Um casal preso no estado de Michigan, nos Estados Unidos, poderá passar o resto da vida na prisão caso seja condenado pela morte do próprio filho, Casper O'Brien, de 7 anos. Damien O'Brien, de 40 anos, e Jessica O'Brien, de 41, respondem por assassinato em segundo grau, tortura e três acusações de abuso infantil em segundo grau após a investigação concluir que o menino morreu em consequência de uma doença cardíaca agravada por um longo período de negligência.
Casper morreu em novembro de 2025, depois de passar mal na casa onde vivia com os pais e a irmã mais nova, em Flint Township. Equipes de emergência foram acionadas, mas não conseguiram reanimá-lo. O laudo da autópsia apontou como causa da morte uma cardiomiopatia dilatada, doença que compromete o músculo cardíaco, tendo a obesidade mórbida como fator contribuinte.
Aos 7 anos, o menino media 1,27 metro de altura e pesava aproximadamente 116 quilos. De acordo com os investigadores, ele estava completamente imóvel, apresentava escaras, lesões na pele e outros problemas de saúde associados à falta de cuidados médicos e à negligência prolongada.
Segundo a Promotoria do Condado de Genesee, Casper possuía plano de saúde, mas deixou de receber atendimento médico básico. Registros mostram que sua última consulta com um médico de atenção primária ocorreu em fevereiro de 2024, quando pesava pouco mais de 47 quilos. Na ocasião, ele foi diagnosticado com tosse aguda, congestão na garganta e doença metabólica, além de ter sido encaminhado para um endocrinologista pediátrico. A consulta, no entanto, nunca foi realizada.
Em menos de dois anos, o menino ganhou cerca de 68 quilos. As investigações apontam que ele permanecia praticamente o tempo todo dentro de casa, sem atividades físicas e sem acompanhamento nutricional. A alimentação era composta principalmente por alimentos ultraprocessados, como batatas fritas e salgadinhos, além de suco de maçã e água com gás saborizada.
Os investigadores também afirmam que Casper era autista não verbal, não recebia tratamento para o transtorno e não frequentava a escola.
Casa em condições precárias
As condições da residência onde a família vivia também passaram a integrar a investigação. Conforme relatos das autoridades, o imóvel apresentava acúmulo extremo de lixo e sujeira, dificultando a circulação dos socorristas quando eles chegaram para atender a ocorrência.
Ainda segundo a investigação, o único banheiro da casa tinha o vaso sanitário quebrado e sem condições de uso. Casper dividia uma cama improvisada com os pais e a irmã de 5 anos, que também não frequentava a escola e, apesar de possuir plano de saúde, não recebia acompanhamento médico regular.
Durante entrevista coletiva, o promotor do Condado de Genesee, David Leyton, classificou o caso como um exemplo de negligência extrema.
"Este foi um caso triste e horrível envolvendo a negligência gratuita e intencional de dois pais em relação ao cuidado, bem-estar e necessidades médicas do filho", afirmou.
O promotor revelou ainda que, na manhã em que Casper sofreu a parada cardíaca, o casal chegou a procurar atendimento para o cachorro da família, entrando em contato com um veterinário, mas não havia buscado assistência médica adequada para o menino ao longo dos anos.
Os advogados do casal afirmaram que ainda é cedo para comentar o mérito das acusações.
Em nota enviada ao jornal The New York Times, o advogado de Damien O'Brien, Elias Fanous, declarou que seu cliente deve ser considerado inocente até que a culpa seja comprovada em tribunal.
Já a advogada de Jessica O'Brien, Tracey Guisbert, afirmou que investigações desse tipo costumam evoluir lentamente e classificou o caso como "uma situação trágica".