "sujeitos ‌à jurisdição do país".

Publicidade

Trump, que tem repetidamente testado os limites do poder presidencial nas políticas interna e externa, emitiu o decreto no ano ⁠passado, em seu primeiro dia de volta ao cargo, como parte de um conjunto de medidas para reprimir a imigração legal e ilegal. Críticos acusaram o presidente republicano de discriminação racial e religiosa em sua abordagem à imigração.

A Suprema Corte se pronuncia sobre o que significa ser cidadão norte-americano pouco antes do feriado de 4 de julho, quando os Estados Unidos comemoram o 250º aniversário de sua fundação.

Antes da decisão, alguns especialistas estimavam que a diretiva de Trump poderia afetar a situação legal de até 250 mil bebês nascidos a cada ano e exigir que as famílias de milhões de outras pessoas comprovassem a cidadania de seus recém-nascidos.

Reuters - Esta publicação inclusive informação e dados são de propriedade intelectual de Reuters. Fica expresamente proibido seu uso ou de seu nome sem a prévia autorização de Reuters. Todos os direitos reservados.
Fique por dentro das principais notícias
Ativar notificações