Juiz dos EUA arquiva processo do governo Trump sobre investigação de admissões em Harvard

2 nov 2026 - 16h24
Resumo
Um juiz federal dos EUA rejeitou uma ação do governo Trump que tentava forçar a Universidade de Harvard a entregar dados sigilosos de candidatos. O Departamento de Justiça investigava se a instituição ainda adota critérios raciais em suas admissões, contrariando a Suprema Corte. Harvard defendeu-se alegando que a medida era uma retaliação política contra sua recusa em alinhar suas diretrizes e governança à agenda governamental, somando mais uma vitória jurídica contra investidas do governo federal.

Um juiz federal dos Estados ‌Unidos indeferiu nesta segunda-feira uma ação movida pelo governo do presidente Donald Trump que buscava obrigar a Universidade de Harvard a entregar documentos para uma investigação sobre se a instituição continua a levar em conta a raça em seu processo de admissão de alunos.

O juiz federal Myong Joun, de Boston, ⁠rejeitou a ação movida pelo Departamento de Justiça dos EUA, que, segundo Harvard, ‌foi apresentada como parte de uma campanha mais ampla do governo do presidente republicano contra a instituição da Ivy League.

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Harvard tem sido um dos ‌principais alvos dos esforços do governo para usar ‌o financiamento federal e o poder do governo a fim de ⁠forçar mudanças nas universidades que, segundo Trump, são dominadas por ideologias da "esquerda radical".

A universidade, sediada em Cambridge, Massachusetts, já obteve decisões de outros juízes rejeitando as tentativas do governo de cortar mais de US$2 bilhões em subsídios, impedir a instituição de receber estudantes internacionais e processá-la por supostamente não proteger estudantes ‌judeus e israelenses contra assédio.

O Departamento de Justiça apresentou o caso ao juiz ‌Joun em fevereiro, argumentando ⁠que Harvard não ⁠estava cooperando com as investigações para apurar se a instituição está cumprindo a decisão de ⁠2023 da Suprema Corte dos EUA ‌que rejeitou programas de admissão ‌que levam em conta a raça, usados para aumentar o número de matrículas de estudantes de minorias.

O governo alega que o Departamento de Justiça e o Departamento de Educação dos EUA precisam de dados de ⁠admissão por candidato, coletados ao longo de anos, para determinar se a raça continua sendo um fator nas decisões de admissão de Harvard.

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Os advogados da universidade rebateram, alegando que o processo foi aberto como retaliação contra Harvard por se recusar a atender às ‌exigências de reformular sua governança, contratações e programas acadêmicos para se alinhar à agenda do governo.

Eles afirmaram que a ação judicial foi movida depois que ⁠Trump anunciou, no início de fevereiro, que estava encerrando as negociações para um acordo e exigia US$1 bilhão em indenização de Harvard, que, segundo ele, "há muito tempo vem se comportando de maneira muito inadequada".

Harvard afirmou que o Departamento de Justiça entrou com a ação sem primeiro tomar as medidas legalmente exigidas para garantir o cumprimento voluntário, por parte da universidade, de suas exigências relativas a registros de vários anos, que, segundo Harvard, incluíam dados confidenciais sobre milhares de alunos do ensino médio que buscaram admissão.

O Departamento de Justiça solicitou os registros como parte de uma investigação para apurar se Harvard está cumprindo o Título VI da Lei dos Direitos Civis de 1964, que proíbe a discriminação racial em programas educacionais.

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